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Apresentação

Este blog nasceu no blog Janela das Loucas, onde assinava "Diva Latívia". Ali permaneci durante muito tempo, como autora principal das crônicas do blog. Redescobri que escrever é vital pra mim, guiada e editada por Abílio Manoel, cantor, compositor, cineasta e meu querido amigo. O Janela das Loucas não existe mais, Abílio foi embora pro Céu. Escrevo porque tenho esse dom divino, mas devo ao Abílio este blog, devo ao Abílio a saudade que me acompanha diariamente. Fiz e faço deste blog uma homenagem a aquele que se tornou meu irmão, de alma e coração. Aqui o tema é variado: cotidiano, relacionamentos e comportamento, em prosa e versos.







10 de ago de 2011

FOREVER YOUNG!


A gente aprende certas coisas durante a vida que, nem sempre, correspondem à realidade. Desde que “cinquentei”, ou seja, desde que completei cinquenta nos de vida, passei a ter provas diárias do quanto sempre fui preconceituosa quanto ao avanço da idade. Aqui escrevo o texto no Word, para posteriormente “copiar e colar” no editor do blog. Recém-operada de catarata, a visão está melhor do que anteriormente, mas não posso abusar desses meus olhinhos ainda dodóis. O corretor do Word grifou palavras nas cores vermelha e verde, creio estar cometendo erros imperdoáveis de gramática. Espero que sejam relevados.
Voltando ao tema deste texto, sempre fui preconceituosa quanto ao avanço da idade e, somente agora, posso compreender isso. Uma sobrinha, outro dia, sem notar meus ouvidos atentos, contava para outros jovens que alguém já era velha, tinha mais de quarenta anos a tal mulher. Não fiz qualquer comentário, mas viajei no tempo. Aos vinte, trinta anos de idade, eu também considerava minha mãe, apenas dezesseis anos mais velha que eu, uma velha, ou como se dizia naquela época: coroa.
Há algumas décadas, quando eu tentava imaginar o meu futuro, acreditava que, aos cinquenta anos, eu teria grossas varizes nas pernas, cabelos grisalhos, estaria gorda, usaria dentadura, estaria meio caduca e teria operado catarata. Ops! Não tenho varizes, nem uso dentadura, portanto estava meio enganada.
O tempo passou, aliás o tempo passa pra todo mundo. Quando vejo fotos antigas, minhas e de todos aqueles que são meus contemporâneos, admiro a mudança física de cada um. Não somos jovenzinhos, estamos mais velhos. O que perdemos, afinal de contas? Perdemos o padrão de beleza ditado pela sociedade. Para ser desejável, uma mulher precisa ser magra, ter cabelos lisos e longos, de preferência loiros. Aí vale a tinta! É preciso usar roupas da última moda. Na foto, deve fazer biquinho ou caras e bocas. E isso tudo me irrita profundamente. Creio que uma das últimas fotos que tirei, ou melhor, uma das últimas fotos que tiraram de mim, estou usando chapéu de caipira e fazendo careta. Sempre na contramão, sou assim. Os homens também sofrem com essa ditatura de beleza, esse hedonismo compulsório. Carequinha, barrigudinho, grisalho, nada disso se parece com um garotão de vinte e poucos anos. Pessoalmente, acho os homens mais velhos extremamente charmosos. Idem as mulheres mais velhas, ficam lindas, especialmente quando “pensam jovem”.
Já fui considerada uma mulher muito bonita fisicamente. Quanto mais bonita a mulher for, isso naturalmente, sem o uso e abuso dos recursos estéticos, tanto maior é a cobrança social para que permaneça bonita. E a juventude vem atrelada a esse conceito, ou preconceito, de padrão de beleza feminina.
Outro dia um conhecido olhou meu semblante e exclamou: “nossa, você está diferente!”. Eu olhei bem dentro de seus olhos ( ou tentei, afinal andava meio cegueta) e quis decifrar o motivo daquela exclamação sem qualquer sentido. Diferente no quê, oh criatura? A resposta foi: você está mais velha, tem até umas ruguinhas em volta dos olhos, que pena! Pois ele foi embora com a minha resposta: vá à merda. Desculpe, leitor, mas mandar alguém ir à merda em uma situação dessas, considero o mínimo a ser feito. Espero que ele tenha ido e que não volte, ou que volte mais velho.
Envelhecer é parte da vida. Hoje em dia as pessoas têm uma expectativa de vida muito maior do que no tempo de nossos pais, de nossos avós. Se houver boa saúde, viveremos até os noventa anos de idade, isso pelo menos. A minha avó tem noventa anos de idade! Portanto, eu me recuso a me sentir uma velha, eu me recuso a ser chamada de velha e eu me recuso a envelhecer sem qualidade de vida. Passarei os próximos trinta, talvez quarenta anos ou mais, sendo uma velha? Claro que não. A velhice está na maldade alheia, está no julgamento equivocado das pessoas, está na ditadura de beleza que determina que apenas as gatinhas de bumbum empinado são belas. Um dia elas também vão envelhecer e, nem por isso, serão menos belas!
Para completar, eu sonho em um dia voltar a me casar. Divo Latívio está na minha mira. E quando eu falo em casamento, não falo em fazer as malinhas e mudar pro lar, doce lar de Divo. Falo em casamento mesmo, com papel, cerimônia, alianças e lua-de mel. Escutei uma exclamação desagradável outro dia: nessa idade? Com cinquenta anos? Sim, nessa idade sim! Porque estou viva e tenho meus sonhos. Meus olhos podem ter ruguinhas ao seu redor, ruguinhas que o tempo cravou, ruguinhas de quem já muito riu e muito chorou. Mas, os meus sonhos têm ainda o bumbum durinho, a pele lisinha e eles não envelhecerão jamais.
E tudo isso foi pra lhes dizer que ontem operei um dos meus olhos, o olho direito. Adeus, catarata, metade de um dia se passou desde a cirurgia e já estou aqui, a digitar letrinhas pra vocês. Meio dia mais velha, mas com a visão e os planos de uma garotinha que envelhece sem envelhecer.

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