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Apresentação

Este blog nasceu no blog Janela das Loucas, onde assinava "Diva Latívia". Ali permaneci durante muito tempo, como autora principal das crônicas do blog. Redescobri que escrever é vital pra mim, guiada e editada por Abílio Manoel, cantor, compositor, cineasta e meu querido amigo. O Janela das Loucas não existe mais, Abílio foi embora pro Céu. Escrevo porque tenho esse dom divino, mas devo ao Abílio este blog, devo ao Abílio a saudade que me acompanha diariamente. Fiz e faço deste blog uma homenagem a aquele que se tornou meu irmão, de alma e coração. Aqui o tema é variado: cotidiano, relacionamentos e comportamento, em prosa e versos.







28 de mai de 2010

MEIO SÉCULO DIANTE DE MIM


Parei naquela foto em preto-e-branco. Não sei se demorei minutos ou horas, talvez. A garotinha de cabelos lisos e franja. Tentei lembrar daquele momento. Na sala havia uma lareira, estávamos perto do piano. O bebezinho no colo do meu pai era meu irmão do meio. Ao meu lado o meu fiel escudeiro de infância e juventude, o outro irmão. O mais novo ainda não tinha nascido. Fiz as contas, mais de quarenta anos.
Virei a página do álbum de fotografias. Todos os irmãos dentro da piscina. Quem será aquela menina perto de mim? Ah, lembrei, era a vizinha da casa em frente à nossa. O limoeiro aparece nesta foto, debaixo da árvore armávamos a rede. Aquela cachorrinha branca era a Laika, uma vira-latas que adotamos. Vi outra foto, não lembrava daquele vestido, acho que era cor-de-rosa, foi minha mãe quem costurou.
Fechei o álbum e sentei na poltrona. Pude lembrar do aroma do bolo de fubá da nossa cozinheira, uma senhora gorda e grisalha. O calor da cozinha, a mesa grande onde sentava toda a família. Encontrei alguns discos de vinil, LPs. Nossa! Aquela macaca do disco da Difusora, lembram? A Monalisa? Eu tinha 14, 15 anos de idade. Não tenho toca-discos, isso hoje é raridade. Devolvi o disco à prateleira. Sentei no chão e puxei uma caixa de papelão pra perto de mim. Já fui primeira-princesa de alguma festa do colégio. Faixa azul com dizeres prateados: “primeira princesa da primavera”. E lá estavam meus boletins do curso ginasial.
Saí do quarto, sentei no quintal. Olhei as plantas da minha mãe. Sentem tanta saudade daquela jardineira linda de olhos azuis. Algumas partiram ao encontro dela, outras estão sobrevivendo. Comecei a tirar o matinho dos vasos. Quando parei, meus pensamentos estavam entre o céu e a terra: na infância, onde tudo era alegria, onde o medo era do bicho papão.
Foi uma tarde de recordações, eu na casa que foi dos meus pais. Tempo, você voou. Despertei dos pensamentos com um sabiá piando no telhado da edícula. O céu azul, o sol brilhando. Trouxe comigo a saudade e um porta-retratos antigo, nele minha mãe sorrindo. Lembranças, saudade.

2 comentários:

Anônimo disse...

Lindinha

Sei bem o que é a dor da saudades, calma que o tempo vai te ajudar. Esquecer jamais, mas um sofrimento aliviado.

Bjs

Anjo

Cláudia disse...

Anjo, meu querido leitor, a saudade pra sempre vai me acompanhar. Poderei aprender a enfrentá-la, mas a ausência daqueles que se foram, a distância dos personagens desta história, isso parece insuperável. Porém, eis aqui um pedacinho de uma longa história. Espero que todos gostem. Beijos, você também é muito lindo.

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