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Apresentação

Este blog nasceu no blog Janela das Loucas, onde assinava "Diva Latívia". Ali permaneci durante muito tempo, como autora principal das crônicas do blog. Redescobri que escrever é vital pra mim, guiada e editada por Abílio Manoel, cantor, compositor, cineasta e meu querido amigo. O Janela das Loucas não existe mais, Abílio foi embora pro Céu. Escrevo porque tenho esse dom divino, mas devo ao Abílio este blog, devo ao Abílio a saudade que me acompanha diariamente. Fiz e faço deste blog uma homenagem a aquele que se tornou meu irmão, de alma e coração. Aqui o tema é variado: cotidiano, relacionamentos e comportamento, em prosa e versos.







29 de jun de 2011

ABÍLIO MANOEL, UM ANO SEM VOCÊ!

Tempo, mais e mais suspeito que a vida aqui, neste plano, é uma ilusão. Em minhas divagações já me questionei: será que a vida é vida mesmo? Será que estamos mortos e imaginamos estar vivos? Será que quando alguém “morre”, na realidade “nasce”? Possivelmente “renasce”, certamente continua sua jornada. Será que viver aqui, nesta existência, é apenas um sonho? Um breve instante, um cochilo? Que ao abrirmos os olhos estaremos em algum lugar, cercados de eternidade?
Abílio, em uma sonequinha que tirei, sonhei que você tinha morrido. Não fui ao seu velório, não participei do seu funeral. Apenas me contaram que seu corpo foi cremado e que suas cinzas foram depositadas em uma urna, na sua casa da Granja Viana. Em um soninho breve, você se despediu dizendo que me reencontraria muitas vezes. No ar ecoava sua frase cheia de gracejo: “voa leve que a vida é breve”.
Ah, Abílio, eu me desesperei. Quis te buscar de volta, apenas encontrava as lembranças. O meu peito parecia um pedaço oco no espaço. E o tempo passou depressa, sem mais conversarmos, sem nos vermos. A sua ausência incorporou-se ao meu cotidiano.
A vida, feito um quebra-cabeças faltando um pedaço, teimou em seguir adiante. O sol nasceu indiferente. A lua mudou as fases. E eu, Diva sem Abílio, reaprendi a caminhar, com a força de quem vence as barreiras pra sobreviver às adversidades.
Amizade é o Amor que compreende, reconhece e auxilia. Amigo é mais que parente, ainda que parentes possam ser nossos amigos. E eu, que amava tanto assim aquele sujeitinho baixinho, um tanto excêntrico, inteligentíssimo e hipersensível, prossigo nesta jornada terrena, aguardando o futuro e seu desfecho. Lá, onde durmo, o despertador um dia haverá de tocar. Quando abrir meus olhos, ainda sonolenta, serei Diva Latívia, que rabisca palavras em nuvens. Ao meu lado, Abílio Manoel, acertando os parágrafos, renomeando os títulos que escolhi, escolhendo imagens que causarão discussões entre nós dois. Nossos textos falarão do Universo, o mesmo Universo que embala a alma do querido Abílio.
Um ano. Tempo, você é ficção. Foi apenas uma fração de segundo e, dentro de poucas horas, despertaremos. Durma bem, Abilinho. Durma bem!
Leitores. Hoje, dia 29 de junho, completa um ano que nosso Abílio Manoel faleceu. Ele, o criador deste blog, deixou imensa saudade! Nossa amizade é bonita, sincera e eterna. O texto foi escrito pensando em nuvens e com o coração reclamando a ausência física do meu parceiro de prosas, risos, briguinhas, maluquices,histórias e estórias. Que ele esteja com Deus, lá no céu! Maninho, voe leve. Aqui, a vida é breve! Um sonho, tudo um sonho.

Mal consigo hoje expressar a dor imensa da saudade do meu querido amigo, Abílio. A primeira coisa que pensei, ao despertar nesse dia 29, foi o seguinte: estou sonhando, um dia vamos estar juntos novamente, ele me prometeu!
Deixo aqui o belo vídeo feito pela Regina, que de fã tornou-se amiga do Abílio. Pra quem não sabe ou não se lembra, ele foi compositor, cantor, cineasta. Um artista que venceu festival, que compôs músicas conhecidas. Nesse vídeo há fotos pessoais do Abílio e suas músicas, com sua voz mansinha e boa de ouvir. Muita, mas muita saudade!
Esteja em paz, Abilinho Que Deus seja pra você uma bela e imensa surpresa. Te amo, maninho!

Sua Diva Latívia

27 de jun de 2011

BARRIGA? QUE BARRIGA?!


Tem um anúncio aqui, no meu blog. Algo sobre como perder a barriga. Nem cliquei pra descobrir o tamanho do milagre qual é. Sei que, pra perder a barriga, é preciso emagrecer, exercitar-se ou então submeter-se a uma lipoaspiração. Suar, suportar, encolher, privar-se de coisas boas e gostosas. Porém, não ter barriga deve ser maravilhoso!
Andei pensando na lipoaspiração. Fui conversar com o meu médico. Papo vai, papo vem, comentei algo sobre “entrar na faca” e eliminar as gordurinhas extras. Ele me olhou bem sério, perguntou se eu não me importaria de ter a marca de uma cicatriz enorme na altura da linha do biquíni, de ponta a ponta do abdômen. Mostrou fotos de pacientes recém-operadas, o antes e o depois. Felizes na foto do depois, afinal o antes estava mesmo um horror.
Sobre a mesa do médico, uma prótese de silicone. Já tinha visto em reportagens da TV, mas de perto foi a primeira vez. O homem falando comigo e eu totalmente distraída, aquela prótese parecia ser de gelatina. Meio transparente. Seria macia? Não resisti, peguei a coisa e apertei. Uma, duas vezes. Boa mesmo de apertar, lembrei daquele brinquedo gelatinoso, a geleca! Estava assim, me divertindo com o brinquedinho quando, subitamente, o médico a tirou de minhas mãos. Explicou que a prótese seria pra mim desnecessária porque eu, no máximo, poderia fazer uma cirurgia não sei das quantas, para erguer aquilo o que a lei da gravidade tratou de derrubar. Interessante! Acho que já nasci com silicone natural, tenho recheio!
Quando a consulta terminou, eu estava cheia de dúvidas. Ser cortada pra perder a barriga não pareceu uma boa ideia. Desci a escadaria que levava à sala de espera do consultório. Na recepção uma paciente do doutor, entusiasmada. Tinha colocado prótese de silicone, igualzinha àquela com que eu havia brincado há instantes. Decotão, quase tudo de fora, acho que até mesmo um cego perceberia que os peitos ela comprou!
Sinceramente, acho que não teria coragem de fazer a tal cirurgia. Vai que algo sai errado? Que a barriga fica chapada, mas a cicatriz me deixa traumatizada? Decidi adiar os planos por tempo indeterminado. Quem sabe, quando eu for consertar aquilo o que o tempo amassou, eu aproveite pra levantar o que a gravidade derrubou? Um pacote cirúrgico com reforma geral, de preferência daqui a uns 5 ou 10 anos. Será mesmo incrível eu um dia completar 60 anos e aparentar 50. Forever meio young!
Por falar em perder a barriga, hoje Divo estava com a barriguinha de fora, acho que a blusa de seu pijama está um tanto apertada. Ele disse que não é nada disso, que é a calça do pijama que está curta. Entenderam? Sempre é possível eliminar a barriga simplesmente negando que ela existe. Barriga? Eu?! Que barriga??? E agora, repitam comigo: eu não tenho barriga, eu não tenho barriga, eu não tenho barriga! Viu? Sumiu!

26 de jun de 2011

O "POÇANTE" BEETHOVEN


No dia em que ele ficou com ares de quem estava hipnotizado, defronte ao notebook, fiquei furiosa. Não, ele não estava paquerando outra, nem estava vendo mulher pelada em algum site de gosto duvidoso. Divo Latívio estava buscando um novo carro naquele tal mercado, aquele que vende de tudo e onde se vende de tudo. Um Jeep, tinha que ser esse o modelo de seu novo “possante”. A ideia pareceu inocente a princípio. Um Jeep, para passear no bosque em finais de semana, assim imaginei. A minha imaginação parece tomar fermento!Seria um convescote daqueles com direito a toalhinha xadrez de vermelho e branco, cestinha de vime contendo sanduíches de atum e guaraná zero. Doce ilusão diet! Divo não pretendia levar-me a um picnic. Uniu-se aos irmãos e, em sociedade, escolheram pela foto na “net" um modelo de cor laranja, ano 64. Achei esquisito, mas ele é teimoso e, parece, essa característica faz parte do DNA de seus parceiros de compra.
Voto vencido, resignada, fui convidada para ir buscar o carro na concessionária. Lá estava ele, ao lado de uma BMW que deve ser o sonho de 99% da população mundial. Ali , gorduchinho, bem ao lado de tamanha formosura, jazia o Jeep. Laranja, realmente ele era bem laranja! Em sua lataria tantos adesivos que havia até mesmo propaganda de uma oficina mecânica e outra da Perdigão, bem em cima do capô. Parece que o vendedor mandou lavar a coisa, mas a sujeira era tanta, que nem mesmo deixando o bicho de molho em solvente aquele grude dos decalques conseguiria ser eliminado. Sujo, tudo muito sujo!
Assustada, preferi deixar Divo sozinho conduzir o carro até o estacionamento. Percorri todo o trajeto no carro de um dos cunhados, para onde corri bem depressa. À frente ia Divo e seu Jeep laranja, espantando os demais motoristas que pareciam querer esquivar-se de sua companhia, era um tal de carro desviando que só mesmo se houvesse um vídeo eu poderia mostrar a situação a vocês. Eis que reparei em um detalhe: o Jeep soltava óleo. Um fio grosso e contínuo deixado no asfalto. Quando parou no posto de gasolina, para abastecer, deixou seu rastro. Pude notar os frentistas apressados, jogando água para limpar a sujeira. Precisou ser conduzido à oficina mecânica e lá permanece, para revisão total. Foi por mim batizado: o Poçante Beethoven. Cada curva uma poça, cada parada um conserto.
Estava tão empolgadinha, foi então que descobri que Divo não pretende levar-me a um picnic, o que ele deseja realmente é fazer trilha, enfrentar ribanceiras, lamaçais e pirambeiras. Ah, Serra do Tereré, você um recanto tão romântico. Posso imaginar a situação: Diva coberta de lama e espantando mosquitos! Faminta, sedenta, desidratada! Talvez, devido à inexperiência de Divo, a gente se perca na selva! Entre onças e jararacas, sequer sinal de celular haverá! Precisaremos de resgate aéreo e apareceremos naquele telejornal: - Atenção comandante Wilton, o que está acontecendo aí na tela? – É um Jeep laranja atolado na lama, Patena! E tem uma loira acenando pra gente!
Que vexame! Tudo o que eu queria era sentar sob uma árvore, usando chapéu de aba larga, vestidinho floral e esvoaçante. Divo, com sua bermuda branca e boné azul marinho, galante e sorridente, provando quitutes deliciosos em nosso convescote. Agora, tudo atolado na lama dos meus planos. Resta saber o que vai realmente acontecer quando o Jeep voltar da oficina. Espero que essa tal de trilha seja algo leve, sem muitos solavancos e sem grandes surpresas. De preferência em estradas asfaltadas, bem sinalizadas e sem curvas sinuosas. Quem sabe ele decida colocar ar condicionado no Poçante? Um GPS?
Creio, não nasci pra sofrer. Ainda penso na BMW, com aquela sim, eu faria trilha sem reclamar. Fazer o quê? Cada princesa tem a carruagem que merece! E “vambora” de Jeep!

25 de jun de 2011

ADEUS, AMIGO!


Quando despertei nesta manhã, meu coração estava apertado. Ainda na cama, lembrei do dia anterior, um dia especialmente feliz. Festa junina, sobrinhos, amigos e meu Divo Latívio. Pensei um pouco, ainda sonolenta. Mas que raios se passava comigo? Viajando, descansando finalmente, cercada de amor e pessoas queridas.
Ando cansada. Muito trabalho ( um dia poderei lhes contar como é esse “trampo”), muita correria, algumas dificuldades e as loucuras do dia-a-dia. Atribuí o mal estar ao tal do stress, o mal dos dias atuais. Por certo, eu precisava de mais alguns dias para me sentir revigorada, pra sensação de aflição inexplicável se afastar de mim. Lembrei do meu “pai de coração”, o Nelson, que faleceu há pouco mais de uma semana. Talvez, a morte dessa pessoa tão querida tivesse me abalado tanto que lá estava o coração “doendo”, sem causa aparente.
Segui a rotina matinal. Belo dia na região de Atibaia. O sol brilha. Admirei da sacada as montanhas. O contraste do verde da mata com o azul do céu. E de novo o coração deu sinal. Mau sinal. O que estaria acontecendo? Observei o vôo de um passarinho que, atrevido e leve, entrou no terraço da chácara. Saltitava e com toda a delicadeza ia de uma ponta à outra da área. Meu coração de novo deu sinal de alerta. Passarinhos dentro de casa, não sei onde aprendi isso, mas passarinhos dentro de casa sempre pareceram desejar trazer alguma notícia.
Decidi vir ao computador, trouxe o notebook na viagem. A dificuldade para conseguir a conexão, estava péssima a internet, tentei algumas vezes e acessei o Facebook. Li a mensagem de um amigo de infância: “Ligue pra mim”. Mencionou outro amigo, Carlos Mauro.
Não pude compreender, aliás acho que preferi não pensar no pior. Telefonei e eis que veio a notícia: Carlos Mauro faleceu. Imediatamente compreendi o que meu coração tentava me avisar.
Visitei seu perfil, olhei seus recados no Facebook, alguém já sabia e deixou ali publicada a triste notícia. Pensei em voltar pra São Paulo, ir ao seu funeral. Então, lembrei do ocorrido há uma semana, o estado emocional em que fiquei quando vi outro amigo inerte, em seu velório: o Nelson. O choro compulsivo, a tristeza imensa. A associação disso com a morte recente de minha mãe. O quanto fiquei mal! Decidi, então, não ir ao enterro do Carlos Mauro. Não voltarei hoje da viagem que faço com meu Divo.
Quem foi o Carlos Mauro? Quando nascemos, meus irmãos e eu, ele era nosso vizinho. Sua casa era a terceira da esquerda, pra quem olhava pra frente da nossa casa de Moema. Ele era mais velho que nós, então nos viu nascer, crescer, casar, ter filhos, seguir a vida adiante. Personagem de toda a nossa vida e nossa história. Se hoje tenho 50 anos de idade, a nossa amizade tem exatamente esta idade: 50 anos. A notícia veio feito uma bomba pra mim. Estou um tanto atordoada! Mais um amigo partiu, isso pareceu demais pra mim!
Estou em um dia de baixa inspiração. Gostaria de escrever um belo texto, não consigo! Meu coração está dolorido, de luto. Acredito em Deus, na vida infinita. Mas, a saudade é insuperável. Tantas estrelas brilham no céu de minha vida. Amigos que partiram, parentes que partiram. Gente amada que faz muita falta! Nova estrela brilha agora lá no firmamento. Uma estrela tímida, culta, inteligente, sensível ao extremo. Uma estrela amiga, que faz parte da minha constelação.
Amigo, ficam aqui as únicas palavras que consegui juntar em um teclado de computador. Estou inconsolável, comovida e profundamente triste com seu adeus inesperado. Um dia nos encontraremos, acho que o nosso céu é aquela casa cor-de-rosa da Avenida Sabiá. Ali, uma grande festa com violão e cantoria. Vamos rir, falar coisas simples e amenas, despreocupados com o porvir e cercados de todos aqueles que vimos ir embora, um a um. Eternamente felizes e reunidos. Que bom será se for assim!
Fique com Deus e obrigada, Carlos Mauro. Obrigada por ter feito parte da minha vida! Obrigada pela honra de sua amizade! Sempre te amarei!

Escrito nesta data, entre lágrimas, após receber a notícia do falecimento do meu amigo e amigo de minha família, Carlos Mauro Fonseca Rosas.

22 de jun de 2011

DE SHAKESPEARE À CECÍLIA


Dúvidas, incertezas e escolhas. Para se relacionar é preciso escolher com quem. Escolhe-se um ser, abre-se mão de todos os demais homens ou mulheres do planeta. A não ser que se trate de um sheik, com vasto harém. Sem esquecer aqueles que relacionam-se com mais de um alguém, mas isso é outra história.
Namorar ou não namorar. Comprometer-se ou não comprometer-se. Ir em frente ou parar. Escolhas tantas!Tantas possibilidades!
Ir ou não ir. Ser ou não ser. Diante da questão, de Shakespeare à Cecília Meireles, lembrei da poesia de Cecília: "Ou isto ou aquilo". Ei-la:

Ou isto ou aquilo


Ou se tem chuva e não se tem sol
ou se tem sol e não se tem chuva!


Ou se calça a luva e não se põe o anel,
ou se põe o anel e não se calça a luva!


Quem sobe nos ares não fica no chão,
quem fica no chão não sobe nos ares.


É uma grande pena que não se possa
estar ao mesmo tempo em dois lugares!


Ou guardo o dinheiro e não compro o doce,
ou compro o doce e gasto o dinheiro.


Ou isto ou aquilo: ou isto ou aquilo . . .
e vivo escolhendo o dia inteiro!


Não sei se brinco, não sei se estudo,
se saio correndo ou fico tranquilo.


Mas, não consegui entender ainda
qual é melhor: se é isto ou aquilo.

19 de jun de 2011

TAL MÃE, TAL FILHA!


Dia de feira, aquela correria. O antigo carrinho, velho auxiliar e valente ajudante, cujas rodinhas insistem em não mais fazer a curva. Desci a ladeirinha da rua, virei à direita. Atravessei a avenida na faixa de pedestres. Eu o puxava, ele reclamava: nhéc, nhéc, nhéc. Verduras, frutas, legumes. Ah, sim, parei na barraquinha de pastel e caldo de cana. Lotado até à boca, arriando com o peso. Quase precisei levá-lo no colo. Assim que subi a ladeirinha uma rodinha se soltou. Os tomates rolaram pela sarjeta, os maracujás decidiram acompanhar a trajetória. O resgate foi complicado, um vigia da rua ajudou na missão. Quando tudo parecia resolvido, escutei a voz de nossa vizinha, a idosa Dona Violeta.
- Bárbara Germânia, há quanto tempo!
Tudo parecia tão surreal! Bárbara Germânia foi minha mãe, falecida há algum tempo.
- Bárbara, conte pra mim, por onde você andava?
- Ô Dona Violeta, eu não sou...
- Ah, menina, você está tão jovem! Fez plástica?
- Não! Eu...
- Usou algum creme importado?
- É que...
- Sabe, Bárbara, acho que você deveria se casar novamente.
- Dona Violeta, a minha mãe fa...
-Nossa, sua mãe ainda está viva? Essa sua família parece ter caído no poço da juventude!
Eu não conseguia dizer pra Dona Violeta que eu não era minha mãe, que eu era eu mesma. Incrível, ela deveria saber que a Mami faleceu, mas tudo indicava que estava confusa, talvez caduca! Achei melhor não contrariá-la.
- Dona Violeta, preciso ir embora, tenho que preparar o almoço.
- Você sempre tão prendada! Bom almoço e mande um beijo pra Diva, faz tempo que não a vejo. Ela já se casou com aquele namorado que a enrola... como é mesmo o nome dele?
- Divo Latívio.
- Isso! Que embrulhão!
Comecei a rir sem parar. Tive que concordar.
- Bom dia pra senhora.
- Bom dia, Bárbara. Vou rezar pra que Santo Antônio desencalhe a nossa Diva.
- Reze mesmo! Tchau!
- Tchau.
Pois é, a nossa semelhança física é mesmo grande. Vejo fotos antigas da minha mãe e me surpreendo. Outro dia, outra confusão parecida aconteceu. Mensalmente compramos sacos de lixo de um vendedor que passa de porta em porta. Quando fui atendê-lo, o homem ficou pálido, deu alguns passos pra trás, levou a mão ao peito. O susto foi tanto que, imediatamente percebi, ele estava vendo uma assombração. Pobre do homem, pensou ter visto minha mãe. Quando notou a confusão pediu desculpas. Servi até um copo d´água para ajudá-lo a recuperar-se. Depois desse dia sumiu. Terá infartado?
O telefone tocou.
- Bom dia, Dona Bárbara?
- Não senhora. Aqui quem fala é a filha dela.
- Ah, tá. Meu bem, pode chamar sua mãe?
- Não posso, ela...
- Olha, nós do Banco Vai Pro Brejo, temos uma excelente proposta para ela.
- É que...
- As nossas taxas de juros para clientes especiais com ...
- Dona... Ela não está.
- Onde posso encontrá-la?
- Quer mesmo saber?
- Por gentileza, sim.
- Ok. Quadra 8, lote 67898765 do Cemitério do Morumby.
-...
Parece que me livrei de uma chata. Ela desligou.
Ser filha de Dona Bárbara Germânia não é fácil. Ela sempre atual, cotidiana. Foi-se pro Céu, mas deixou a sua estampa, a sua marca, a sua história. E cá estou, a divagar sobre nossa semelhança física. Já comprei um novo carrinho de feira e estou habituada a responder com naturalidade os cumprimentos de Dona Violeta. Toda quinta-feira ela passa por mim, subindo a ladeirinha da rua e voltando da feira. Ainda pensa que sou minha mãe. E, o melhor disso é que ela está fazendo uma novena para que Diva Latívia desencalhe. Quem sabe Santo Antônio a escute? Toda confusão tem o seu lado positivo, certo?

18 de jun de 2011

UM COMENTÁRIO QUE MERECEU TRANSFORMAR-SE EM TEXTO


Caro leitor,

Já deve ter observado que hoje o meu blog está agitado. No texto que escrevi abaixo, MEU QUERIDO DIÁRIO, recebi alguns comentários. Um deles maravilhoso. Não assinou, mas aos poucos, lendo uma frase após a outra, identifiquei o querido remetente: meu irmão, Flávio.
Tenho escrito sobre ele, cheguei a publicar uma foto nossa recentemente. Esse irmão, há quase um ano, teve o diagnóstico de um raro câncer folicular da tireóide, com metástases ósseas. De repente, sem esperar, apesar da vida saudável e da idade que não considero muita: 46 anos.
De lá pra cá, aconteceram muitas cirurgias, se não me engano foram cinco cirurgias ao todo. Sofrimento, dor, medo, hospitais, espetadas, agulhadas, muletas, muitos exames, internações e momentos em que todos nós perguntamos a Deus o motivo disso.
Hoje ele está internado em um hospital, isolado, não podemos visitá-lo pois recebeu iodo radioativo para o combate do câncer. É necessário isolamento por conta da radioatividade. De lá, munido de celular e notebook, sempre pode comunicar-se conosco. Ele leu meus últimos posts e comentou de modo maravilhoso algo que preciso compartilhar com todos. Flávio também tem um blog, lá muitas coisas interessantes ligadas à gastronomia e, ainda, o privilégio da leitura de divagações suas, eis o link: www.tropecosdeumgourmet.wordpress.com. Quanto ao comentário que recebi, aqui está, desejo-lhes boa leitura e a possibilidade de reflexão. Na ilustração está a plantinha que ele mencionou, o ruibarbo do deserto.

Diva,

Vou tentar postar o meu escrito em dois ou três comentários, pois o meu HTML não pode exceder a 4096 caracteres e não sei quantos ele terá, encherá o saco contar tudo. Assim, irei por partes.

Li o seu texto e não tenho como não falar o que acho dele. Imagino o seu sofrimento. Apenas imagino. Nunca passei pelo que você está passando, mas, claro, conheço quem já passou ou passa por essas aflições, assim como conheço quem acabou por encontrar soluções. Na verdade, pesquisando em meus arquivos mentais, todos encontraram soluções.

Os meus comentários poderiam ultrapassar as linhas de um post em seu blog, de dez posts, talvez coubessem em um livro. Não: um livro de vários volumes, ainda que o "publisher" não gostasse. Ou gostasse, sei lá, há tantos livros seriados por aí que vendem feito água... E é de água que falaremos mais adiante, já chegaremos lá. Mas o livro que eu dizia estará sempre inacabado por mais que se escreva, por mais que se esforce em terminá-lo, pois terá por objeto central o amor e o amor é inegostável, assim como todo o universo que o circunda. Mas chega de "divaneios". Vou sintetizar tudo em um comentário longo, mas, creia-me, o mais sintético que consigo por enquanto.

Todos os sentimentos humanos são complexos, possuem raízes que tocam solos de composições as mais diversas, raízes ora profundas, ora rasas e, quem diria, há também raízes aéreas, como recentemente me ensinou a minha Diva. O Amor, dentre todos os sentimentos, sobressai-se por sua complexidade e, paradoxo dos paradoxos, por sua singeleza. É uma planta única nessa floresta, imensa floresta, de esplendorosa e inigualável beleza e capacidade de sobrevivência. Mesmo quando aparentemente debilitada, doente ou morta, o amor é uma autêntica planta do deserto inserida em um intrincado ecossistema, ímpar em meio tantos de seus pares postos em corpo, mente, espírito, alma e personalidade humanos.

Deixe-me fazer um paralelo que facilitará, e muito, a minha formulação de hipótese - que poderá ter ou não a sua aceitação-, essa é uma outra hipótese, cuja variável principal é você mesma. Há uma planta conhecida como “ruibarbo do deserto”, localizável no deserto de Negev, em Israel, única em nosso planeta por deter a propriedade de irrigar a si mesma, utilizando-se de um eficaz sistema de retenção de água. Ela é extraordinária, loquaz em todo mundo conhecido! Ela consegue captar, veja só, até dezesseis vezes mais água do que as outras plantas de deserto existentes na Terra!!! Em toda Terra, eu digo, coloca aí a Amazônia, se quiser. Claro que ela tem um segredinho - pode contar para todo mundo, vai fazer bem a todos, inclusive a você. É que ao contrário das outras plantas desérticas, portadoras de folhas pequeninas, plantas consistentes às vezes apenas de espinhos, que visam não provocar a evaporação da água que entraria em contato com ela, usando-se de superfícies, as menores que conseguir de folhas, expondo-se assim o menos possível à torridez, à insolação, esse ruibarbo tem folhas grandes, enormes, rígidas, portadoras de canalículos impermeáveis que descem, como as cordilheiras onde residem geograficamente o ruibarbo, diretamente à raiz-mãe da planta, alimentando-a. Um complexo sistema de canalização de água que desafia o sistema de todas as outras plantas desérticas da Terra, cujas raízes se aproveitam diretamente da água que cai no chão, sem a ousadia da interferência de suas folhas.

O amor é assim. Em meio a tudo que o cerca, o amor é um sentimento que se autoirriga. Precisa apenas de água, um pouquinho que seja.

Sei, ou melhor, imagino as suas aflições, mas me parece pelos seus relatos que água não falta na sua planta do amor. Intrometo-me a achar que você deseja fazer "como" a água deve cair em suas folhas, sem aceitar outras formas de alimentação. Um sistema bastante arriscado de sobrevivência, ouso dizer, em um meio onde a seleção natural é absolutamente implacável e cruel com as eleições equivocadas dos seres vivos. Não preciso aqui cansar-lhe, ou os seus leitores, com Darwin, mesmo porque julgo pouco saber dele, mas de seleção natural acho que dá para arriscar.

A sua água é o Divo. Está escrito, você nos disse, você nos convenceu e se convenceu disso. Desculpe-me te dizer, mas estamos em um foro aberto de debates, não é mesmo? Pois bem, vou direto ao ponto, sem rodeios. Você quer - continue lendo, não tenha raiva de mim! - ou mais exatamente, você está exigindo que a água caia de uma determinada forma, qual seja, a do casamento, e não de outra forma. Você está impondo, com isso, para si, o fim da alimentação de sua planta que não seja pela sua forma. A água não pode vir na vertical, meio oblíqua, meio torta pelos ventos, circulares como em uma tormenta extra-tropical. A água precisa cair em suas folhas do seu jeito, senão nicas de pitibirebas.

Não sei se o casamento, nesse paralelo que traço, seria uma queda, um gotejamento, uma tempestade, um dilúvio, uma dispersão de gotículas pelo ar vindas de uma cachoeira ou o que nosso pensamento quiser traçar como forma da água cair nas folhas de sua planta. Digamos, ainda rabiscando paralelos, que você não quer apenas receber uma benção (pois o amor é uma benção, isso para mim é premissa de conversa), mas também eleger como essa benção deve se derramar sobre você.

É um tremendo risco, para ficarmos em um patamar mínimo de diálogo. É quase como pegar uma consequência (sem trema, mas com trama) como causa. É muito fácil daí inferir o enfraquecimento da sua planta na sua floresta de vida. Qualquer um pode ver, até você. Ou principalmente você. A sua planta desértica não vai morrer com isso. De forma alguma!!! Só irá se desidratar, enfraquecer-se, debilitar-se, mudar quem sabe de cor e de forma, esconder-se em sombras de outras plantas e árvores que se tornarão forçosamente mais formosas, não pelo embelezamento delas mesmas, mas pelo "jururuamento" do amor. Mas o amor permanecerá lá, ainda que feinho, esquelético, franzino, esperando que alguma água salvadora caia da forma que você elegeu como "ideal" (jamais esquecendo que ideal vem de ideia, do imaginário) para alimentar a sua raiz.

Cá entre nós, ou "psit"!, parafraseando o Didi Mocó aos seus colegas de trapalhadas: você não consegue enxergar a sua planta dizer daqui a algum tempo, talvez curto demais, ou comprido demais, mas em um momento cruel que fatalmente chegará, a sua planta implorar: "Uma gotinha só de água, Senhor das Chuvas!!! Uma gotinha apenas, mundo cruel e maldito!!! Por que, Senhor, por que judias tanto de mim, por que EU , logo euzinha, desta forma cruel, desértica, só, sozinha, sedenta de tudo de água???". Eu consigo. Faça um teste com os seus leitores (como é que chama isso mesmo? A minha memória anda que é só o pó).

Gostaria que você pensasse muito nisso, intrometido que sou. O amor é a planta mais rara, a mais cara, a mais esplendorosa de sua floresta humana. A planta se auto irriga, mas não se auto alimenta. É verdade que basta a ela um naco, um tiquinho só de um quase nada de água para viver, mas precisa de água. E há um momento na vida da planta em que a necessidade cresce, ô, se cresce... que se dane!!! Há muita água poluída, muita água fétida, muita sujeira que comporta uma diversidade de elementos quase mortais até, mas se contiver um microcomponente de água em sua sujidão, a sua raiz se regozijará se a suas folhas comportarem o pouso desse sólido imprestável para quaisquer fins de sobrevivência digna, não fossem as parcas moléculas aquosas que carrega em meio a si. Pense nisso, com o carinho que você e a sua planta desértica carecem.

Casamento pode ser até um dilúvio em sua floresta, se assim você acha que é, mas o casamento é apenas uma das formas de expressão do amor. Não é a única - longíssimo disso!!! - nem tampouco, muitas e muitas vezes, a melhor forma de veicular a tão sonhada, esperada, desejada e necessária água. Basta a água ser limpa para fazer bem a você, à sua planta. Se ela quiser encher você de orvalho, por que não? É preciso que seja em meio a uma torrente? Ou seja lá a forma de sua ideia de contato ("contrato"?) de suas folhas com a água?Pense nisso, acho que a sua querida mãe - desculpe-me dizer algo sobre ela, mas agora se torna inevitável - a sua melhor e insubstituível amiga que você teve nesse plano e nessa passagem, diria a você coisa assemelhada ao que eu digo a você agora. Vai por mim, atrevo-me a dizer que tenho certeza disso. Assim, eu e ela fazemos dois votos de peso para sua consciência.

Com o carinho que lhe dedica esse leitor assíduo, RaaaaaaaaaaadioooooooActiiiiiiiiiiiveee Maaaaaaaaaaaannnnnnnnnn em seu primeiro ataque, visando a defesa da humanidade, um por um de cada vez, por favor(calma que ainda tem um PS abaixo, porque um texto longo com PS insinua que ele não se esgota em si) PS: esse ruibarbo tem, ainda, uma bela flor vermelha em seu centro. Imagina só, aquelas folhas duras, proprietárias de veios, planaltos, planícies, altitudes e depressões, canalículos dirigidos à raiz, possuindo uma delicada flor vermelha bem no centro de si. O que será essa Flor Vermelha?

Beijos tão longos e dedicados quanto o texto de meus comentários.



VOCÊ ESTÁ LOUCA!


Eu aqui, paralisada feito um poste. Eis que telefonou pra mim uma amiga de muitos e muitos anos. Tânia leu meu último post e correu para tentar me socorrer.Conciliadora, sempre amiga, escutou um breve desabafo. Nada além do que já está aqui escrito em MEU QUERIDO DIÁRIO.
São anos de amizade. Nós duas nos conhecemos bem. Ela sabe meu drama inteiro, do dia em que meu pai faleceu à doença e morte de minha mãe. Do meu irmão mais novo, deficiente, ao outro irmão que está com câncer. Quando me divorciei viu o quanto sofri. Acompanhou algumas tentativas vãs que fiz para refazer minha vida afetiva. E ela torce por Divo Latívio, mas de modo especial, ela torce pela minha felicidade e por mim.
Em nossa conversa surgiu um tema e a ideia para uma nova crônica. Nós, mulheres, somos independentes. Para colocar um pouco de docilidade na vida, fazemos de conta que contos de fadas são reais. Fingimos que temos ao nosso lado um lindo príncipe. Nosso lar transforma-se em castelo. E nada poderá interromper o tal do final feliz. Mas, é um faz de conta. Na realidade, mulher nenhuma precisa de homem nenhum. Até mesmo para termos filhos, de verdade, não precisamos deles. Há os bancos de esperma! Não precisamos deles para dar à luz, para criar um filho, para ter uma casa, emprego, patrimônio, prazer sexual. Nada! Porém, para ter sonhos tão doces quanto aqueles da padaria, nós criamos o faz-de-conta, que infelizmente costuma terminar sem o final feliz.
Homens são naturalmente imaturos. Minha mãe, poço de sabedoria, dizia que um homem para amadurecer é preciso embrulhá-lo em jornal. O problema é que, uma vez assim embrulhado, depressa ele apodrecerá. Pior que isso, continuará verde. Já a mulher, nasce com a força natural de quem irá ser autossuficiente ( essa foi corrigida pelo Word, achei horrível a grafia). Mulheres macho pra caramba, nós somos mais fortes em quase todos os sentidos. Podemos cuidar de vários assuntos ao mesmo tempo, administrar o lar, cuidar dos filhos, dos netos, enteados, filhos dos amigos, sei lá de quantos mais, amparar quem está doente, estar linda e cheirosa, trabalhar e estudar, isso tudo ao mesmo tempo. E eles? Ah, um dia de trabalho já os mata, literalmente. Pra combater tamanho esgotamento, eles jogam futebol com os amigos. Vão tomar umas e outras e falar de: carro, futebol e mulher. Não necessariamente nessa ordem, afinal eles não têm lógica mesmo. Ao invés de futebol, pode ser outra coisa, um hobby qualquer. Normalmente esse hobby tem ao seu redor o mesmo trio: carro, futebol e mulher. Eureka! Eles possuem 3 neurônios. Um na cabeça, um no pé e o outro no meio do caminho.
Não, leitor. Não sou feminista. Nem de longe sou assim. Adoro os homens, especialmente adoro George Clooney! Mas, é fato. Um homem inteirinho não vale um fio de cabelo de uma mulher. Quanto mais machão for o sujeito, mais fraco ele é. Dependente, carente, babão e bobão.
E nós, que não precisamos deles pra nada mesmo, queremos essa criatura para realizar nosso ideal romântico de felicidade. Os brutos amam? Às vezes sim, mas a dor de cabeça é tanta que, pra associar-se a um ser do sexo masculino é preciso ter a paciência de uma santinha e a astúcia de uma aranha prestes a capturar a mosca em sua teia. Quem é santinha aí levante a mão! Tem que ser mais falsa que uísque paraguaio e fazer-se de cega, surda e muda. Ser meio gueixa, ainda que por puro fingimento. Nem todas conseguem, eu mesma sou mais macho que muito homem e acabo mandando o dito cujo pra algum lugar bem feio, isso quando me canso da palhaçada toda.
Moral da história: homem é bicho burro, que gosta de ser enganado! Pra lidar com eles basta ser falsa, dissimulada. Falar mansinho, coisinhas bonitinhas, fingir que acha lindo assistir luta livre na TV, vê-lo em estado semivegetativo com o controle remoto do televisor, trocando os canais mecanicamente. Que não dá a mínima pro xixi derramado no pé do vaso sanitário, pra tampa do vaso levantada onde você quase entalou o traseiro quando foi sentar-se e, pior, no molhado. Que aquele olhar malicioso pra outro ser do sexo feminino que passou não foi por você observado. E que os amigos bebuns do final de semana são mesmo grandes amigos dele. Finja que tudo isso é o sétimo céu e terá, além de um burro, um cãozinho fiel abanando o rabinho ao seu lado. Afinal, se ele for contrariado você escutará a mesma frase que todas sempre escutamos: VOCÊ ESTÁ LOUCA!
Sou péssima adestradora, não consigo fingir compreensão e paciência. Detesto burrice e prefiro alguém sem coleira, que não se comporte como um cachorrinho! Creio, está pronta a minha tese que expõe as razões do meu sucessivo fracasso amoroso. Todos burros e eu devo ter nas veias sangue de Maria Bonita, famosa cangaceira.
Não se ensina truque novo pra cavalo velho. Porém, deixo assim mesmo o meu conselho para os meninos meus leitores: prefiram uma mulher autêntica e aprendam a lidar com o universo feminino. Andamos fartas das mesmices masculinas. Em breve, vocês terminarão encalhados em prateleiras empoeiradas. Desatolados em promoções-relâmpago, ao estilo:" leve este que joga futebol com os amigos e ganhe esse outro que apenas assiste TV em casa, de brinde segue um controle-remoto". Somente as loucas furiosas poderão interessar-se, as normais passarão direto, ou os apalparão para certificar-se do quanto estão verdinhos. Em seguida partirão sem olhar pra trás, independentes e indiferentes ao seu penar.
E creiam, ainda assim, há dias em que escrevo poesias!

MEU QUERIDO DIÁRIO


Acordei com uma música cantada pela Marina Lima martelando na minha cabeça. Olhar você e não saber ... O resto da letra sei lá, mas cantarolei lá, lá, lá...
Corri pro Dr. Google e digitei: Marina Lima. Apareceu tanta coisa que precisei refazer a busca. Pesquisei: Marina Lima olhar você. Eis que lembrei o nome da canção: “Pessoa”, composição de Dalto e Cláudio Rabello.
Escutei a música entre lágrimas. É o retrato da minha situação neste dia, exatamente 11h00 da manhã. Descobri que estou mutilada. Tenho medo do que sinto, medo de amar meu Divo Latívio. Medo do futuro. Medo de perder pra mim mesma, afinal tornei-me uma espécie de flor exótica, perfumada, bela, mas com espinhos invisíveis que agridem ao ser tocada.
Já fui casada. Hoje sou divorciada. Acho que desde esse episódio tornei-me uma espécie de nave errante, nau sem rumo. Com sede fui ao pote, precisava de alguém, um homem que suprisse toda a lacuna e amenizasse a dor de ter fracassado amorosamente. Queria um lar, um par, dividir um teto, assinar outro sobrenome, ter cerimônia de casamento, festa, lua-de-mel. Esquecer que estava sozinha, esquecer. Quando superei o amor partido, iluminou-se minha vida com a chegada de Divo Latívio. Feliz, há quanto tempo eu não sabia o que era ser tão feliz?
Mas, o medo era a minha bússola. Sem direção, sem razão. Só emoção e a incerteza, insegurança de quem espera o único desfecho que já conhecia: o triste fim. Não caminhei para a felicidade, mas para o fim. Esse o caminho que escolhi, de modo incauto, sem querer.
Sublimar a culpa. Serei culpada? Admitir erros. Serei errada? Acalmar a alma,respirar fundo e esperar que o tic-tac das horas devolva a minha antiga serenidade.
Todo fim de relacionamento, por breve que seja, é muito triste. Ainda que sejamos donos do pé e não do traseiro. A ele pedi um tempo, pra que eu me recupere dessa dor, pra que eu reflita sobre o sentimento e permita que a razão tome uma decisão definitiva.
Amar você... Amor não é o suficiente. Pra relacionar-se é preciso Amor, respeito, compreensão, mesmos objetivos, tolerância. Não temos o mesmo objetivo, ele não deseja voltar a se casar, por motivos que merecem todo o meu respeito. Ando feito passarinho sem ninho, voando pelo bairro, entre minha casa e a casa dele, no bico a malinha com roupas que jazem amassadas. Um ano, resolvi arriscar falar em casamento. A negativa foi taxativa. Perdeu a segurança para ser meu par. E eu com um carregamento espetacular de afeto,tive que pegar a malinha e partir. Pensando mil e uma coisas, o coração parecia que ia explodir.
E eis que estou em minha casa. Sozinha, quem não foi viajar está por aí, passeando. O dia está bonito, céu azulzinho, ensolarado. Tão pouco tempo e tornei-me par daquele homem. Quando não estamos juntos, preciso improvisar. Fiz da família dele a minha família. Da casa dele o meu abrigo. Fiz da vida um dueto, na espera de nunca mais ir e vir, sacolinha na mão, ter sempre onde finalmente ancorar.
Terei que transformar tudo, uma reforma enorme para me adaptar ao dia-a-dia. Voltar a ver amigos para os quais faltava meu tempo. Recomeçar a tricotar meus cachecóis. A leitura do livro que ficou jogado sobre o criado-mudo. Dormir na cama que sequer ocupo há mais de seis meses. Sentir o cheiro da casa, nela deixar o meu perfume. Olhar pra dentro de mim, quase uma moleca, sem intenção de ferir, mas que firo e levo ao fim.
Abílio, que vocês já devem estar cansados de ler sobre, foi meu melhor amigo e faleceu há quase um ano. Éramos demais parecidos. Ele escutava meus desabafos, de vez em quando ele os lia no MSN. De vez em quando era ele quem despejava suas dores e dúvidas, que eu carinhosamente acolhia. Horas a fio de uma amizade um tanto psicoterápica. Era meu webmaster, meu editor. Havia uma proibição: jamais, nunca fazer do blog um diário. Eu poderia colocar até mesmo uma receita de bolo, mas nunca fazer do blog um diário.
Termino o texto com o título já escolhido. Talvez, o preço seja altíssimo. Estranhos estão a ler, mas o próprio Divo Latívio derramará o olhar sobre estas palavras. O resultado não consigo mais calcular. Estou sofrendo, creio não ter culpa, meu erro foi amar. Equívoco fatal o meu sonhar.
Deixarei mais um vídeo, apesar de também ter aprendido com o Abílio que não se deve publicar vários vídeos seguidos no blog. A música que me despertou tem hoje os tons, as cores do que lhes escrevi: Pessoa! Quem a compôs, possivelmente era tão louco quanto sou. Um sonhador que fazia malinhas, indo e vindo, sem porto para ancorar.



17 de jun de 2011

PARA CURAR MINH ´ALMA!

Minh´alma está conturbada!
Nossa, essa foi de doer, não é mesmo querido leitor?
Porém, dores à parte, fui agraciada com um presente muito bonito. Meu amigo e colaborador, Quicky, enviou este vídeo que fez bem à minh´alma atrapalhada, machucadinha e triste...
Espero que também "curtam" este misto de Beethoven com mambo. Coisa de gênio!


O AMOR NÃO É UM BRINQUEDO


Esta última noite passei praticamente em claro. Acordei e o relógio marcava 03h17. Não mais dormi. Meus pensamentos estavam fazendo passeata, protesto, brigando comigo. Fui obrigada a sair da cama, sentar-me na sala. Escolhi a luz do abajur para iluminar o ambiente. Ali fiquei horas e mais horas, pensando, pensando, permitindo que meu coração se conectasse Àquele Ser: Deus.
Amar é uma Graça. Não tem graça, isso é outra coisa. Amar é coisa muito séria. Amor não é um jogo, não se parece com loteria, não precisa de sorte e não é brincadeira. Amor é algo divino, que chega em forma de bênção na vida de cada um. Reconhecer o Amor e cultivá-lo é questão de lucidez, mérito e delicadeza da alma de cada um.
Quando alguém olha pro sentimento sublime que é o Amor e o trata como se fosse um investimento a médio ou longo prazo, reduz o sentimento a uma equação matemática. Amor não é projeto, empecilho ou plano futuro. Amor é algo que se cuida a cada fração de segundo, está no dia de hoje, no seu batimento cardíaco deste exato segundo. Não adianta lançar o Amor nos planos do ano que vem, por exemplo. Ele é atual sempre.
Duas pessoas se conhecem. Começa o relacionamento. O nome do relacionamento tanto faz, pode ser o breve ficar, pode ser namoro, pode ser união estável ou casamento. Quando um dos dois faz do relacionamento algo “administrável”, querendo controlar o ritmo do sentimento, não assumindo socialmente ou pra si mesmo que está comprometido pelo coração, que isso tem reflexo moral, emocional e em seu círculo social, essa pessoa quebra o vínculo sutil e ininterrupto dessa energia divinal que é o Amor.
Pode haver o rompimento, às vezes com discussões, com sofrimento. É necessário haver a união do casal, uma dupla. Se um dos dois rói a corda, por motivos individuais, seja o medo, a incerteza, até mesmo a falta do próprio Amor, o relacionamento acaba. Antes acabar de uma vez do que aos poucos, mas normalmente acaba devagarzinho. Um desgaste que causa dor!
Comprometer-se é mais do que ir a um cartório e registrar sua intenção de união, de casamento. É mais que usar aliança no dedo ou dizer sim a um juiz de paz ou sacerdote. Comprometer-se é assumir pra si que Ama alguém e deseja essa pessoa consigo, para enfrentar as dificuldades da vida, ter os bons e os maus momentos compartilhados e envelhecer com esse alguém, lado a lado. Quem perde o compasso, pode terminar só. Infelizmente, quando se perde o Amor acontece o despertar. Um despertar que acontece tarde demais!
Se um dos dois falar em casar-se e o outro vacilar, isso depois de um ano de relacionamento, por exemplo, o significado dessa incerteza representa mais do que falta de envolvimento. Significa que um dos dois está sendo feito de bobo.
Talvez, o compromisso chamado casamento não possa acontecer, por motivos materiais, por razões que ambos conhecem e compreendem. Porém, quando isso inexiste e a idéia de casamento parece forca, especialmente para o homem, é sinal de alerta. Ele não ama aquela mulher.
E eu perdi o sono esta noite. Não pensando em mim apenas, mas pensando na vida. No quanto as pessoas erram ao se associarem de modo errado. Pensando nas mágoas que o coração carrega pelos desencontros. Apesar de sempre acompanhada de pessoas muito queridas, nesta madrugada eu me senti infinitamente solitária.
Para amar é preciso ter certeza do que se deseja amanhã. É preciso assumir um compromisso e fazer isso valer. Se não for naturalmente assim, melhor seguir a estrada divertindo-se, sem lançar sementes em corações incautos, sem ter aquilo o que já falei antes: compromisso.
Termino o texto ainda pensando, pensando. Que pena quando um quer, o outro não quer. Quem ama não merece ser rejeitado!

15 de jun de 2011

NELSON JOÃO MONTAGNA


Amigos deveriam ser imortais.
Quando escrevi essa frase suspirei fundo. Acabo de voltar de um velório. O Nelson João Montagna faleceu. Ah, leitor, ah, leitora. Você, possivelmente, não conheceu essa figurinha. Foi mais que amigo, de coração ele foi o meu pai.
Uma estrelinha a mais está brilhando no céu. Justamente hoje, a noite em que a lua resolveu ficar justaposta ao sol e à Terra. Houve um eclipse lunar.
Nelson foi mais que amigo, era conselheiro, era a palavra certa na hora exata. Amigo de minha mãe, meu amigo. Um pai, que despediu-se em uma breve conversa ao telefone dizendo que, se pudesse, teria sido meu pai nesta vida, tal o carinho que tinha por mim.
Pensei palavras bonitas para gravar o momento. As palavras fugiram, sobraram lágrimas.
Estou ainda mais órfã! Meu amor, meu amigão, meu pai, que Deus o tenha no mais lindo lugar do Céu. Te amo e sempre te amarei. Você está aqui no meu coração, lugar onde sempre o conservarei.
A vida, aqui nesta existência, é curtíssima. Passa depressa! Somos seres frágeis, voando leve, passando breve. O que seria de nós, não fosse o amor, não fosse o afeto que nos liga uns aos outros? Tive o privilégio de ter essa linda criatura em minha estrada.
Nelson, onde você estiver, que Deus o tenha no mais belo lugar do Paraíso. Fica aqui a minha saudade, o meu amor e o meu agradecimento: pai, obrigada!

13 de jun de 2011

SOB A NEBLINA


Quando vejo a previsão do tempo e aparece o seguinte: “uma frente fria vinda do oceano aproxima-se de São Paulo”, praticamente começo a saltitar de alegria. Sim, sou “do contra” e adoro o frio. Adoraria se nevasse, adorarei se gear. Cachecóis, lenços, luvas, gorros, botas. Lareira, vinho tinto, meias de lã nos pés. E tricotar, isso parece uma santa terapia!
Ficamos mais elegantes no frio. Você não concorda comigo? Compreendo. Creio que 99% dos meus leitores discordam de mim. Esse gosto pelo frio é um tanto egoísta. Não troco nada pelo abraço de Divo, adormecido e quentinho, nós dois sob um edredom tamanho king size. E o frio lá fora, na cidade enevoada. São Paulo tem amanhecido coberta por um denso nevoeiro. Lembrei da música bonita de Guilherme Arantes: A Cidade e a Neblina.
Quando a primavera chegar, com suas flores e cores, sentirei falta desta época, mas apreciarei os sabiás-laranjeira que pousam no telhado da edícula da minha casa, anunciando tempos quentes. Tudo denso, intenso, sinais de que a vida continua, com suas diferentes estações.

Mais que um compositor, um poeta! Guilherme Arantes e sua A Cidade e a Neblina.

















10 de jun de 2011

SANTINHO CASAMENTEIRO


Véspera do dia de Santo Antônio, santinho bom e casamenteiro. Todo dia 12 de junho, dia dos namorados, Vânia Rosa capricha na simpatia pra arranjar um bom marido. Do bolo distribuído em frente à igreja, até vela cor de rosa envolta em açúcar, de tudo a moça já fez. O tempo foi passando, sem qualquer resultado, senão dois namoros breves, o último com João Elias, o porteiro do prédio lá da esquina. Dois meses de namoro e veio a descoberta: João era noivo de Maria Elisa, enfermeira do hospital Nossa Senhora do Desespero. Desilusão!
De volta ao mercado das solteiras e aflitas, neste ano Vânia Rosa já comprou todo o material para o ritual mágico que lhe trará o ser amado. Comprou pano vermelho, fita dourada, essência de alfazema e um prato branco e virgem. Deverá levar o preparado a um jardim florido e deixar a parafernália sob uma árvore com um bilhetinho pedindo um marido carinhoso e apaixonado. O resultado, se depender de sua imensa vontade de se casar, será certeiro. Pra garantir o sucesso, colocou em todos os postes de sua cidade, Rio Baixo Lá do Alto, um cartaz com sua foto maquiada e sorrindo, número de seu celular e os seguintes dizeres: “Procuro, de preferência vivo, o homem que será meu marido. Pode ser gordo ou magro, a cor da pele tanto faz. Não precisa ser muito jovem, mas deve ser trabalhador e solteiro”.
O telefone não para de tocar, já ligou até a reportagem do jornal local. Na busca pelo novo amor vale quase tudo, afinal o santinho é compreensivo e ajuda pra valer quem merece se casar.
Deixo aqui algo bonitinho, a música em homenagem a Santo Antônio. E a você, que espera encontrar seu grande amor, desejo boa sorte! Quanto a mim, preciso dizer que sou devota de São Toninho?

9 de jun de 2011

FELIZ DIA DOS NAMORADOS!


Posso dividir minha vida em duas etapas: A.D e D.D. Isso significa: Antes de Divo e depois de Divo. Ou, pra ser mais justa, posso dizer que as etapas são A.A. e D.A.: antes do Álvaro e depois do Álvaro. Álvaro, esse o nome do meu “Divo Latívio”.
Antes de conhecê-lo, aos quarenta e nove anos de idade, a estrada que enfrentei foi de espinhos. Sozinha, buscando o meu par. Sempre acreditei no Amor. Não sou exatamente romântica, mas sonhava com alguém que fugisse à regra. Um homem incapaz de trair, mentir ou agredir. Coisas básicas pra que um relacionamento seja verdadeiro e valha a pena.
Realista, não esperava alguém perfeito, mas sim alguém cujos defeitos fossem compreendidos por mim. Não procurava um sapo que se transformasse em príncipe ao ser beijado, porém lá no fundo do meu coração pulsava a certeza de que assim seria, nos apaixonaríamos depressa e a decepção não aconteceria com as dificuldades normais de um relacionamento amoroso.
Altos e baixos acontecem. Namorar não é tão simples, assim como ser casado também não é simples. É preciso superar-se, abstrair a própria vontade, deixar de lado o egoísmo, a intolerância e aceitar a pessoa como ela é. Há a possibilidade de crescimento mútuo quando as coisas estão difíceis. Ajudar um ao outro, isso fortalece o relacionamento.
Sempre tive um modelo de Amor romântico a seguir. Admiro meu irmão e minha cunhada, um casal jovem, bonito. A alma daquele relacionamento é ela, a minha cunhada, Renata. Doce, ela é a meiguice com olhos amendoados. Forte, surpreendentemente forte! E ele, homem de sorte, experimenta há mais de vinte anos o sentido maior do casamento: Amor autêntico, respeito e compreensão.
Meu exemplo, tão contemporâneo! Um casal de irmãos. Ele está com câncer. É duro sim! Difícil pra todos nós, mas pra eles dois é indescritível essa dificuldade. E ela não o solta um instante. Cuida, mas com tanto carinho e tanta dedicação que, de novo, eis o meu exemplo. Aquela coisa do “amar e respeitar, na saúde e na doença”, está acontecendo pra valer e bem ao meu lado, em minha família. Quanto orgulho sinto deles dois!
Voltando à minha fase A.A., eu queria pra mim exatamente isso: um homem que fosse HOMEM. Que me acompanhasse, protegesse, respeitasse. Alguém que não se curvasse à extensa oferta de mulheres ao seu redor, que me elegesse pra ser sua companheira. Não pelos meus olhos claros, já com ruguinhas ao redor, mas pelo meu coração, pela minha alma e pelas minhas atitudes. E ele me reconheceu! Meu sapo se transformou em príncipe ao enfrentar ao meu lado momentos muito difíceis. Momentos dele, momentos meus e momentos nossos.
Nada mais é como foi um dia. Não há solidão em meu coração agora. Quando penso no dia de amanhã, meus pés saem do chão. Voltei a sonhar, a fazer planos, voltei a sorrir e até mesmo textos que escrevo ganharam o perfume da minha felicidade.
Neste dia dos namorados quero deixar a homenagem ao meu irmão, Flávio, e à sua linda Renata. Mais forte que a doença física, mais forte que qualquer dificuldade terrena, é o Amor que existe no coração deles dois.
Com eles aprendi que o passar do tempo não apaga a chama da paixão. O tempo é apenas uma ficção.
Que daqui a vinte anos, meu Álvaro e eu, nós dois com setenta anos, estejamos celebrando esta data como se ainda fosse a primeira. Não importa o estado civil que tivermos escolhido. Pra sempre, sempre, sempre, eu o amarei como meu maravilhoso namorado.
E você leitora, leitor, se estiver sozinha, sozinho, acredite que existe alguém destinado a ser seu par. Seja seletiva, seletivo. Não se conforme com menos do que Amor autêntico e recíproco. E você, que já tem seu par, seja forte, tempere a razão com a emoção. Agradeça aos Céus a pessoa que tem ao seu lado e celebre a data com muitos beijos e muito carinho.
Feliz Dia dos Namorados! Que todos sejamos um pouco Flávio e um pouco Renata, afinal o Amor é o sentido maior desta vida.

6 de jun de 2011

AOS NAMORADOS


O tema da semana é doce, tem lua, tem encanto e tem mel. Beijos, tão incontáveis quanto as estrelas que cintilam no céu. Abraços, que enroscam braços e formam laços. Noites em conchinha, calor de corpos encostadinhos. Tem romance, tem desejo. Esperança de eternidade. Esse dia tem também saudade.
Amor, mais que estado de alma, é a candura da vida. Quem ama, ainda que à distância, jamais está sozinho, tem o sentimento como boa companhia. Namorar, mais do que momento, é estrada que se trilha acompanhado, passo a passo, em dueto e pautado em ternos sentimentos.
Quem namora tem brilho no olhar, quem namora tem o par pra inspirar. Versos, trovas, prosas e de presente rosas. Quem ama tem um tempero a mais. Que delícia é namorar!
Que se faça eternidade. Que os beijos silenciem toda guerra. Que nesse dia a paz seja romântica, em homenagem aos casais apaixonados e também aos que namoram, apesar de há muito tempo de casados.
Feliz Dia dos Namorados!

4 de jun de 2011

POR UM TRIZ


Eu te desejo a sorte de quem escapou por um triz,
Que os arranhões profundos sejam apenas cicatriz.
Eu te desejo o suspiro de quem despertou de um pesadelo,
Que as lembranças sejam sinais, e não tormentos.
Eu te desejo todos os movimentos, sem dor ou lamentos.
Que o brilho do seu olhar não traga lágrimas, senão as de contentamento.
Eu te desejo saúde, pra começar e recomeçar.
Que o momento seja breve e o futuro se faça alento.
Eu te desejo a sorte de quem não tem tormentos.
Que os sinais comecem neste momento.
Eu te desejo que o seu olhar não deixe cicatriz, que sua saúde se faça alento.
Que o suspiro seja um brilho de contentamento.
Eu te desejo saúde, que os arranhões profundos sejam um pesadelo.
Que as lembranças sejam um triz, que o momento deixe apenas a cicatriz.

Meu irmão, Flávio, inspirou estas letrinhas. Já publicadas, isso há alguns meses, hoje tão atuais! Que sua recuperação seja breve, total e leve. Sare bem depressa, maninho!

1 de jun de 2011

PERFEITAMENTE DESLIGADA


Desde aquele dia eu não tinha uma experiência tão desastrosa. Cheguei a sentar-me no banco da pracinha, entre pombos e mendigos, para tentar colocar as confusas ideias de volta no lugar.
Desde aquele dia, quando entrei no avião errado, nada parecido acontecia. O voo? Ah, sim, não lhes contei ainda sobre isso. Precisava embarcar para Florianópolis, uma viagem relativamente curta, coisa simples e corriqueira. Porém, quando chamaram o voo, eu me dirigi ao portão de embarque, entrei no avião, acomodei-me na poltrona indicada na passagem. Tudo correu muito bem, ótima decolagem, pouca turbulência. Maravilhoso, até perceber que eu estava indo pra Brasília. Bem que havia notado aqueles sujeitos de terno, sisudos, mal humorados. Políticos, talvez.
Quis gritar, chorar, espernear. Se pudesse eu pediria pra descer, mas já que não sei voar, precisei esperar o pouso da aeronave. Fiquei descontrolada. Perdi a reunião de trabalho e fui piadinha por muito tempo lá no escritório.
Desde aquele dia, eu não experimentava uma sensação tão desconfortável. Vou lhes contar! Estava no supermercado. Fiz minhas compras normalmente. Validei o ticket, coisa moderna que possibilita a saída do estacionamento. Cheguei onde havia parado o carro, abri o porta-malas, guardei as minhas compras. Calmamente saí. Quando cheguei na garagem de casa, notei algo estranho. Que cadeirinha de bebê era aquela no banco de trás? Um mau pressentimento se apoderou de mim. Imediatamente lembrei aquele voo rumo a Brasília.
Desci do carro e meu coração parecia querer saltar boca afora. Aquele não era o meu carro! Modelo parecido, cor prata, mas não era o meu carro! Pensei no que fazer, nenhuma ideia razoável atravessava o meu cérebro. Liguei pra polícia.
– Polícia ao seu dispor.
- Moça, socorro. Roubei um carro.
- Como?
- Quero dizer, eu fui fazer compras no supermercado, mas quando cheguei em casa percebi que trouxe pra casa o carro errado. Dá pra entender?
- Senhora, comunicação falsa de delito é crime punido pelo Código Penal, artigo...
- Moça, dona policial, estou falando sério, eu vim pra casa com um carro que não é o meu!
-Sua chamada já foi identificada. Deseja ser presa em flagrante por falso comunicado de crime?
- Não é falsa! Eu sou de verdade e roubei, ou trouxe pra casa, um carro que não é meu!
E ela continuou duvidando de mim por mais algum tempo. Decidi, então, levar o carro de volta pro lugar onde eu o achei. Entrei no estacionamento tremendo, suando gelado. Faróis apagados, sem o cinto de segurança, pra poder correr se fosse necessário. A vaga ainda estava desocupada, nada estranho parecia ocorrer ao redor, nenhum policial, nem mesmo um segurança do supermercado, ou o dono do veículo. Estacionei rapidamente, fechei a porta e apressei meus passos, rumo à saída de pedestres. Lancei um olhar furtivo, quase criminoso, em direção ao objeto alvo da confusão. Pude ver a aproximação de um casal feliz, empurrando um carrinho lotado de compras, uma criança pequena no colo da mãe. Eram os donos do carro. Ao que parece, sequer notaram que estacionei mal pra caramba.
Sentei-me na pracinha para me recuperar. Ali fiquei a lavar meus pensamentos embaralhados. “Felizes são os pombos, que não precisam de avião para viajar. Feliz é aquele pedinte, um mendigo sem carro, sem compras e sem garagem para estacionar”.
Por fim, voltei a mim com o toque do celular. Era a polícia.
- Senhora Diva Latívia? Estamos ligando devido à informação de um crime.
Gelei.
-Crime?
- Sim, a senhora telefonou a exatamente duas horas comunicando ter roubado um veículo.
-Eu?
-Senhora, mais alguém usa esse aparelho de celular?
-Sim! Ou melhor, eu perdi o celular no supermercado, mas agora a pouco voltei e lá estava ele, em cima do balcão de frios. Não é mesmo incrível?
-Durante quanto tempo a senhora permaneceu sem seu aparelho celular?
-Umas... hã... Não sei! Eu demoro tanto pra fazer compras!
- Certo. Por gentileza, dirija-se a uma delegacia de polícia e comunique que seu celular ficou perdido.
- Ah, tá, pode deixar, seu guarda. Obrigada, viu?
- De nada. A polícia da cidade agradece a sua atenção.
Ah, eu queria ser uma pomba e voar pro Afeganistão. Queria ser mendiga e cair dentro daquele bueiro debaixo do viaduto. Como é mesmo o nome daquele chá que acaba com os problemas? Ah, sim, chá de cicuta. Veneno mortal.
Ai quem me dera não ser tão distraída, pisar por onde ando, olhar pra onde vou! Porém, tudo isso faz parte do meu show. Esta sou eu, uma Diva desligada, cheia de histórias maluquinhas pra lhes contar.