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Apresentação

Este blog nasceu no blog Janela das Loucas, onde assinava "Diva Latívia". Ali permaneci durante muito tempo, como autora principal das crônicas do blog. Redescobri que escrever é vital pra mim, guiada e editada por Abílio Manoel, cantor, compositor, cineasta e meu querido amigo. O Janela das Loucas não existe mais, Abílio foi embora pro Céu. Escrevo porque tenho esse dom divino, mas devo ao Abílio este blog, devo ao Abílio a saudade que me acompanha diariamente. Fiz e faço deste blog uma homenagem a aquele que se tornou meu irmão, de alma e coração. Aqui o tema é variado: cotidiano, relacionamentos e comportamento, em prosa e versos.







18 de jun de 2011

MEU QUERIDO DIÁRIO


Acordei com uma música cantada pela Marina Lima martelando na minha cabeça. Olhar você e não saber ... O resto da letra sei lá, mas cantarolei lá, lá, lá...
Corri pro Dr. Google e digitei: Marina Lima. Apareceu tanta coisa que precisei refazer a busca. Pesquisei: Marina Lima olhar você. Eis que lembrei o nome da canção: “Pessoa”, composição de Dalto e Cláudio Rabello.
Escutei a música entre lágrimas. É o retrato da minha situação neste dia, exatamente 11h00 da manhã. Descobri que estou mutilada. Tenho medo do que sinto, medo de amar meu Divo Latívio. Medo do futuro. Medo de perder pra mim mesma, afinal tornei-me uma espécie de flor exótica, perfumada, bela, mas com espinhos invisíveis que agridem ao ser tocada.
Já fui casada. Hoje sou divorciada. Acho que desde esse episódio tornei-me uma espécie de nave errante, nau sem rumo. Com sede fui ao pote, precisava de alguém, um homem que suprisse toda a lacuna e amenizasse a dor de ter fracassado amorosamente. Queria um lar, um par, dividir um teto, assinar outro sobrenome, ter cerimônia de casamento, festa, lua-de-mel. Esquecer que estava sozinha, esquecer. Quando superei o amor partido, iluminou-se minha vida com a chegada de Divo Latívio. Feliz, há quanto tempo eu não sabia o que era ser tão feliz?
Mas, o medo era a minha bússola. Sem direção, sem razão. Só emoção e a incerteza, insegurança de quem espera o único desfecho que já conhecia: o triste fim. Não caminhei para a felicidade, mas para o fim. Esse o caminho que escolhi, de modo incauto, sem querer.
Sublimar a culpa. Serei culpada? Admitir erros. Serei errada? Acalmar a alma,respirar fundo e esperar que o tic-tac das horas devolva a minha antiga serenidade.
Todo fim de relacionamento, por breve que seja, é muito triste. Ainda que sejamos donos do pé e não do traseiro. A ele pedi um tempo, pra que eu me recupere dessa dor, pra que eu reflita sobre o sentimento e permita que a razão tome uma decisão definitiva.
Amar você... Amor não é o suficiente. Pra relacionar-se é preciso Amor, respeito, compreensão, mesmos objetivos, tolerância. Não temos o mesmo objetivo, ele não deseja voltar a se casar, por motivos que merecem todo o meu respeito. Ando feito passarinho sem ninho, voando pelo bairro, entre minha casa e a casa dele, no bico a malinha com roupas que jazem amassadas. Um ano, resolvi arriscar falar em casamento. A negativa foi taxativa. Perdeu a segurança para ser meu par. E eu com um carregamento espetacular de afeto,tive que pegar a malinha e partir. Pensando mil e uma coisas, o coração parecia que ia explodir.
E eis que estou em minha casa. Sozinha, quem não foi viajar está por aí, passeando. O dia está bonito, céu azulzinho, ensolarado. Tão pouco tempo e tornei-me par daquele homem. Quando não estamos juntos, preciso improvisar. Fiz da família dele a minha família. Da casa dele o meu abrigo. Fiz da vida um dueto, na espera de nunca mais ir e vir, sacolinha na mão, ter sempre onde finalmente ancorar.
Terei que transformar tudo, uma reforma enorme para me adaptar ao dia-a-dia. Voltar a ver amigos para os quais faltava meu tempo. Recomeçar a tricotar meus cachecóis. A leitura do livro que ficou jogado sobre o criado-mudo. Dormir na cama que sequer ocupo há mais de seis meses. Sentir o cheiro da casa, nela deixar o meu perfume. Olhar pra dentro de mim, quase uma moleca, sem intenção de ferir, mas que firo e levo ao fim.
Abílio, que vocês já devem estar cansados de ler sobre, foi meu melhor amigo e faleceu há quase um ano. Éramos demais parecidos. Ele escutava meus desabafos, de vez em quando ele os lia no MSN. De vez em quando era ele quem despejava suas dores e dúvidas, que eu carinhosamente acolhia. Horas a fio de uma amizade um tanto psicoterápica. Era meu webmaster, meu editor. Havia uma proibição: jamais, nunca fazer do blog um diário. Eu poderia colocar até mesmo uma receita de bolo, mas nunca fazer do blog um diário.
Termino o texto com o título já escolhido. Talvez, o preço seja altíssimo. Estranhos estão a ler, mas o próprio Divo Latívio derramará o olhar sobre estas palavras. O resultado não consigo mais calcular. Estou sofrendo, creio não ter culpa, meu erro foi amar. Equívoco fatal o meu sonhar.
Deixarei mais um vídeo, apesar de também ter aprendido com o Abílio que não se deve publicar vários vídeos seguidos no blog. A música que me despertou tem hoje os tons, as cores do que lhes escrevi: Pessoa! Quem a compôs, possivelmente era tão louco quanto sou. Um sonhador que fazia malinhas, indo e vindo, sem porto para ancorar.



6 comentários:

Senhor Pitaco! disse...

Claudia. Muito bom seu blog. Parabéns.
Te convido a visitar meu espaço em http://senhorpitaco.blogspot.com
Hoje, escrevi sobre o perfil de homens que perseguem as mulheres após o término da relação.
Te espero lá. Estou seguindo. Bjs

Cláudia disse...

Senhor Pitaco,

Quanta honra tê-lo em minha listinha de divinos seguidores!
Obrigada pelo comentário e pelo elogio. Visitarei seu blog, farei uma visita.

Beijo,

Cláu

Anônimo disse...

(-2-)
Sei, ou melhor, imagino as suas aflições, mas me parece pelos seus relatos que água não falta na sua planta do amor. Intrometo-me a achar que você deseja fazer "como" a água deve cair em suas folhas, sem aceitar outras formas de alimentação. Um sistema bastante arriscado de sobrevivência, ouso dizer, em um meio onde a seleção natural é absolutamente implacável e cruel com as eleições equivocadas dos seres vivos. Não preciso aqui cansar-lhe, ou os seus leitores, com Darwin, mesmo porque julgo pouco saber dele, mas de seleção natural acho que dá para arriscar.

A sua água é o Dívio. Está escrito, você nos disse, você nos convenceu e se convenceu disso. Desculpe-me te dizer, mas estamos em um foro aberto de debates, não é mesmo? Pois bem, vou direto ao ponto, sem rodeios. Você quer - continue lendo, não tenha raiva de mim! - ou mais exatamente, você está exigindo que a água caia de uma determinada forma, qual seja, a do casamento, e não de outra forma. Você está impondo, com isso, para si, o fim da alimentação de sua planta que não seja pela sua forma. A água não pode vir na vertical, meio oblíqua, meio torta pelos ventos, circulares como em uma tormenta extra-tropical. A água precisa cair em suas folhas do seu jeito, senão nicas de pitibirebas.

Não sei se o casamento, nesse paralelo que traço, seria uma queda, um gotejamento, uma tempestade, um dilívio, uma dispersão de gotículas pelo ar vindas de uma cachoeira ou o que nosso pensamento quiser traçar como forma da água cair nas folhas de sua planta. Digamos, ainda rabiscando paralelos, que você não quer apenas receber uma benção (pois o amor é uma benção, isso para mim é premissa de conversa), mas também eleger como essa benção deve se derramar sobre você.

É um tremendo risco, para ficarmos em um patamar mínimo de diálogo. É quase como pegar uma consequência (sem trema, mas com trama) como causa. É muito fácil daí inferir o enfraquecimento da sua planta na sua floresta de vida. Qualquer um pode ver, até você. Ou principalmente você. A sua planta desértica não vai morrer com isso. De forma alguma!!! Só irá se desidratar, enfraquecer-se, debilitar-se, mudar quem sabe de cor e de forma, esconder-se em sombras de outras plantas e árvores que se tornarão forçosamente mais formosas, não pelo embelezamento delas mesmas, mas pelo "jururuamento" do amor. Mas o amor permanecerá lá, ainda que feinho, esquelético, franzino, esperando que alguma água salvadora caia da forma que você elegeu como "ideal" (jamais esquecendo que ideal vem de ideia, do imaginário) para alimentar a sua raiz.

Cá entre nós, ou "psit"!, parafraseando o Didi Mocó aos seus colegas de tratalhadas: você não consegue enxergar a sua planta dizer daqui a algum tempo, talvez curto demais, ou comprido demais, mas em um momento cruel que fatalmente chegará, a sua planta implorar: "Uma gotinha só de água, Senhor das Chuvas!!! Uma gotinha apenas, mundo cruel e maldito!!! Por que, Senhor, por que judias tanto de mim, por que EU , logo euzinha, desta forma cruel, desértica, só, sozinha, sedenta de tudo de água???". Eu consigo. Faça um teste com os seus leitores (como é que chama isso mesmo? A minha memória anda que é só o pó).

Gostaria que você pensasse muito nisso, intrometido que sou. O amor é a planta mais rara, a mais cara, a mais esplendorosa de sua floresta humana. A planta se autoirriga, mas não se autoalimenta. É verdade que basta a ela, um naco, um tiquinho só de um quase nada de água para viver, mas precisa de água. E há um momento na vida da planta em que a necessidade cresce, ô, se cresce... que se dane!!! Há muita água poluída, muita água fétida, muita sujeira que comporta uma diversidade de elementos quase mortais até, mas se contiver um microcomponente de água em sua sujidão, a sua raiz se regozijará se a suas folhas comportarem o pouso desse sólido imprestável para quaisquer fins de sobrevivência digna, não fossem as parcas moléculas aquosas que carrega em meio a si.

tropecosdeumgourmet disse...

(-3-)
Pense nisso, com o carinho que você e a sua planta desértica carecem. Casamento pode ser até um dilúvio em sua floresta, se assim você acha que é, mas o casamento é apenas uma das formas de expressão do amor. Não é a única - longíssimo disso!!! - nem tampouco, muitas e muitas vezes, a melhor forma de veicular a tão sonhada, esperada, desejada e necessária água. Basta a água ser limpa para fazer bem a você, à sua planta. Se ela quiser encher você de orvalho, por que não? É preciso que seja em meio a uma torrente? Ou seja lá a forma de sua ideia de contato ("contrato"?) de suas folhas com a água?

Pense nisso, acho que a sua querida mãe - desculpe-me dizer algo sobre ela, mas agora se torna inevitável - a sua melhor e insubstituível amiga que você teve nesse plano e nessa passagem, diria a você coisa assemelhada ao que eu digo a você agora. Vai por mim, atrevo-me a dizer que tenho certeza disso. Assim, eu e ela fazemos dois votos de peso para sua consciência.

Com o carinho que lhe dedica esse leitor assíduo,

RaaaaaaaaaaaaaadiooooooooooActiiiiiiiiiiiveee Maaaaaaaaaaaaaaaaaaaannnnnnnnnnnnnn em seu primeiro ataque, visando a defesa da humanidade, um por um de cada vez, por favor(calma que ainda tem um PS abaixo, porque um texto longo com PS insinua que ele não se esgota em si)

PS: esse ruibarbo tem, ainda, uma bela flor vermelha em seu centro. Imagina só, aquelas folhas duras, proprietárias de veios, planaltos, planícies, altitudes e depressões, canalículos dirigidos à raiz, possuindo uma delicada flor vermelha bem no centro de si. O que será essa Flor Vermelha?

Beijos tão longos e dedicados quanto o texto de meus comentários.

Anônimo disse...

(-1-)

Diva Latívia,

Vou tentar postar o meu escrito em dois ou três comentários, pois o meu HTML não pode exceder a 4096 caracteres e não sei quantos ele terá, encherá o saco contar tudo. Assim, irei por partes.

Li o seu texto e não tenho como não falar o que acho dele. Imagino o seu sofrimento. Apenas imagino. Nunca passei pelo que você está passando, mas, claro, conheço quem já passou ou passa por essas aflições, assim como conheço quem acabou por encontrar soluções. Na verdade, pesquisando em meus arquivos mentais, todos encontraram soluções.

Os meus comentários poderiam ultrapassar as linhas de um post em seu blog, de dez posts, talvez coubessem um livro. Não: um livro de vários volumes, ainda que o "publisher" não gostasse. Ou gostasse, sei lá, há tantos livros seriados por aí que vendem feito água... E é de água que falaremos mais adiante, já chegaremos lá. Mas o livro que eu dizia estará sempre inacabado por mais que se escreva, por mais que se esforce em terminá-lo, pois terá por objeto central o amor e o amor é inegostável, assim como todo o universo que o circunda. Mas chega de "divaneios". Vou sintetizar tudo em um comentário longo, mas, creia-me, o mais sintético que consigo por enquanto.

Todos os sentimentos humanos são complexos, possuem raízes que tocam solos de composições as mais diversas, raízes ora profundas, ora rasas e, quem diria, há também raízes aéreas, como recentemente me ensinou a minha Diva. O Amor, dentre todos os sentimentos, sobressai-se por sua complexidade e, paradoxo dos paradozos, por sua singeleza. É uma planta única nessa floresta, imensa floresta, de esplendorosa e inigualável beleza e capacidade de sobrevivência. Mesmo quando aparentemente debilitada, doente ou morta, o amor é uma autêntica planta do deserto inserida em um intrincado ecossistema, ímpar em meio tantos de seus pares postos em corpo, mente, espírito, alma e personalidade humanos.

Deixe-me fazer um paralelo que facilitará, e muito, a minha formulação de hipótese - que poderá ter ou não a sua aceitação, essa é uma outra hipótese cuja variável principal é você mesma. Há uma planta conhecida como “ruibarbo do deserto”, localizável no deserto de Negev, em Israel, única em nosso planeta por deter a propriedade de irrigar a si mesma, utilizando-se de um eficaz sistema de retenção de água. Ela é extraordinária, loquaz em todo mundo conhecido! Ela consegue captar, veja só, até dezesseis vezes mais água do que as outras plantas de deserto existentes na Terra!!! Em toda Terra, eu digo, coloca aí a Amazônia, se quiser. Claro que ela tem um segredinho - pode contar para todo mundo, vai fazer bem a todos, inclusive a você. É que ao contrário das outras plantas desérticas, portadoras de folhas pequeninas, plantas consistentes às vezes apenas de espinhos, que visam não provocar a evaporação da água que entraria em contato com ela, usando-se de superfícies as menores que conseguir de folhas, expondo-se assim o menos possível à torridez, à insolação, esse ruibarbo tem folhas grandes, enormes, rígidas, portadoras de canalículos impermeáveis que descem, como as cordilheiras onde residem geograficamente o ruibarbo, diretamente à raiz-mãe da planta, alimentando-a. Um complexo sistema de canalização de água que desafia o sistema de todas as outras plantas desérticas da Terra, cujas raízes se aproveitam diretamente da água que cai no chão, sem a ousadia da interferência de suas folhas.

O amor é assim. Em meio a tudo que o cerca, o amor é um sentimento que se autoirriga. Precisa apenas de água, um pouquinho que seja.

Cláudia disse...

Flavinho,

Meu irmão tão amado! Aí, internado no hospital, isolado e recebendo doses de iodo radioativo. A luta contra o câncer, que dói, maltrata, incomoda. Porém, a vida tem algo surpreendente em seus meandros. Ela tira e, em troca, devolve algo bonito, viçoso e extremamente bom. Você parece ter brotado, longe de se parecer com o texto brincalhão que escrevi, falando da burrice masculina, você é um raro exemplar masculino que sente, pensa e ama sem medo. Nem todos são assim, infelizmente.
Atravesso mais do que um deserto. Parece que viajei até à lua, cá comigo falta de gravidade e crateras. Até encontrei uma bandeirinha dos USA! rsss
Estou sofrendo, não pela recusa de alguém se casar comigo, mas por toda a negação. Pelo não, dito de modo frio. Por ter me dito que não se sente seguro ao meu lado. Isso bastou pra que não só a esperança, mas também o vínculo ficasse demais abalado.
Fui chamada de desequilibrada. Se esquece, quem disse isso, que venho de uma sucessão enorme de perdas imensas. Nossos pais, o Nelson. Que tenho mais de um problema grave de saúde em família, que sou responsável por um irmão deficiente. Todas as dificuldades naturais da vida eu enfrento e mais essas. Portanto, se ando triste, se meu temperamento que não é fácil anda piorzinho, ele deveria saber lidar com isso sem me dizer besteiras, sem exigir bobagens e sem ignorar toda uma situação.
Estou triste, sei lá o que ainda vai acontecer.
Espero que, na pior das hipóteses, reste a nossa amizade.
Mano, você merece um beijo e um abraço. Ainda que assim, tão radiativo, segue aqui o meu carinho, o meu amor por você. Força, você vai sim ficar curado!
Beijos de sua irmã.

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