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Apresentação

Este blog nasceu no blog Janela das Loucas, onde assinava "Diva Latívia". Ali permaneci durante muito tempo, como autora principal das crônicas do blog. Redescobri que escrever é vital pra mim, guiada e editada por Abílio Manoel, cantor, compositor, cineasta e meu querido amigo. O Janela das Loucas não existe mais, Abílio foi embora pro Céu. Escrevo porque tenho esse dom divino, mas devo ao Abílio este blog, devo ao Abílio a saudade que me acompanha diariamente. Fiz e faço deste blog uma homenagem a aquele que se tornou meu irmão, de alma e coração. Aqui o tema é variado: cotidiano, relacionamentos e comportamento, em prosa e versos.







26 de out de 2010

DROGAS!


Ele era jovem. Tinha prestado vestibular e começado a faculdade de engenharia. Nos finais de semana ia pra balada com os amigos, gostava de motos e tinha uma namorada.
Desde pequeno evitou ser o centro das atenções. Não gostava muito de falar, era um bom ouvinte. Segundo os pais, era um ótimo menino.
Parecia tudo perfeito, a família estava orgulhosa e despreocupada. Era o filho mais velho, depois dele nasceu uma irmã, 3 anos mais nova. Gente de classe média, o pai era arquiteto, a mãe lecionava inglês.
Quando os pais fizeram um esforço e compraram em 24 prestações um carro novo, motor 1.0, foi imensa a surpresa. O presente de aniversário mais desejado e melhor que recebeu em toda a vida. 19 anos e a vida boa, simples e confortável.
Um dia desapareceu de casa o Playstation 3. Primeiro desconfiaram da faxineira. Foi dispensada sem acusações, simplesmente a despediram. Semanas depois, sumiram duas canetas-tinteiro, algo de coleção e que tinha pertencido ao avô materno.
A mãe procurou pela casa toda, em vão. Intrigados, os pais não tinham mais de quem desconfiar. Qual dos filhos teria subtraído aqueles objetos?
Uma noite ele não voltou pra casa. A família desesperada, telefonaram muitas vezes para o celular que não atendia. Procuraram a namorada, que não sabia onde ele estava. Os amigos também nada sabiam. Depois de dois dias ele voltou pra casa e sem o carro.
Já desesperados, os pais imaginaram um assalto, seqüestro. Não deu explicações, trancou-se no quarto.
Confusos e aflitos, os pais não conseguiram falar com ele até muitas horas mais tarde, quando passou pelo corredor em direção ao banheiro, calado, a barba por fazer, descabelado.
Não explicou onde esteve, o que houve, onde estava o carro. Passou alguns dias assim, o comportamento estranho, às vezes agressivo. Os pais foram à delegacia e prestaram queixa do sumiço do veículo. E foi assim que tudo começou a vir à tona.
Pergunta vai, pergunta vem, o delegado cismou que o garoto poderia estar envolvido com algo que chamou de “barra pesada”: drogas.
Incrédulo e um tanto indignado, o casal deixou a delegacia sem dar ouvidos ao que consideraram um insulto. O filho, garoto bem criado, calouro da faculdade de engenharia, não faria isso. Não tinha amigos drogados, não freqüentava lugares de “gente desse tipo”.
Tentaram esquecer o episódio, apesar da perda patrimonial que sofreram.
Uma semana depois, sumiu o notebook do pai. Assim, sem mais nem menos. E foi aí que, finalmente, passaram a considerar possível que o filho estivesse envolvido com drogas. Estaria, talvez, furtando esses objetos para pagar um traficante.
Em sua ausência, entraram em seu quarto. Reviraram gavetas, bolsos, tentaram descobrir esconderijos. E foi dentro do bolso de uma jaqueta que encontraram o que procuravam. Um tubinho, algo minúsculo. Cocaína.
O céu pareceu ter desmoronado. Por que? Essa era a pergunta que os pais se fizeram. Como isso foi acontecer em sua família? Se eram felizes, se nada lhes faltava, então por que?
Quando o filho voltou da faculdade, não sabiam por onde começar a conversa. Limitaram-se a entregar-lhe o que encontraram. Prometeu não mais usar drogas, abraçaram-se e despreocuparam-se.
Ele ainda some ocasionalmente, fica dias e dias sem voltar pra casa. O tratamento médico e psicológico que começou parece dar resultados graduais. Recusou-se a ser internado, mas os pais não perdem a esperança de que poderão convencê-lo. Tudo depende apenas dele, uma escolha que pode levá-lo ao recomeço ou ao fim.
Trancou a matrícula na faculdade, terminou o namoro e alguns amigos de infância não mais o procuraram. Os pais deixaram de dormir tranquilos e a paz mudou de endereço.

Este texto é ficção. Não foi inspirado em fatos reais e não vivenciei nada parecido. Drogas, a escolha é de cada um e o sofrimento é de muitos, especialmente da família. Acho que quando acontece um problema, seja ele qual for, por maior que seja, a postura de quem está enfrentando a dificuldade é que pode começar a produzir mudanças. Se o dependente químico se ajudar, vai sim voltar à vida. Se você tem problemas com drogas, se alguém que você ama tem esse problema, deixo aqui alguns links de lugares onde você poderá encontrar mais informações e ajuda, o Narcóticos Anônimos e o grupo de apôio aos pais, parentes e amigos dos dependentes químicos, Nar-Anon. Espero que meu texto seja útil pra alguém, em algum lugar.

Narcóticos Anônimos: http://www.na.org.br/

Nar-Anon: http://www.naranon.org.br/

2 comentários:

Madonna Turnner disse...

Infelizmente as drogas acabam com tudo, sem exceções! O mundo das drogas às vezes é meio que sem volta, então devemos pensar muito antes de dar aquela primeira 'experimentadinha' porque em certos casos pode ser fatal.

Adorei o texto.

Seguindo seu blog, passa lá no meu e segue também.
Beijos

Cláudia disse...

Sim, Madonna, o caminho é triste e a volta é complicada. É difícil as pessoas saberem, ainda mais quando são muito jovens, que não experimentar drogas é uma decisão acertada, expressão de amor próprio. Ser livre é saber dizer sim para algumas coisas e NÃO para outras determinadas coisas. Nunca experimentei sequer um baseado, o cheiro eu acho insuportável. Pra quê? Sempre pensei assim. Lamento por quem está passando por isso, pela família de quem está nessa parada triste. E fiz o texto, espero que alguém buscando ajuda o leia.
Estou também acompanhando o seu blog. Gostei muito!
Beijo

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