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Apresentação

Este blog nasceu no blog Janela das Loucas, onde assinava "Diva Latívia". Ali permaneci durante muito tempo, como autora principal das crônicas do blog. Redescobri que escrever é vital pra mim, guiada e editada por Abílio Manoel, cantor, compositor, cineasta e meu querido amigo. O Janela das Loucas não existe mais, Abílio foi embora pro Céu. Escrevo porque tenho esse dom divino, mas devo ao Abílio este blog, devo ao Abílio a saudade que me acompanha diariamente. Fiz e faço deste blog uma homenagem a aquele que se tornou meu irmão, de alma e coração. Aqui o tema é variado: cotidiano, relacionamentos e comportamento, em prosa e versos.







15 de dez de 2010

Feliz Natal e feliz 2011!


Este é o meu último texto de 2010, um ano cheio de emoções, acontecimentos alegres e tristes, chegadas e partidas. Neste ano nasceu este blog, que já concorreu a prêmios, que já teve uma crônica selecionada e publicada em um livro que em breve indicarei a todos vocês. E o meu sucesso eu devo a cada um que acessa o blog e ri, comenta, participa.
Como você deve saber, voltei a escrever há pouco mais de um ano, incentivada pelo Abílio, que faleceu neste ano de 2010. Esta uma das notas tristes, porque amigos não morrem jamais, mas a saudade ficou e ficará enquanto eu respirar. Até hoje releio nossas conversas no MSN, guardei o histórico. Resolvi espiar o que conversamos há exatamente um ano. Falávamos do blog Janela das Loucas e estávamos escolhendo a mensagem de ano novo pros nossos leitores. Difícil pra mim, mas estou me recuperando aos poucos.
Em 2010 a grana foi curta. O trabalho foi árduo. A família deu aquele trabalho que somente nós, as mães e irmãs, podemos compreender. Irmãos, cunhadas, sobrinhos e o filho que teima em tornar-se um homem, apesar de eu ainda enxergá-lo como um menino. Fiz novos amigos, conheci novas pessoas, algo mudou completamente nos meus dias e refiz meus planos. Namorando, depois de um prolongado inverno solitário, começo a planejar 2011 muito bem acompanhada dele. Esse o acontecimento mais feliz e gratificante do ano que se despede.
E você leu tudo isso, é meu leitor, seguidor, chegou até aqui sem querer ou por costume. Anônimo ou velho conhecido meu, deparou-se com minhas letrinhas de final de ano.
Desejo a vocês todos alegrias imensas, tão grandes que possam transformar-se em crônicas que assinarei. Episódios divertidos ou sérios, mas com um toque de felicidade e um "happy end" ilustrado com corações e flores que escolherei carinhosamente nas imagens do Google.
Que essa união cibernética se fortaleça e que dentro de um ano estejamos reunidos ao redor desta telinha que nos informa, emociona, encurta distâncias e facilita nosso dia-a-dia. Obrigada por sua companhia em 2010 e sejam muito felizes em 2011. Feliz Natal e Feliz Ano Novo.

Um beijo da autora,

Cláudia

10 de dez de 2010

FIDELIDADE, REFLEXO DE AMOR


Quando as feridas do passado se abrem, difícil se torna o presente. O futuro fica mais distante e tudo isso se resume em falta de esperança. Quem já foi traída – a maioria das mulheres algum dia foi traída – dificilmente volta a recuperar-se 100% dessa amargura. Insegurança!
Homens apreciam a beleza feminina. Olham, discretamente ou não. Quando se reúnem em turma, em rodas de cerveja, o assunto costuma ser nada menos que nós, as mulheres.
Tanta vulgarização do corpo. O comportamento feminino mudou muito ao longo das últimas décadas. O sexo tornou-se banal, instrumento de conquista, algo prazeroso e sem culpa. Uma oferta que, antigamente, era reservada ao casamento. Hoje, transar é bom e não gera qualquer tipo de compromisso com o parceiro ou a parceira. Ter um relacionamento sério, comprometer-se com alguém, deveria ter um selo de total exclusividade sexual e afetiva. Um pra um, um pro outro.
Estava outro dia em uma igreja perto da minha casa. No final de um dia difícil decidi fazer uma oração e lá entrei. Quando saí, na praça em frente à igreja, havia um bando de pombas. Notei um casal, parecia beijar-se. Era tanto paparico, tanto mimo, tanto carinho. E, sabemos, quando um dos dois morre o outro permanece sozinho, apesar de continuar vivendo em bando.
Por que o ser humano não consegue ser assim? Por que os homens, em sua maioria, não conseguem ser exclusivos de suas parceiras? Com o passar do tempo todo o jogo da conquista torna-se velharia, algo jogado em algum canto. Cansaço, trabalho, problemas diários. Então, a gostosa da capa da revista torna-se fantasia e objeto de cobiça. A moça bonita que passou por ele na rua merece seu olhar e elogios. Escapadinhas, fugidinhas. E a namorada, esposa? Com sorte terá recebido um prêmio: boa companheira, quase uma irmã.
Perder o interesse pelo par. Deveria haver um alarme que tocasse alto quando isso começa a acontecer. Talvez aconteça esse sinal. Não sentir prazer, não desejar momentos a sós, não incluir a pessoa em planos futuros, o coração que já não pulsa acelerado. Esse é o alarme e, depois disso, tudo começa a cair em um abismo, ladeira abaixo.
Quem já se separou, se friamente analisar quando foi que isso tudo começou, quando foi que o cristal quebrou, vai lembrar que antes ocorreram sinais de perigo. Reuniões de trabalho além do horário habitual, clientes de última hora, viagens comerciais inventadas, invenções tantas e muitas. Isso de ambas as partes. Já era o tempo em que a mulher dizia que estava com dor de cabeça, hoje a dor de cabeça é masculina também.
O preço disso tudo é solidão. A troca constante de parceiros em busca do impossível. Não está em outrem aquilo o que se almeja, mas dentro de si. A felicidade reside dentro de nós mesmos e, compartilhando com alguém essa felicidade interior, nos tornamos realizados.
Ser fiel não é enfadonho, ser fiel não é tolice. É essencial pra quem busca um relacionamento sério. Escolha acertada de quem sabe quem quer e pra onde está caminhando. Livremente ser fiel.
Medo de compromisso, sinal de imaturidade. Amor é coisa pra gente grande. Moleques merecem brinquedos e não mulheres de verdade. Enxergar na companheira algo além de companhia, ver na esposa ou namorada a gostosa que está ao seu lado e valorizá-la por ser “sua”, isso alimenta o dia-a-dia e salva o relacionamento.
Que os alarmes toquem alto quando algo começar a sair errado. E que, no primeiro alarme, o casal acerte o passo. É o que desejo.

9 de dez de 2010

MEU PRESENTE DE NATAL


Papai Noel é um encanto que se desfez quando eu tinha apenas oito anos de idade. No centro da cidade de São Paulo havia um grande magazine, se você esteve por aqui há muitos anos atrás, talvez tenha conhecido o Mappin. Não era fácil acompanhar os adultos, com seus interesses geralmente desinteressantes pra mim. Filas, pagamentos, longa demora. A recompensa costumava ser um presentinho, um lanche ou sorvete. Depois, voltávamos pra casa, no bairro de Moema. Quase sempre de bonde ou ônibus ou, como diziam os antigos, de condução. Minha avó decidiu fazer as compras natalinas em uma tarde ensolarada. Puxada por sua mão firme, lá estava eu. Meus olhos não se desgrudavam da boneca Suzi vestida de noiva. Sim, eu com oito anos já tinha essa mania de querer me casar. Depois da compra veio a esperada recompensa: fomos conversar com o Papai Noel. Decepção total! Vestido de azul escuro, magro, a barba presa com um elástico bastante visível. Fraude que minha avó insistia e teimava em reforçar: - veja, filhinha, este é o verdadeiro Papai Noel. Ele vai trazer a sua boneca, peça a ele! E eu desconfiada, traída e indignada. Dois mentirosos e, um deles, tinha o meu DNA. Vovó, anos mais tarde, chegou a pedir desculpas pela sacanagem, mas creio que o avanço da idade versus a pressa a fez perder a sensibilidade momentaneamente. Saí da loja com a certeza absoluta que Papai Noel não existia.
Dezembro de 2010. Cansada, apressada, sem muito tempo pra perder no horário do almoço fui ao shopping center resolver um problema de trabalho. Ao passar pelo personagem natalino, um senhor gordinho e fantasiado de bom velhinho, quase paralisei com a viagem que fiz no tempo. Voltei quarenta e um anos e lá estava eu novamente, com oito anos de idade. A retribuição ao meu olhar foi o sorriso encantador daquele senhor. Papai Noel! Hoje eu poderia fazer muitos pedidos, creio que nenhum presente seja comercializado. Saúde, amor, harmonia, paciência. Preciso de tudo isso e muito mais. Em 2010 conheci o Álvaro. Em meus textos ele ganhou o status e a grife latívia: Divo. Esse presente eu pedia há quarenta e nove anos: o meu par! E ele é o meu par. Não contem pra ele, mas um dia ele vai se casar comigo. Eis a compensação pra todo o dissabor que tive no Mappin, quando a Suzi vestida de noiva ficou pra trás, na prateleira. Não cheguei a pedi-la, os adultos sequer desconfiaram que aquele era o meu desejo. De presente ganhei qualquer coisa que não consigo lembrar.
Segunda-feira, dia 06 de dezembro de 2010. Ao passar pela portaria do prédio onde ele mora, fui chamada pelo porteiro. Havia uma caixa e a etiqueta dizia: notebook. Era uma encomenda para o Álvaro. Já que eu estava ali de visita, ou nem tanto porque tenho a chave e entro quando bem entendo, fiz a gentileza de levar o embrulho pro apartamento. Curiosa, li e reli a etiqueta da transportadora. Tremendo notebook, coisa finíssima. Enviei um torpedo pro celular dele: “ está rico? Chegou aqui seu notebook”. Instantes depois ele telefonou pra mim. – “Abra a caixa, o notebook é o seu presente de Natal”.
Para finalizar esta história, eis aqui o primeiro texto que escrevo no meu presente. A única recomendação que recebi foi a seguinte: continue escrevendo coisas lindas.
Meu Anjo querido, este texto, tanto quanto o meu coração, é todo seu.

3 de dez de 2010

O NATAL QUE SE APROXIMA






A decisão estava tomada: devido a "problemas técnicos", neste ano eu não comemoraria as festas de final de ano. Nada de Natal, nada de ano novo. Comprei três garrafas de vinho e planejei algo um tanto radical: bebê-las sozinha, dentro da casa que herdei de minha mãe. Sem ela, que partiu rumo ao Céu, sem a presença de Mr. Divo Latívio que insistia em aguardar o futuro para apresentar-me à família. Sem todo mundo, afinal Natal e Ano Novo as pessoas viajam, celebram com os parentes. Conformada, ou nem tanto assim, preparei o meu espírito pro pior: solidão.
As propagandas natalinas na TV, todas elas, eu procurei não assistir. Músicas ao estilo jingle bells, tentei não escutar. Quando fui ao shopping center, um senhor no papel de Papai Noel sorriu pra mim. Certamente, viajei mais uma vez em pensamento, admirei a sua estampa, e eis o motivo do sorriso do bom velhinho. Lembrei daquela tarde, no Mappin, extinto magazine que habitava a Praça Ramos de Azevedo, aqui em São Paulo. Minha mãe anualmente levava os quatro filhos para pedir presentes de Natal ao Papai Noel. Restou uma foto em preto-e-branco, um flash de felicidade. Naquele mesmo ano ganhei uma casinha de bonecas. Havia um soquete preparado para uma lâmpada pequenina. Meu pai tirou da árvore de Natal uma lâmpada azul e pronto. Minha casinha de bonecas estava "azulmente" iluminada. Todos os anos de minha vida existiu uma linda árvore de Natal, com uma lâmpada azul, doce lembrança de infância. A vida não foi nada fácil, mas as árvores se sucederam umas às outras. Pinheiros artificiais, pinheiros naturais, enfeites novos e outros herdados dos avós e dos pais.
Neste ano, o Natal de 2010, não haveria uma árvore de Natal. Porém, meu namorado chegou em casa trazendo várias sacolas de compras. Cansado, mãos carregadas. Trouxe um pinheirinho natalino, enfeites dourados, um efeite iluminado pra janela e uma guirlanda. Tanto sofrimento já causaram em nossas vidas e, naquelas mãos, o esforço de quem espera felicidade. Aliás, merecemos a felicidade.
Assim começa o Natal. A árvore está lá, sendo arrumada pouco a pouco. Quando estiver pronta, deixarei aqui uma foto. Não estou sozinha, jamais estive e, agora eu sei: Papai Noel existe!
Luzes brancas, papel dourado, purpurina na pontinha do nariz. Amar transforma vidas. Meu desejo neste Natal é que todos amem, amem, amem, amem, amem... e amem!
Isso tudo faz com que eu volte no tempo, quando eu era uma garotinha e usava lacinho de fita nos cabelos. De certa forma, voltei a ser criança.

2 de dez de 2010

AMOR VERDADEIRO


No último final de semana acompanhei meu namorado em uma confraternização de final de ano. Amigos se reuniram para celebrar a vida. Impressionante, garotos crescem, o tempo passa, mas continuam sendo garotos. A idade da turma está acima dos quarenta anos. Riam, brincavam, brindavam. Contagiante a alegria que reinava entre eles. A amizade masculina costuma carregar o selo de lealdade. Amigo que é amigo embarca no mesmo trem e segue lado-a-lado pra qualquer destino. Amigo homem não presta atenção em quem está mais gordo ou em quem vestiu-se com um modelito repetido. O importante é ser feliz.
Lá estávamos saboreando um delicioso churrasco quando fui apresentada a um dos presentes. Alguém que contou uma das mais belas histórias de amor que já ouvi. Casamentos costumam tornar-se complicados, chatos, enfadonhos. Assim acontece com muita gente. No entanto, nessa história, havia cumplicidade e muita harmonia. Felizes, depois de mais de trinta anos de casados. Porém, ela faleceu há alguns anos. E ele? Não, ele não foi pra balada, nem tratou de encontrar uma nova companheira. Lamenta a perda de seu par e fala de sua amada com os olhos marejados de lágrimas. Precisei disfarçar meu sentimento de solidariedade. Afinal, amor verdadeiro é incomparável. Escutei meu par sugerir a ele que tente encontrar uma namorada. Pensei o seguinte: é o mesmo que conseguir ganhar duas vezes na mega-sena acumulada. Um tanto difícil, não é mesmo?
Ímpar, assim ficou aquele homem. Disse que hoje agradece a Deus que foi ela quem morreu e não ele. Fiquei surpresa, então ele explicou o seguinte: prefiro ser eu a sofrer aqui na Terra sem ela, não desejaria a ela a dor que sinto agora.
Quanta gente está cheia do casamento? Quanta gente apenas consegue olhar pro próprio umbigo? E eles dois eram felizes, apesar de todas as dificuldades da vida. Lembrei dos casais de pássaros que, quando um dos dois morre, o outro permanece sozinho até o final da vida.
Não imagino o que seja sobreviver, restar na vida terrena, sem mais ter o companheiro de jornada. Nada pode ser mais triste e angustiante que perder sua metade. Sim, acredito em metades e não em dois inteiros que se unem.
Termino este texto pensando em você, que está atravessando um grave problema de saúde. Sua vida quase paralisada e girando em torno de médicos, hospitais, remédios e uma expectativa assustadora. A vida é tecida ponto a ponto, diariamente. Olhe pra trás e veja o quanto é bonita a sua história, apesar dos altos e baixos que lhe aconteceram. Ao seu lado o mais doce par que alguém poderia desejar. Tantos buscam, nem todos recebem a mesma graça. Essa é a verdadeira riqueza desta vida. Desejo a você saúde, pra celebrar a vida por muitas outras décadas.

Texto dedicado a você, Flávio, meu irmão querido. Com fé em Deus, a sua cirurgia vai ser um imenso sucesso e toda a dor, todo o sofrimento e medo desaparecerão. Parabéns pela parceria com a Renata, sua bela e querida companheira.