É proibida a reprodução não autorizada dos textos deste blog, de acordo com a Lei nº9.610, de 19 de fevereiro de 1998, que regula os direitos autorais.

Apresentação

Este blog nasceu no blog Janela das Loucas, onde assinava "Diva Latívia". Ali permaneci durante muito tempo, como autora principal das crônicas do blog. Redescobri que escrever é vital pra mim, guiada e editada por Abílio Manoel, cantor, compositor, cineasta e meu querido amigo. O Janela das Loucas não existe mais, Abílio foi embora pro Céu. Escrevo porque tenho esse dom divino, mas devo ao Abílio este blog, devo ao Abílio a saudade que me acompanha diariamente. Fiz e faço deste blog uma homenagem a aquele que se tornou meu irmão, de alma e coração. Aqui o tema é variado: cotidiano, relacionamentos e comportamento, em prosa e versos.







28 de jul de 2010

BRILHO ESTRANHO ( Guilherme Arantes)


De um poeta e compositor - Guilherme Arantes - a música e letra que, até parece, foram feitas sob medida para este momento. Abílio Manoel, portuguesinho amado que nos deixou tanta saudade! Aqui, Abilinho, mais um carinho de sua Diva Latívia. Um mês. Acredite, moço, o tempo parou de passar depressa, estacionou em nossa última conversa, em nossa última risada, em nosso último abraço. Saiba você, aí no Céu, que eu te amo e nossa amizade é eterna.

Brilho estranho
(Guilherme Arantes)

Contigo encontrei forças pra mudar
No teu espelho vi meu rosto mais feliz
Lembro das noites da paulicéia
dos ensaios de um verão
E eu nunca mais seria o mesmo, desde então
que um brilho estranho me tocou...
E quem te conheceu não esquecerá
Tua coragem e loucura de se dar
na poesia,
tua alegria e solidão
teu generoso coração
te deste à luz de ser o eterno sonhador
Tua presença não morreu com teu corpo.
Longe demais
foi teu caminho
e breve demais
teu tempo aqui
Longe daqui
onde tu estás
Onde vai a canção
Vou ficar pensando em ti
é impossível não ter saudade...



PROCURA-SE UMA COTOVIA, TRATAR AQUI!


O despertador tocou. Tocou? Não sei dizer. Quando olhei pro rádio-relógio notei que os números iluminados piscavam e piscavam. O sono era tamanho que caí em tentação, virei pro outro lado e dormi mais um pouquinho. Acordei muito depois. Ainda deitada na cama tentei lembrar meu nome. Depois, lembrei que não era sábado, não era domingo e nem era feriado. Comecei a falar sozinha:
- "Hoje é quarta-feira. De qual mês? Ah, sim, julho. 2010, certo? Certo. Meu nome é Diva e estou no século 21. Maravi...lha... Ohhhhhhhh! A reunião!!! Que horas são?!".
Meu cérebro ainda estava meio-adormecido. Entendi que faltou energia elétrica, por isso não fui despertada pela geringonça eletrônica. Saí da cama o mais depressa que pude. Topei o dedinho quando fiz a curva a caminho da porta do quarto. Falei uns nomes impublicáveis e segui mancando até o banheiro. Achei meus óculos de grau, isso após rodar a casa toda procurando.
Quis chorar quando descobri que eram 09h38. Tomei banho às pressas, vesti a primeira roupa que encontrei e não tomei café da manhã. Lembrei que precisava recolher o lixo da cozinha. Quando passei correndo pela portaria do meu prédio, Simplício, o porteiro, esticou-se meio pra fora da guarita e com um arzinho sacana disse: - “Oi, dona Diva. A senhora tá indo trabalhar de chinelo?”. Olhei para os meus pés: eu de tailleur e pantufinha cor-de-rosa.
Agora, no escritório, recomposta e com meu scarpin salto 10, escrevo este texto. Hoje, quarta-feira, julho de 2010. Meu nome é Diva Latívia e estaria tudo bem, não fosse eu, na pressa, ter trazido o lixinho da cozinha pro trabalho. Inveja de Julieta que despertava ao som da cotovia. Cotovia não precisa de bateria, nem de energia elétrica. Eis meu mais novo sonho de consumo!

25 de jul de 2010

NÃO ESTÁS DEPRIMIDO, ESTÁS DISTRAÍDO!

"Não estás deprimido, estás distraído. Distraído em relação à vida que te preenche, distraído em relação à vida que te rodeia".
Este um vídeo que encontrei no Youtube e quero compartilhar com vocês.


24 de jul de 2010

Aos meus leitores:

Há um ano enviei o primeiro texto para o blog Janela das Loucas. Assim nasceu Diva Latívia. Hoje, vocês já sabem: é o primeiro aniversário do Janela e não haverá festa, afinal o Abilio Manoel - Abilinho, meu irmão de alma e criador do blog - faleceu. Segue aqui para vocês o meu primeiro texto. Depois deste eu escrevi mais de 200, publicados no Janela das Loucas.
Diva Latívia




GRAÇAS A DEUS, EU SOU DAS LOUCAS!




Com a missão de debruçar meus cotovelos nesta janela de maravilhosos insanos, trouxe a história do final do meu namoro com José Raylton, moço de bem, acima do peso, desempregado, morando de favor na casa do sobrinho, recém-chegado dos USA onde era imigrante ilegal.
Tudo começou em janeiro de 2009. Cadastrada em um site famoso de relacionamentos, encontrei José Raylton sorrindo em uma foto, usando gorrinho de lã, cachecol e jaqueta. Lindinha a foto. Procurava "a última". Ainda, dizia assim: " acredito que no amor somos feitos um para o outro, um pra um". E exigia algo um tanto esquisito pra mim: "não fume".
Nesse momento, lembro bem, quase engasguei com a fumaça do cigarro. Ri sozinha lendo aquilo e decidi enviar uma mensagem para raylton46: - "Olá, muito prazer, acredito que aquela que você procura fuma!". A resposta veio um dia depois, muito bem humorada, mas frisando que não suportava cigarro.
Começamos a conversar via MSN. Diariamente. Marcamos um encontro em um shopping center da zona sul de São Paulo. Chegou atrasado, ficou sem graça quando me viu pessoalmente e aquela timidez despertou em mim a cegueira da paixão. Algo digno de fotonovela em preto e branco da revista Grande Hotel ( se você não sabe que revista era, não perdeu nada!). Assim, começamos a namorar, com direito a passarmos juntos todos os finais de semana, trocarmos juras de amor diárias por mensagens de texto do celular, e-mails, sinais de fumaça, enfim, todos os meios de comunicação possíveis. Fui apresentada à família dele, as mulheres todas morenas com os cabelos tingidos de loiro. Ele foi apresentado à minha família, que espremeu-se e contorceu-se pra não ser irônica e rir da situação.
José Raylton, cansado de andar a pé, comprou o Fiat ano 92 de minha mãe. Cano de escapamento furado, banco quebrado, mas tudo bem, lá ia eu passear de carro velho, porque como diz a música: "amar a pé é lenha!"
Viajamos diversas vezes juntos, José Raylton, pobrezinho, sem dinheiro, eu pagava a hospedagem, a gasolina, o almoço, o jantar, a roupinha linda que ele via na vitrine da loja. Até ceroula comprei pra ver José Raylton de roupa de baixo agarradinha. De nada adiantava amigos, parentes, loucos da janela me dizerem: "menina, cuidado, José Raylton está abusando de sua bondade". O amor é cego, surdo, mudo e não tem neurônios. O namoro durou quase seis meses.
Viajamos mais uma vez às custas do meu patrocínio e José Raylton, parece, comeu algo que não fez bem a ele. Espero que não tenha sido eu. O cheiro era de peixe podre, ninguém podia entrar no banheiro. Quando voltamos, ele abatido, barbudo e olhar perdido me disse que cansou, acabou, não queria mais namorar. Que há muito queria me dizer adeus, mas agora tinha conseguido encontrar as palavras certas pra se despedir. Enlouqueci, gritei, pulei, xinguei, corri atrás. Mas nada trouxe de volta o namorado ingrato. Imagino, com a diarreia eliminou mais que fezes e gases, devo ter sido literalmente... como dizer??? defecada???
Agora, toda vez que lembro desse homem penso no cheiro da situação.Hoje, revoltada com as contas que vão chegando, fui até à casa do rapaz acompanhada de um amigo. Lá, peguei uma sacolinha com uns cds e nada mais. E quem vejo na porta da garagem do prédio, amarelinho, barbudinho? Ele, José Raylton. Mostrei o dedo do meio e vim embora pra casa. Cheguei aqui, liguei o computador e vi as fotos do tempo de namoro, fui deletando uma a uma... Resta saber o que fazer com as lembranças. Nosso cérebro deveria ter 3 teclinhas: alt+ctrl+del

PARABÉNS, JANELA DAS LOUCAS!


Janela das Loucas, blog que nasceu em meus braços e que cresceu no toque de meus dedos no teclado do computador.
Hoje, dia 24 de julho, seu primeiro aniversário. Você, Janela, já fez muita gente se emocionar, refletir, já nos trouxe leitores do mundo inteiro e estreitou laços de amizade indestrutíveis.
Neste dia, em que completamos 365 dias de muito trabalho e dedicação, eu digo parabéns ao criador do blog. Abilinho, você foi embora pro Céu, mas cara, o que a princípio parecia ser brincadeira virou coisa séria. Ficou muito lindo e muito bom o Janela!
Com o beijo, o amor e a admiração da sua Diva Latívia.

22 de jul de 2010

JANELA DAS LOUCAS - 1º ANIVERSÁRIO


Dia 24 de julho é o dia do primeiro aniversário do blog Janela das Loucas. Há um ano meu amigo querido, Abílio Manoel, criou o blog com a seguinte proposta: falarmos dos relacionamentos na NET, uma alusão aos 10 anos de existência do MSN. Quando recebi o convite pra enviar algum texto, senti nas palavras do Abílio um tom de desafio. Ele sabia que eu tinha parado de escrever há muitos anos.
Mandei o primeiro texto, algo divertido na opinião dele. Veio, então, o convite pro segundo texto e a sugestão pra que eu assinasse “Diva Latívia”. Algumas pessoas colaboraram, entre eles o Quicky, o João, a Cibele, a Gisele. Porém, adivinhem quem mandou algo em torno de 200 textos? Claro, Diva Latívia. Abílio tornou-se meu editor.
Muitas risadas, algumas briguinhas e um sucesso inesperado, assim foi a nossa trajetória. Tive a honra de ser também administradora do blog, um voto de confiança daquele amigo que, acima de tudo, era meu incentivador e leitor assíduo.
Um dia veio a idéia de transformar aquele monte de histórias em um livro. Primeiras dificuldades, estávamos sem patrocinador. Começaram os contatos, Abílio chegou a enviar um arquivo com o livro, que foi publicado no blog. Marcamos, em uma conversa, a festa de aniversário do Janela das Loucas. Um ano de vida! Dia 24 de julho de 2010 seria um dia muito feliz, a reunião de todos os colaboradores.
Quis o destino que o Abílio não estivesse presente nesta data. Faleceu no dia 29 de junho passado. O Janela está parado, não há como enviar textos porque havia a necessidade de aprovação do Abílio, com senha que ele possuía. Em abril eu criei este blog e deixei a administração do Janela das Loucas, portanto não tenho mais a senha de acesso.
Não haverá festa, estamos todos de luto. Fiquei e estou muito triste com esse adeus estabanado, sem aviso prévio. Éramos muito amigos, tínhamos um pelo outro carinho e admiração.
Em respeito à memória do Abílio, o mínimo que podemos hoje fazer é reativar o Janela das Loucas, seguir o mesmo estilo de publicação, com as maluquices e devaneios de Diva Latívia e a colaboração de todos. Uma homenagem a alguém maravilhoso, inteligente, um artista que sofreu com o esquecimento da mídia e a injustiça humana. Se depender de Diva Latívia, Abílio Manoel será sempre lembrado a cada assinatura de um texto meu. O que aqui publiquei é um apelo a você, que pode nos ajudar. Vamos reativar o Janela das Loucas: sem ele, mas por ele!
Com todo o meu amor e saudade,
Diva Latívia

Como vocês sabem, estou sem meu editor e webmaster. Não entendo nada disso, tenho cometido erros e trapalhadas ultimamente. Sim, quem me ajudava aqui era ele, o Abílio. Deixo pra vocês o link do blog Janela das Loucas. Não é vírus, podem acessar.
www.janeladasloucas.blogspot.com

21 de jul de 2010

DIVAGANDO


Da janela do meu quarto assisto ao pôr do sol.
Ao fundo vejo a pista do aeroporto de Congonhas.
A tarde se desfaz e está morna, há poucas nuvens no céu.
Afasto a cortina mais um pouquinho,
Admiro o tom rosado no horizonte.
A noite que se aproxima promete ser enluarada.
Estrelas se esconderão por detrás das luzes da cidade.
Desperto de minhas divagações com a chegada da noite,
Mais um dia se passou.

19 de jul de 2010

DOIS!


Começa a semana, segunda-feira.Segunda? Isso me faz lembrar o número dois. Par. Um e um, adição.Lembra também o bolero, são dois passinhos pra lá, dois pra cá. O que somos sozinhos?
Para realizarmos a parte que nos cabe neste mundo é preciso existir mais alguém, a começar pelas duas criaturinhas que nos produziram: nossos pais. Para caminharmos temos as duas pernas e dois braços carinhosos nos seguraram, provavelmente foi a nossa mãe, ela o nosso primeiro par. Quando crescemos veio o primeiro amor e o coração bateu mais forte e em dueto: tum, tum!
Hoje, um dia especial pra mim. Dois meses, dois! Há dois meses ganhei dose extra de docilidade, fiz uma escolha muito acertada e elegi um homem, entre todos os demais que povoam este planeta, para ser o meu eterno namorado, meu parceiro, meu companheiro nesta estrada da vida.
Ao meu par e aos meus leitores, segue aqui o meu sorriso e o meu carinho, expressos em letrinhas. Dois meses da mais autêntica felicidade!

16 de jul de 2010

UM AMOR EFICIENTE


Há três anos tudo mudou na vida dele. Em uma tarde quente de verão ele recebeu a notícia do médico: não mais poderia andar. Um acidente de carro o deixou paraplégico. No começo quis morrer, sumir, desistir. Ficou revoltado. Jovem, com 42 anos idade, advogado de segunda à sexta e ciclista nos finais de semana. Pareceu, pra ele, o fim do mundo.
Aos poucos começou a se adaptar à sua nova condição. Tornou-se mais independente. A NET foi grande companheira de longos meses de recuperação. A namorada e alguns amigos, aos poucos, foram desaparecendo ao seu redor. Resolveu morar sozinho. Um apartamento simples, pequeno, mas adaptado pra sua deficiência.
Engajou-se em uma entidade que defendia direitos dos deficientes, contribuindo com seus conhecimentos jurídicos. A sede de viver e ser feliz parecia ter se multiplicado. Já tinha novos amigos, mas fazia muita falta uma companheira. Às vezes pensava: do jeito que estou, quem vai me querer?
Incentivado por um amigo, cadastrou-se no "Brejo Perfeito". Escreveu um perfil bonito e sincero. Algumas mensagens chegaram, nenhuma interessante, a maioria de garotas de programa. Até que, um dia, leu em sua caixa postal o seguinte recadinho: “Gostei do seu perfil, acho que todos somos deficientes, a minha deficiência é a solidão. Quero te conhecer”. Foram pro MSN.
A conversa foi tão gostosa e alegre que decidiram se conhecer pessoalmente. Marcaram um encontro na pracinha, perto da casa dele. E lá se foi o moço em sua cadeirinha de rodas, cheio de ansiedade, mãos suando, coraçãozinho batendo acelerado. Aconteceu o amor à primeira vista. O olhar de ambos parecia brilhar mais do que mil sóis. Desde esse dia ele encontrou a mais doce e leal companheira com quem um homem pode sonhar.
O destino, de vez em quando, tira de alguém algo importante: a visão, a audição, a possibilidade de falar ou mover-se. Surgem, então, novas oportunidades. Aproximam-se os verdadeiros amigos, aqueles com quem existe afinidade de alma. Solidariedade e superação! Sem preconceitos, sem fraquejar. Isso é o que torna a vida bela!

Este texto, de minha autoria, foi publicado no blog Janela das Loucas em fevereiro de 2010. Alguns dos meus leitores me conhecem pessoalmente e sabem, sou irmã de um rapaz deficiente físico. Lutar pelos direitos dos deficientes, essa uma causa que abraço e considero justa! Deixo aqui o vídeo com o texto de Mário Quintana: "Deficiências".


15 de jul de 2010

ABÍLIO TÃO QUERIDO!

Os dias passam e a saudade, tão teimosa quanto o Abílio sempre foi, insiste em queimar meu peito. Tem jeito?
Encontrei este video no youtube. Desconheço a autoria, aliás gostaria tanto de conversar com quem teve o carinho de publicar as fotos, escolheu tão bem as melodias!
Compartilho com vocês que eram amigos do Abílio Manoel e também com vocês que não o conheceram, mas via Diva Latívia sentiram seu perfume em meus textos.

VOO LIVRE


Sentei no gramado e observei o esforço imenso da borboleta. Até outro dia era uma lagarta, assisti a toda sua trajetória. O casulo ficou preso em um cantinho da parede, dias e dias. Agora, com as asinhas amassadas, um tanto úmidas, tentava sair pro mundo.
Uma hora? Duas? Não sei dizer. Um parto, assim pensei. Por fim, lá estava ela, com as asinhas secando ao sol. Fui o primeiro ser humano que avistou.
De cores amarela e preta, parecida com metade das borboletas que já vi, havia algo diferente naquele bichinho delicado: era minha, totalmente minha! Senti que eu era a madrinha daquele inseto frágil.
Começou, então, a fazer algo parecido com um alongamento, abria e fechava as asas. Voou em direção ao canteiro de bromelias. Em seguida ousou um novo voo, descansou na grade do portão. Antes de se despedir de mim, sobrevoou a roseira e partiu, para viver sua vida, livre, borboleteando por aí.

12 de jul de 2010

LEVANDO O BOLO


Tudo parecia perfeito. Olhei mais uma vez pela janela. Sim, a noite estava linda, o céu estrelado, o lua lá, tão bonitinha! Apenas faltava um detalhe: ele, sempre atrasado. Mais uma vez fui ao espelho conferir minha aparência. Dois quilos a mais, será que a calça estava muito apertada? Resolvi deixar pra lá, não daria tempo pra escolher outra roupa. Sentei na sala, tentando fazer ar casual. Xô ansiedade, saia deste corpo que não te pertence!
Olhei pro relógio: 20h52. Meia hora atrasado. Liguei o televisor, passava a novela, aquela que eu não conseguia assistir na íntegra por falta de tempo. Fiz o possível pra me concentrar na trama. O mocinho suspirava de saudade da mocinha. A mocinha, toda faceira, usava um vestido comprido até os pés.
21h27, uma hora atrasado. O que poderia ter acontecido? Voltei ao espelho, meu batom precisou de retoque. Pudera, fazia duas horas que eu tinha me maquiado.
Clic, apertei o botão do controle remoto e desliguei o dramalhão televisivo. Levei a mão à boca, ia roer uma unha pintada de vermelho, pude me conter a tempo.
Tive diarréia mental: será que ele sofreu um acidente de carro? Será que foi assaltado? Será que sofreu um mal súbito? Estava boiando em “serás” quando meu celular tocou.
– Alô, Diva? Sou eu, o Arnaldo Henrique.
Pelo tom de voz percebi que meu encontro já era.
- Oi, tudo bem?
- Tô ligando pra me desculpar, estou em uma reunião de trabalho chata, dessas que demoram pra terminar. Podemos deixar o jantar pra outro dia?
Reunião àquela hora? Tive vontade de mandá-lo dar uma volta na Serra do Tereré. Fui polida:
- Claro que sim, imagine, aliás eu tinha esquecido desse encontro! Estou aqui na casa de uns amigos, estamos tomando uma caipirinha.
- Caraca! Esqueceu do nosso encontro?
- Sabe o que é, Arnaldo Henrique? Não anotei na minha agenda. Toda vez que não anoto eu esqueço. Se quiser marcar novamente, prometo anotar.
Ele desligou meio danado da vida e eu me senti vingada.
Mais uma vez fui ao espelho. Tirei os brincos de argola dourada, limpei a maquiagem do rosto, fiquei descalça. Fui de novo até à sala, encontrei o controle remoto do televisor debaixo de uma almofada. Clic, lá estava a novela. O mocinho abraçado à mocinha, os dois trocando juras de amor eterno. Vida boa mesmo era aquela da telinha. Aqui do lado de fora, aqui na minha sala, as coisas aconteciam de um jeito diferente.
Troquei o canal. A propaganda da máquina de fazer pães pareceu tão atraente. Liguei pro televendas e, na compra, ganhei de brinde uma cafeteira elétrica. Paguei tudo em doze prestações iguais no cartão, sem entrada. Durante alguns momentos eu me senti recompensada. Não tinha comigo Arnaldo Henrique, mas tinha uma máquina de fazer pães e uma cafeteira elétrica que preparava até 12 cafezinhos.
Quando os produtos foram entregues na minha casa, já era quarta-feira da semana seguinte. Eu ia passando pela portaria do prédio quando Suplício, o porteiro, me chamou.
- Dona Diva, tem encomenda pra senhora.
Entrei no meu apartamento, encostei a caixa enorme em um cantinho da cozinha. Até hoje não abri a embalagem. Pra quê preciso de uma máquina de fazer pães, se tem uma padaria a 50 metros da minha casa? Além do mais, com o bolo que ganhei, pra quê pãezinhos, não é mesmo?

10 de jul de 2010

BANDIDA!



Ele tem jeito de bom moço. Usa óculos de grau, anda de chinelo quando está dentro de casa, dorme de pijama. Enfim, comportado e tímido. Porém, aos poucos comecei a conhecer seu jeito, suas manias. Em seu braço esquerdo há uma tatuagem: uma pantera negra. Curte som altíssimo: heavy metal. Já tinha concluído que, por detrás do ar pacato, havia ebulição. Foi então que ele resolveu me apresentar a “Bandida”. Um carro antigo, de coleção, uma Puma de cor preta, peças originais, imponente. Fui conduzida até à garagem. Lá estava ela estacionada, reluzente e cheia de si. Abriu a porta, notei o chaveiro de caveira. Sentei-me sem conseguir emitir uma só palavra, tamanha foi minha admiração. Ligou o motor: VRRRRRRRRRRRRUUUUUUUUUUUUUMMMMMMMMMMM!!!
Nada entendo de carros, muito menos de antiguidades raras, mas pareceu um terremoto. Aumentou o som, senti que eu estava em uma discoteca dos anos 70. E ele lá, jeitinho sério, calado, observando meu espanto, satisfeito com o resultado que obteve. Um príncipe encantado moderno, uma carruagem real digna de Diva Latívia.



Música de Raul Seixas para você, Bandida!

7 de jul de 2010

DIVA E O RABO DE GATA


Acordei tão atrasada que mal tive tempo pra fazer escovinha no cabelo e minha maquiagem básica. Não deu tempo pra experimentar metade do meu guarda-roupa e escolher o que vestir. Sacrilégio!
Passava das oito da manhã. Olhei de novo pro relógio, os minutos passando e eu atrasadíssima pra reunião de trabalho.
Vesti a calça preta, aquela com botões na lateral. Blusinha rosa, scarpin preto de salto alto. Repetia em alto e bom som: - Corre, Diva, corre!
Esqueci os brincos, mas tudo bem, lembrei dos anéis e pulseiras.
O trânsito estava um caos. A esquina da Avenida Paulista com a Brigadeiro Luís Antônio parada. - Abre farol, abre!
Quando entrei no escritório metade da diretoria me aguardava impaciente. Sorri simpática, tentando disfarçar minha aflição. Resolveram terminar o assunto durante o almoço. Retoquei a maquiagem, peguei a bolsa e lá fui eu rumo ao elevador. À minha frente o meu chefe, ao meu lado um cliente e atrás de mim uma secretária.
Já tínhamos chegado à rua quando senti algo estranho, ao mesmo tempo agradável, encostado em minha perna. Olhei pra baixo, nada vi. Continuei caminhando sobre meu salto alto. Quando chegamos ao restaurante – lotado – notei o olhar do cliente para meus pés. Novamente olhei pra baixo, estava tudo normal. Já estávamos acomodados à mesa, levantei pra escolher salada no buffet. Novamente aquela sensação, algo parecido com um gato roçando em meu tornozelo.
Escolhi escarola, tomates, rúcula e palmito, caprichei no azeite. Quando voltei à mesa, o cliente me disse: - “Diva, desculpe, mas preciso avisá-la. Acho que você está com um problema em sua calça”. Olhei pra baixo da mesa, em direção aos meus pés. Vi algo esticado, feito um rabo que saía da perna da calça e seguia uns cinqüenta centímetros em linha torta. Pude reconhecer imediatamente: meia-calça! Era uma meia-calça de cor preta que eu tinha usado junto com a calça, quando tirei deixei uma coisa dentro da outra. Na pressa de me arrumar, vesti sem reparar que lá estava a danada.
Se eu me levantasse pra ir ao toilette, desfilaria pelo restaurante com aquele rabo preto atrás de mim. A solução que encontrei foi simples: decidi puxar a meia ali mesmo, na mesa. Puxei, ela veio uns vinte centímetros e parou, entalou. Puxei, puxei, nada da meia-calça se soltar. Decidi então fazer o oposto, empurrei a meia, embolei tudo pra dentro da perna da calça. Um amontoado ridículo. Pedi licença, sem saber se ria ou se chorava. Por fim, fui rumo ao banheiro às gargalhadas, acho que eu parecia uma louca. Voltei tentando me recompor, mas o resto do almoço foi de risos e piadas. Não perdem oportunidade de comentar a história do "rabo de gata".
Pressa, inimiga da perfeição. Agora, toda vez que me visto eu sacudo as calças, vai que de novo saio por aí arrastando uma cauda?

6 de jul de 2010

JANELA DAS LOUCAS


Continuo sem acesso ao blog Janela das Loucas. Abílio Manoel, dono daquele blog, faleceu dia 29/06, como vocês sabem. Ele tinha a senha de acesso, era o administrador, mas até outro dia ainda não tinha sido encontrada a senha entre seus pertences. Talvez, ele tenha guardado na memória, era inteligentíssimo. Manu, sua filha, deve estar passando um momento terrível. Sei disso, perdi a Mami há alguns meses e até hoje eu encontro ( e também não encontro) papeis, lembranças. Nada fácil!
Enquanto isso eu visito o Janela das Loucas. Acreditam que enviei um comentário? Implorei a quem puder ler que me socorra. Diva Latívia, mais órfã do que nunca, está de joelhos rogando a senha do Janela das Loucas. Pra que o Janela não se vá, juntamente com o Abílio.
Aquele blog tem uma história muito divertida. Uma noite o Abílio entrou no meu MSN e contou que tinha criado um blog. Eu, que pouco entendo de internet (aventuras no brejo não contam!) fiquei curiosa. Olhei o blog, achei bem elaborado. Há semanas eu tinha terminado um namoro, ele pediu que eu contasse a história. Tentei ser bem humorada, escrevi e, quando ele leu, ambos começamos a rir da minha “desgraça”. Uma palhaçada, o primeiro texto que escrevi. A idéia era sermos anônimos, portanto eu não poderia assinar “Cláudia”. Escolha um nome, ele me pediu. Escolhi Diva. Ele cismou que precisava de um sobrenome. O primeiro foi Latifa. Não gostei. Então ele, com aquele jeito teimoso de sempre, decidiu: será Latívia. Diva Latívia.
Aos poucos vieram novos textos. Ao todo passam de duzentos, só no Janela das Loucas. Um dia, ele resolveu publicar tudo isso. O livro! Disse que iria conversar com a ex-mulher, que ela poderia ajudar-nos. Mas, o Abílio tinha muito que fazer. O trabalho, os gatinhos que criava, o amor que sempre buscava. Isso foi ficando pra depois. Volta e meia ele me avisava: estou tentando encontrar quem publique.
Nós dois nos encontramos no começo de maio. Sentamos lado a lado. Ele me disse algo que eu quero dividir com vocês: - “pra fazer sucesso o livro, um de nós precisa morrer primeiro. Hoje, só dão valor a quem morreu”. Mencionou artistas falecidos como exemplo.
Dói imaginar que um livro poderá ter alguma projeção devido à morte desse alguém que pra mim é mais que amigo, é meu irmão. Dói!
Querido leitor, querida leitora, não é possível explicar o amor fraternal. Muito mais que o amor romântico, o amor entre amigos é certo, exato, cabe inteirinho na alma da gente.
E tudo o que eu mais quero é continuar o Janela das Loucas. Com o mesmo tom palhaço, com a mesma proposta da criação do blog: os relacionamentos da net. Aos que não conhecem o Janela, sugiro uma visita: www.janeladasloucas.blogspot.com. Aos que estão acostumados com meus textos, desculpem! Além de meu melhor amigo, ele era meu editor e webmaster. Sei escrever textos, ele sabia organizar esta bagunça.
Estou ainda sob o impacto da morte do Abílio. Claro que voltarei ao “normal”, mas meu coração foi atravessado por uma espada.
Torçam pra que eu consiga levar adiante este blog e o Janela. Ele se dedicava muito a tudo isso aqui. Nós dois, juntos, com os dois blogs, chegamos até aqui.

AO CÉU


Uma semana,
Parece um século!
Aqui escrevo sem você.
Meu coração pulsa,
O seu está inerte.
Sinto sua presença,
Olho o seu retrato,
Releio nossas prosas.
Um sorriso brota sem razão.
Eu choro a sua falta.
Na eternidade nos reencontraremos.
Um dia, no mais belo dia.
Nesta janela, que daqui parece azul.
Aí estaremos, loucos e divertidos,
Juntos cantaremos as canções.
Siga em paz, meu amigo.
Siga em paz, meu irmão.

5 de jul de 2010

PIZZA PRA UM?


Era sábado à noite, 26 de setembro de 2009, 22h00. Num canto a TV ligada na Globo, sem som. Com fome e o estômago roncando, Zé Maria resolveu pedir uma pizza. Abriu a gaveta e escolheu um folder daqueles de propaganda de disk-pizza. Já tinha escolhido: meia calabresa, meia portuguesa... com bordas recheadas e uma Coca litro. Putz... Pizza pra um ?, pensou. Calculou: "um pedaço de pizza tem 500 calorias. Oito pedaços são 4 mil calorias...bordas recheadas?... quantas calorias teria uma borda recheada... e a Coca? Será que devo pedir isso tudo?".
Começava na tv o Zorra Total , aliás nome que poderia definir o caos do apartamento de Zé Maria. Foi nesse momento que entrou online no MSN Gioconda, com quem tinha marcado o primeiro encontro pro dia seguinte. Moça bonita na foto. Do outro lado da janela, Gioconda não encontraria outro gato disponível durante aquele final de semana. A essas alturas ela já tinha comido 2 suflair, chupado 3 picolés e devorado uma lata inteira de leite condensado. Assim era toda vez que ficava nervosa e ansiosa no primeiro encontro! Contou-lhe então que estava no banho e o chuveiro explodiu sobre sua cabeça, um estouro que a fez imaginar que uma bomba tivesse caído em sua casa. Pediu-lhe ajuda pra consertar. Solícito, Zé Maria que era um desses homens prendados, resolveu ensiná-la a trocar a resistência do chuveiro.
- " Primeiro, desligue o disjuntor". Ela ficou toda confusa, não sabia o que era um disjuntor. Explicou que ficava na caixa de luz e era preciso descobrir a chave certa pra desligar. Desligou a da cozinha. Depois a da sala. Caiu a internet. Em dois minutos voltou, tinha encontrado o disjuntor do chuveiro.
Ótimo, ele pensou! – "Desenrosque a tampa superior do chuveiro e pegue um alicate e uma fita isolante". Ela ligou a webcam e mostrou uma chave de fenda e um rolo de fita crepe. Assim não dá, pensou Zé Maria, assim ela não conseguiria trocar resistência nenhuma. Zé explicou que fita isolante é preta e que a chave de fenda não ia servir pra nada. Ela nem sabia o que era um alicate, além daquele de cortar unhas.
Melhor eu ir consertar esse chuveiro, pensou. Pediu o endereço de Gioconda, já que no dia seguinte ele iria pegá-la em casa e daria um jeito naquilo. Ela entusiasmada com o gajo, deu—lhe o endereço. Ele anotou no folheto da pizzaria. Já tinha começado o Telecine. 23h00. Um filme que só aumentou ainda mais a fome do rapaz: "Tomates Verdes Fritos". Pediu um momento, ligou pra pizzaria. Foi assim que totalmente distraído envolvido com o caso do chuveiro, passou pro atendente o endereço dela, que morava a 2 km de sua casa. Continuaram a prosa no MSN. Pediu calma, disse que assim que terminasse de comer a pizza iria até lá pra trocar aquilo - a tal "bomba assassina" como ela definiu... ou se ela aguentasse tomar um banho frio, ele no dia seguinte trocaria pra ela sem problema.
O papo já estava ficando longo demais... e nada de chegar a tal da pizza! Nisso, Gioconda interrompeu a conversa e... "Nossa! Pizza?"... Voltou ao MSN e toda feliz:
- " que engraçado, ganhei uma pizza anônima!". Foi então que compreenderam a confusão dos endereços trocados. Zé Maria foi pra casa de Gioconda antes do combinado. Trocaram resistências, beijos e dividiram calorias (quatro pedaços pra cada um)... além de queimá-las por uma boa causa. Depois, juntos, abraçados no sofá da sala e devidamente comidos, 01h00, assistiram na tv ao Altas Horas saboreando já frias as bordas recheadas... e ainda teve sobremesa, claro! Sem resistência de nenhum lado... nem portuguesa nem calabresa.

Este texto escrevi em dueto com o Abílio, em setembro de 2009. Foi publicado no blog Janela das Loucas. Uma noite estávamos no MSN, era sábado. Ambos sozinhos, papeando e tentando esquecer ( e ajudar o outro a também esquecer) a danada da solidão. Surgiu o texto, entre muita risada de ambas as partes. Assim era a nossa parceria. Fica aqui mais uma homenagem muito simples que faço a este alguém que tornou minha vida mais leve, mais bela e me deixou com tanta saudade!

4 de jul de 2010

FICO ASSIM SEM VOCÊ!

Os dias passam e o coração continua sem respostas. Tenho fé em Deus, acredito em outras vidas. Sei que ainda encontrarei o Abilinho muitas vezes - foi assim que ele se despediu de mim outro dia, disse que nos encontraríamos muitas vezes - porém, como compreender a morte?
Em breve meu blog voltará a fazê-los rir, mas neste momento eu preciso chorar. Alguns de vocês eram também amigos do Abílio. Mudei de casa durante a semana, em meio à mudança - que ele comemorou e disse palavras de estímulo, afinal coisas novas acontecem em minha vida - veio a notícia da morte dele. Chorei em meio a caixas, sacolas, objetos muitos. Tamanho é o meu desespero que somente ontem retomei os meus afazeres normais.
Quando ouvi Fico Assim Sem Você, da Adriana Calcanhoto, cantarolei " Diva sem Abílio", em meio à letra. Por que? Por que?
Aos amigos, o meu beijo. Aos que rezam, peço uma prece. Aos que curtem o Janela, aguardem porque certamente ao lado da Manu, filha do Abílio, vamos reativar aquelas loucuras incríveis. E aos meus leitores, fica aqui o abraço sentido da Cláudia, a sua Diva Latívia.

1 de jul de 2010

OLÁ, MEU LEITOR!


Aqui estou no meu blog, um presente que ganhei do Abílio Manoel.
Há dois anos nos conhecemos e, apesar de eu ser de outra geração, o reconheci imediatamente. Cantei "Bom Dia, Amigo" no colégio de freiras onde estudei durante a infância. Daquele momento em diante, nossa amizade criou raízes tão profundas que passamos a ser irmãos. Tudo sabíamos um do outro. Um ping-pong de ideias, esperanças, acontecimentos, expectativas. Não era necessário dizer uma só palavra, compreendíamos um ao outro à distância e em silêncio. Muita afinidade!
Ambos aquarianos com ascendente em câncer. Eu o adorava, ele me admirava. As músicas que ele compôs eu sempre cantei, desde criança. Os textos de Diva Latívia ele elogiava e, foi assim que ganhei espaço no blog Janela das Loucas.
Há alguns meses tivemos uma briguinha. Irmãos podem se desentender. Eu saí do Janela e criei este blog, com um layout horrível, sem qualquer noção de web design. Não conseguimos ficar longe muito tempo. Duas semanas e já estávamos pedindo desculpas um ao outro. Ele me ajudou a deixar o blog Diva Latívia bonitinho.
Acompanhei o começo da doença do Abílio. Uma tarde, estava eu trabalhando e com o MSN ligado. Ele começou a falar sobre um texto que escrevi pro Janela das Loucas. De repente parou de enviar mensagens. Disse que estava com a visão turva. Preocupada telefonei, não atendeu. Instantes depois me disse que estava bem, que foi apenas um mal estar. Era o começo do fim. Abílio era hipertenso.
Ele pediu que eu fizesse uma letra pra uma nova música dele. Não deu tempo. No Janela das Loucas temos muitos textos, havia o projeto do livro. Também não deu tempo.
Aqui estou tentando retomar meus textos. Você, meu leitor, espero que compreenda que meu coração está de luto. Morreu meu parceiro, meu companheiro de madrugadas insones, um amigo que tornou-se confidente, conselheiro, webmaster, um português teimoso e adorável.
É a segunda perda em sete meses. Minha mãe em novembro de 2009 e agora ele.
Espero não ter perdido "a mão" e continuar sendo a mesma Cláudia que assina Diva Latívia - nome este que recebi do meu amigo, Abílio Manoel.
Ah, sim, quando nos encontramos há um mês ele cantou isso pra mim. Bom dia, Amigo. Deixo pra você!
Abilinho, maninho, onde estiver, de novo eu te digo: MANINHO, EU TE AMO!