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Apresentação

Este blog nasceu no blog Janela das Loucas, onde assinava "Diva Latívia". Ali permaneci durante muito tempo, como autora principal das crônicas do blog. Redescobri que escrever é vital pra mim, guiada e editada por Abílio Manoel, cantor, compositor, cineasta e meu querido amigo. O Janela das Loucas não existe mais, Abílio foi embora pro Céu. Escrevo porque tenho esse dom divino, mas devo ao Abílio este blog, devo ao Abílio a saudade que me acompanha diariamente. Fiz e faço deste blog uma homenagem a aquele que se tornou meu irmão, de alma e coração. Aqui o tema é variado: cotidiano, relacionamentos e comportamento, em prosa e versos.







1 de jul de 2011

O CHÁ QUE PROMETE ARRUMAR CASAMENTO


Considero o sossego o bem imaterial mais valioso que alguém pode obter. Quem tem sossego está em paz, tem saúde, amor, não está com a conta corrente no vermelho, dorme tranquilamente, está de bem com o espelho. Ah, sossego... Estava sossegadinha e ainda despertando nesta manhã.
A inspiração passou ligeirinha por mim. Sussurrou uma nova ideia para uma crônica. Diante do televisor, ao lado de Divo. Pouco mais de oito horas da manhã. No telejornal a matéria sobre o clima frio e, depois, outra reportagem: cerejeiras floridas no sul do país. Belas imagens, o contraste das flores e galhos delicados com o azul intenso do céu.
Ainda sonolenta, eis que brilhou a ideia: tradição oriental, convescote sob as cerejeiras. Reunião feliz, bucólica. Para aquelas que desejam o casamento, a recomendação é beber chá sob as floridas cerejeiras. Aquelas que tiverem a sorte de ter seu chá abençoado com uma pétala da cerejeira trazida pelo vento, se casará e terá felicidade.
Até aqui está bonitinho o meu texto, mas nasci para ser palhaça. Portanto, eis que decidi beber chá sob uma cerejeira em flor. Ao lado da minha casa, dona Mityko, amiga de minha mãe, tem uma cerejeira na frente de seu belo sobrado branco. Apressei-me. Procurei um chá de saquinho, não tinha de camomila, serviu aquele de nome esquisito: “bons sonhos”. Esquentei a água no micro-ondas, escolhi uma canequinha com a estampa da Cinderela. Mergulhei caprichosamente o sachê do chazinho na água escaldante. E lá fui eu, pro outro lado da rua.
Estava ali, ansiosa. Nada do vento soprar. Olhava pra cima e, vez ou outra, olhava ao redor. A cada vizinho que por ali transitava, eu tentava disfarçar. Olhava pra cima, ia mais pra frente, mais pra trás, mais pra direita, mais pra esquerda. Um motoqueiro passou e buzinou pra mim. E eu lá, mirando as pétalas da cerejeira em flor, uma espécie de malabarismo segurando a xícara e olhando pro alto. Passou um vizinho. – Bom dia, Sr. Antônio. É... Estou aqui admirando a cerejeira! Bonita, não é? E lá se foi o Sr. Antônio, sem dar muita bola pra minha maluquice. Eis que passou por mim o vigia da rua, Vanderlei. – Ô Dona Diva, a senhora tá procurando a dona Mityko? Ela saiu cedo hoje. – Não, Vanderlei. Eu vim aqui olhar a cerejeira. E papo vai, papo vem, mostrei a ele o chá. Coitadinho, àquela hora ainda não tinha tomado o café da manhã. Generosa, ofereci um golinho da xícara, eu poderia preparar outro chá pra mim. E eis que, nesse momento, nas mãos de Vanderlei, a pétala de flor caiu dentro do chá.
Pois é. Não serei eu a casar-me. Não desta vez. Preciso voltar lá, tentar outra vez. Quem sabe, convencer Divo a passear sob a árvore, segurar a xícara pra mim só um pouquinho? Acho que se ele se casar, a chance de eu me casar também se multiplicará. Quem sabe um case com o outro, Divo e Diva, coincidência feliz. Pois é, caro leitor, eu não desisto. Até simpatia oriental está valendo. Se souber de algo mais eficaz, conte pra mim. Quanto ao Vanderlei, continua de rolo com a faxineira da casa do final da rua. Não ata, nem desata. O chá “ bons sonhos” parece ter surtido algum efeito, não o vi o resto do dia, deve ter ido embora pra casa mais cedo. Eita chá danado de bom! Se não arruma casamento, ao menos dá um soninho irresistível!

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