É proibida a reprodução não autorizada dos textos deste blog, de acordo com a Lei nº9.610, de 19 de fevereiro de 1998, que regula os direitos autorais.

Apresentação

Este blog nasceu no blog Janela das Loucas, onde assinava "Diva Latívia". Ali permaneci durante muito tempo, como autora principal das crônicas do blog. Redescobri que escrever é vital pra mim, guiada e editada por Abílio Manoel, cantor, compositor, cineasta e meu querido amigo. O Janela das Loucas não existe mais, Abílio foi embora pro Céu. Escrevo porque tenho esse dom divino, mas devo ao Abílio este blog, devo ao Abílio a saudade que me acompanha diariamente. Fiz e faço deste blog uma homenagem a aquele que se tornou meu irmão, de alma e coração. Aqui o tema é variado: cotidiano, relacionamentos e comportamento, em prosa e versos.







8 de out de 2011

AI, O ASTRO!!!


Eu não assistia às novelas. Não assistia, mas agora assisto. Novela é santo remedinho pra deixar a minha cabeça totalmente oca, sem pensar em nada, senão na trama televisiva. Às vezes, nem presto atenção, fico em alfa sem pensar em absolutamente nada. Já sei quem é a Pereirão, por exemplo, com Lilia Cabral dando um verdadeiro show de interpretação. Pereirão ganhará na loteria e, tomara, aposentará aquele macacão. Porém, quisera não ser vencida pelo sono e assistir à segunda versão de O Astro. No século passado, quando eu era adolescente, a primeira versão foi estrelada por Francisco Cuoco. A atual versão tem Rodrigo Lombardi. Nada mau!
Estava em casa, chegou de viagem um dos meus irmãos. Esse vive viajando, pra lá, pra cá, sua vida é viajar a trabalho. Contou que viajou sentadinho ao lado de um ator. O nome não sabia. Disse assim: aquele da novela! Chutei o nome de mais de uma dúzia de atores, nenhum era o tal passageiro que sentou ao seu lado. Por fim, apareceu na TV uma chamada de O Astro e ele apontou pra telinha: esse cara aí! Quase surtei. Viajou sentado ao lado de ninguém menos que o próprio: Rodrigo Lombardi.
Ô vida injusta, comigo nada disso acontece! Minha última viagem de avião foi o pior sufoco. Voo atrasado, aeroporto lotado. Meu assento, previamente marcado, estava ocupado. Uma senhora gorducha levando uma dessas gaiolas destinadas aos animais de estimação. Fui educada: bom dia, senhora. Está sentada no meu lugar! Ela me olhou como quem mira uma lata de lixo. Meio indiferente, meio fazendo arzinho de nojo. Não respondeu. Repeti o que tinha dito antes, agora um pouquinho impaciente. Nada, apenas murmurou: - e daí? Sem alternativa, chamei a comissária de bordo. – Bom dia, comissária. Esta senhora está sentada no meu lugar. Pronto, começou a confusão. A mulher se agarrou ainda mais à gaiola e exclamou: não vou sair daqui, a janelinha é o lugar preferido do Rubens Miguel!Esse era o nome de um gato de quatro patas que, ao escutar seu nome, proferiu um estridente “miauuuuu”.
Gatos? Adoro gatos, todos eles, especialmente o Rodrigo Lombardi. Porém, eu não me sentaria na poltroninha do meio, feito salsicha de hot dog, entre a dita senhora e um adolescente que mascava chiclete de boca aberta. Insisti, eu queria o meu lugar. Enquanto isso, parada e atravancando o acesso dos passageiros, causei um congestionamento no corredor do avião. Já tinha gente reclamando: com licença! Pode sair da frente? E eu lá, mãos na cintura, sem me mover do lugar. Exigia meu assento, ou desceria no próximo ponto.
Por fim, arrumaram outra poltrona pro Rubens Miguel e sua dona, lá no fundo do avião. Aplausos da torcida! A mulher se dirigiu ao lugar resmungando, seu gato certamente não gostou daquele lugar, preferia a janelinha.
E eu, que só arrumo confusão, imagino como teria sido a viagem se eu tivesse tido a mesma sorte do meu irmão. Talvez, eu puxasse assunto, fazendo de conta não reconhecer Herculano Quintanilha. Possivelmente, pediria um autógrafo. Provavelmente, precisaria de um babador. Pediria pra ele ver o meu futuro, quem sabe? Ler a minha sorte, talvez? Ah, O Astro! E eu, que durmo muito antes do começo dessa novela, sequer vejo o bonitão de segunda à sexta.
Perguntei ao meu irmão se o perfume dele era bom. Ficou revoltadíssimo. Exclamou que é espada, que não percebe perfume de homem não! Quanto desperdício do destino. Fosse eu, se o cumprimentasse, se estendesse a ele a mão, acho que não a lavaria por longo tempo. Ah essas novelas. Pena que acabou Cordel Encantado. Eu suspirava pelo cangaceiro chefe, o Domingos... Domingos... Esqueci o nome do ator.
É por essas e outras que eu antes não parava na sala, à frente do televisor. Tempos que não voltam mais, quando eu não era tiete desses atores que são gente feito a gente, que entram em aviões, restaurantes, academias. E eu, quando esbarro em algum, tiro foto, peço autógrafo. Tem coisa mais boba e gostosa de se fazer? Creio que não!

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Deixe aqui o seu comentário!