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Apresentação

Este blog nasceu no blog Janela das Loucas, onde assinava "Diva Latívia". Ali permaneci durante muito tempo, como autora principal das crônicas do blog. Redescobri que escrever é vital pra mim, guiada e editada por Abílio Manoel, cantor, compositor, cineasta e meu querido amigo. O Janela das Loucas não existe mais, Abílio foi embora pro Céu. Escrevo porque tenho esse dom divino, mas devo ao Abílio este blog, devo ao Abílio a saudade que me acompanha diariamente. Fiz e faço deste blog uma homenagem a aquele que se tornou meu irmão, de alma e coração. Aqui o tema é variado: cotidiano, relacionamentos e comportamento, em prosa e versos.







7 de set de 2010

NERUDA, MEU MUNDO E NADA MAIS


Antes de fechar a mala ele ainda disse: - "Diva, serão apenas alguns dias, sentir saudade é bom!".
Quando vi o carro dele fazer a curva e sumir no final da rua, entrei em casa e escutei o tic-tac do relógio. Silêncio! A cidade quase vazia, sem trânsito, o sol quente e a brisa morna. A sensação não era de solidão, mas de ingratidão. O que fazer em um feriado prolongado? Toda a família ausente, todos os amigos viajando. Entrei na livraria em busca de consolo e remanso.
A leitura é grande companheira. Livros não abandonam, não têm programação particular, não se escondem, são fiéis e assumem os leitores. Mergulhei em poesias de Pablo Neruda, escritas no original:

“Y yo, mínimo ser,
ebrio del gran vacío
constelado,
a semejanza, a imagen
del misterio,
me sentí parte pura
del abismo,
rodé con las estrellas,
mi corazón se desató en el viento”.


Meu coração, naquele instante desvalido, tentou conectar-se com o daquele ser viajante e indiferente à minha dor. Lembrei que levou consigo a mantinha vermelha xadrez, sem importar-se com o frio n´alma a mim relegado.
O celular tocou: - “Aqui está o maior barato, já almocei, fui passear, estamos todos juntos, fizemos churrasco. E você, tá bom seu feriado?”. Escutei cada palavra como quem leva uma surra de mãos amarradas. Claro que eu não estava bem, fui deixada pra trás feito peso morto.
Comprei o livro de poesias, caminhei pelos corredores do shopping center. Não senti vontade de almoçar, nem parei na frente da vitrine que exibia a coleção nova de sapatos. Péssimo sinal. E quem há de compreender? Não eu, não eu.

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