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Apresentação

Este blog nasceu no blog Janela das Loucas, onde assinava "Diva Latívia". Ali permaneci durante muito tempo, como autora principal das crônicas do blog. Redescobri que escrever é vital pra mim, guiada e editada por Abílio Manoel, cantor, compositor, cineasta e meu querido amigo. O Janela das Loucas não existe mais, Abílio foi embora pro Céu. Escrevo porque tenho esse dom divino, mas devo ao Abílio este blog, devo ao Abílio a saudade que me acompanha diariamente. Fiz e faço deste blog uma homenagem a aquele que se tornou meu irmão, de alma e coração. Aqui o tema é variado: cotidiano, relacionamentos e comportamento, em prosa e versos.







15 de ago de 2011

EM FARTA ASCENSÃO


Essas liquidações de inverno lotam as lojas. No final de semana resolvi ir ao shopping comprar uma nova calça jeans. Entrei em uma butique dessas de grife, estava superlotada. Enquanto eu olhava as roupas penduradas em araras, nenhum vendedor apareceu pra me atender. Já estava no local há uns dez minutos quando escutei isso: - Quanto custa?
Olhei sem entender nada. Estava vendo umas blusas quando uma senhora carregada de sacolas me fez essa pergunta. Solícita, olhei pra ela a etiqueta: - R$170,00.
– Tem tamanho 38?
Admirei sua figura, de cima abaixo. Certamente a blusa era pra dar de presente pra alguém magrinha. Novamente olhei a etiqueta da blusa, que sorte a dela, era tamanho 38! - Tem sim, esta aqui é 38!
- Se eu pagar à vista tem desconto?
- Ah, acho que não tem, porque a loja está em liquidação, tudo pela metade do preço.
- Onde fica o provador?
Apontei pro fundo da loja e lá se foi a senhora gordinha, calculei que seu manequim não deveria ser menor que 48. Minutos depois, voltou com ares de vitória: - coube certinho em mim. Pode embrulhar? Vou levar. E foi aí que percebi que a mulher estava me confundindo com uma vendedora da loja. - Ah, não, eu não...
- Como não? Vai me dizer que porque é promoção vocês não embrulham a mercadoria?
- Não, senhora, é que eu...
- Nós, os consumidores, já estamos cheios dessa frescura de sacola retornável. Quero que coloque a minha compra em uma sacola da loja.
- Não, senhora, eu...
- Como não? Eu exijo meus direitos!
- Senhora, desculpe, eu...
– Sim, você! Eu vou pagar à vista e quero desconto. Quero 10% de desconto e quero uma sacola.
– Eu não...
- Não? Então fique com essa porcaria de blusa, não vou levar. Jogou a blusa no chão e foi embora da loja, pisando duro.
Tentei me recuperar do stress momentâneo. Respirei fundo e fui procurar minha calça jeans. Assim que encontrei algo do jeito que procurava, tentei encontrar uma vendedora. Lá estava uma mocinha, que parecia atender um comprador. – Moça, por favor, tem manequim 42? Olhou-me de cima abaixo, ares de dúvida. Insisti: - Não tem tamanho 42?
- Desculpe, não trabalho nesta loja.
Desisti. Fiquei vinte minutos dentro da loja. Fui confundida com uma vendedora, pra completar eu confundi uma cliente com vendedora também. Não encontrei minha calça jeans e a dor de cabeça começou a me atiçar, tal a raiva que passei. Decidi comer uma coxinha, beber um suco de laranja. Sentei-me na praça da alimentação, aproveitei pra, discretamente, tirar as sandálias que estavam matando meus pés. Olhei pro lado, quem estava ali? Ela, a compradora que havia me confundido com vendedora. Não parava de me olhar. Em certo momento, levantou-se e veio na minha direção.
- Estou te reconhecendo!
Praticamente esfregou uma sacola de loja no meu nariz. - Isso é pra você e sua loja ficarem sabendo. Fui na outra loja, fui muito bem atendida e me deram desconto e sacola. Tá vendo? Nunca mais comprarei naquela butique, entendeu? E você é uma péssima vendedora! Péssima!
Sem saber o que responder, agradeci: - Obrigada, senhora. E fui embora, sob o olhar mal humorado de minha algoz.
Aproveitei pra ir à loja onde a maluca fez as compras. Excelente. Fui bem atendida, ganhei desconto, sacolinha plástica anti-natureza e ainda me ofereceram água e café. Pensando bem, já que é pra gastar o suado dinheirinho, pois que seja em um lugar onde a gente é bem atendida. Virei cliente da loja e, quanto ao meu manequim, apertei, apertei e coube no 42. Tudo culpa de Divo Latívio que tem preparado aqueles quitutes irrecusáveis. Vaca atolada, torta de palmito, pastelão de forno. E eu, na escala de ascensão de numeração, já alcancei o manequim 44. Não é à toa que a turma daquela obra, o prédio em construção ao lado do meu trabalho, tem assobiado, cantado e falado bobagem quando passo, algo sobre jaca, melancia, essas coisas. Estou farta de medidas, eis a explicação. Diva, a Miss Mestre de Obras. Acho melhor reverter isso depressa, antes que chegue o verão!

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