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Apresentação

Este blog nasceu no blog Janela das Loucas, onde assinava "Diva Latívia". Ali permaneci durante muito tempo, como autora principal das crônicas do blog. Redescobri que escrever é vital pra mim, guiada e editada por Abílio Manoel, cantor, compositor, cineasta e meu querido amigo. O Janela das Loucas não existe mais, Abílio foi embora pro Céu. Escrevo porque tenho esse dom divino, mas devo ao Abílio este blog, devo ao Abílio a saudade que me acompanha diariamente. Fiz e faço deste blog uma homenagem a aquele que se tornou meu irmão, de alma e coração. Aqui o tema é variado: cotidiano, relacionamentos e comportamento, em prosa e versos.







3 de ago de 2011

DIVA E SEUS ACESSÓRIOS DE BELEZA


Divo condenou a imensa quantidade de coisas que guardo no armarinho do banheiro. Entenda quem quiser essa mania de mulher! Ali tem creme hidratante corporal, creme hidradante facial, creme anticelulite, creme para os pés, creme para as mãos. O quesito maquiagem é vasto e complexo: máscara para os cílios de cores diversas: preta, azul, marrom e incolor. Tem lápis pra contorno dos olhos, tem delineador e tem lápis de sobrancelha. Um tal de curvex, que lembra um instrumento medieval de tortura e promete curvar os cílios. Tem base líquida, base em pó. Tem pó de arroz, como dizia a vovó: translúcido. Blush de duas cores: mais claro e mais escuro. Tem sombras das cores mais incríveis, a amarela nunca usei. Já sei que sou maníaca: tenho mania de batom! Pinça, jamais esqueço a pinça, que serve pra puxar fiozinhos, mas também já serviu para remover caquinho de vidro fincado no pé. Tem desodorante que combina com o perfume, tem desodorante sem perfume: roll on, spray, em forma de creme. Para os cabelos, uma infinidade de itens: shampoos sem sal, shampoos para cabelos com tratamento químico, condicionadores muitos, máscaras hidratantes que prometem deixar os cabelos sedosos e brilhantes. Os perfumes deixo no quarto, para melhor conservá-los. Tem umas tais pomadas, para ajeitar os fios rebeldes de minha franja. Pranchinha, dois secadores, escovas redondas de tamanhos diversos. Joguinho de pincéis, de vários tamanhos e formatos. Touca de banho? Isso tenho de dúzia, só perde pra quantidade de lixas de unha: umas trinta. Bobe! Grampos, prendedores que levam a fama de piranha. Tudo o mais delego ao cabeleireiro, até porque não há espaço no armário do banheiro. Tudo muito essencial e olha que nem comentei sobre algo fundamental: meus itens indispensáveis para as unhas, para os pés, para a depilação de minhas pernas. Acho, preciso de um espaço enorme que abrigue todos os miúdos pertences que uso diariamente.
Quando fomos visitar aquele lindo apartamento, com a intenção de comprá-lo, olhei para o guarda-roupa do quarto de casal e segurei o riso.
Pequeno para a quantidade imensa de roupas que tenho. Hoje, em minha casa, há um armário para roupas de inverno, um armário para roupas de verão e, para os muitos pares de sapatos que tenho, há espaço sob a cama e até mesmo dentro de gavetões.
Moral da história: para casar-me com Divo Latívio será necessário promover um mega bazar. Quem sabe, abrir um brechó? Desfazer-me de metade de minhas roupas, cremes, perfumes e, principalmente, sapatos.
O problema é que tudo o que tenho considero necessário. Nem sei por onde começar. Quando separei as sandálias, deu até vontade de chorar! Creio, sou Diva na alma e não apenas no nome. Meu quarto, um camarim de superstar, com direito a espelho enorme, muito brilho e uma vastidão de cores e texturas. E eis que acabei de lembrar: a louça que herdei, baixelas, faqueiro de prata da vovó. Cristais antigos, toalhas de linho. E tem os livros, alguns tão velhos que poderiam ir direto pra algum museu. O que será de mim? Nem sei. Meu acervo é tão grande que eu precisaria de uma casa pra morar e uma outra casa para guardar tudo o que possuo. Creio, não vou caber em meu novo lar! Ah, sim, leitor. Pois não. Se vou casar? Oh, não, infelizmente não. Mas, quando vi aquele apartamento passei a sonhar. Meus pertences ali não caberiam, mas o sonho que acalento encaixou-se tão perfeitamente dentro daquele espaço que dei-me a chance de sonhar. Divinos delírios!

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