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Apresentação

Este blog nasceu no blog Janela das Loucas, onde assinava "Diva Latívia". Ali permaneci durante muito tempo, como autora principal das crônicas do blog. Redescobri que escrever é vital pra mim, guiada e editada por Abílio Manoel, cantor, compositor, cineasta e meu querido amigo. O Janela das Loucas não existe mais, Abílio foi embora pro Céu. Escrevo porque tenho esse dom divino, mas devo ao Abílio este blog, devo ao Abílio a saudade que me acompanha diariamente. Fiz e faço deste blog uma homenagem a aquele que se tornou meu irmão, de alma e coração. Aqui o tema é variado: cotidiano, relacionamentos e comportamento, em prosa e versos.







11 de ago de 2011

O TRIO


Lá vou eu. Seja lá o que Deus quiser!
Não devo usar os óculos de grau. Meio que vejo, meio que não vejo. O olho direito tem a lente importada, bifocal, caríssima e já implantada após a cirurgia de catarata. O olho esquerdo é o mesmo de sempre, original de fábrica. Tem catarata, precisa dos óculos de grau. Se eu usar os óculos, prejudicarei o olho direito, que já tem a lente. Estou sem óculos, como eu diria de modo informal: tá tudo embaçado! Mas vejo, incrivelmente eu vejo!
Segue o texto, pra inaugurar a visão, ainda que em fase de recuperação, capenga e complicada.
Descobri que estava ficando cega, mas a descoberta sensacional é outra. Divo está surdo. Talvez algo emocional, devido ao stress diário de quem vive em uma cidade frenética e doida feito a nossa São Paulo. Talvez, ele precise ir ao otorrinoseiládasquantas, pra descobrir se precisa desentupir os ouvidos. Mas, que ele está ficando surdo, está. Não comentem isso com ele, por favor. Ficaria magoadíssimo com a divulgação dessa notícia para o Brasil e o mundo. Especialmente para a Letônia, onde um leitor assíduo acompanha diariamente o meu blog. Beijos para Latvia, vizinha da Lituânia, terra de Divo Latívio.
Hoje o que aconteceu aqui nesta casa merece vários textos, foi tão engraçado que se eu não compartilhar com vocês terei uma crise de riso após a outra, melhor rir de uma só vez. Rir de modo compartilhado.
- Bom dia, Divo!
Não respondeu.
- Bom dia, Amor!
- Poxa, Diva. Tome o remédio que o médico prescreveu pra dor.
- Que dor, Divo?
- Então! Tá doendo, tome o remédio!
- Eu falei Amor, não falei dor!
- Que coisa, Diva! Vou pegar o remédio pra você!
Tive que tomar um analgésico na marra! Sem dor alguma, sem precisar de remédio algum!
Fui pra sala contendo o riso. De que adiantaria teimar com ele? O televisor ligado na sala, altíssimo!
- Divo!
Nada.
- Divoooooooooo!!!! Poxaaaaaaa!!!!
- Hã?
- Abaixa a televisão!
- Não. Agora não dá, estou com pressa, hoje tenho que sair mais cedo. Pode ser mais tarde, Amor? E segurou caridosamente a minha mão.
Não sei o que ele entendeu, mas acho que foi outra coisa terminada com “ão”.
E aqui eu meio cega, meio vendo. Lá se foi Divo porta afora, quando eu disse tchau ele respondeu: pra você também.
Esbarrou na nossa ajudante do lar, Zezé, que saía do elevador.
- Bom dia, Seu Divo. Tudo bem?
- Não sei, Zezé, mas quando encontrar guarde pra mim. Até mais tarde.
E foi embora.
Zezé não se conteve: Eu, heim? Isso tá parecendo casa de doido. Não falo mais nada, vou ficar mudinha!
Que trio! Uma cega, um surdo e uma muda.
É a vida, é a vida...

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