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Apresentação

Este blog nasceu no blog Janela das Loucas, onde assinava "Diva Latívia". Ali permaneci durante muito tempo, como autora principal das crônicas do blog. Redescobri que escrever é vital pra mim, guiada e editada por Abílio Manoel, cantor, compositor, cineasta e meu querido amigo. O Janela das Loucas não existe mais, Abílio foi embora pro Céu. Escrevo porque tenho esse dom divino, mas devo ao Abílio este blog, devo ao Abílio a saudade que me acompanha diariamente. Fiz e faço deste blog uma homenagem a aquele que se tornou meu irmão, de alma e coração. Aqui o tema é variado: cotidiano, relacionamentos e comportamento, em prosa e versos.







21 de nov de 2011

ATÉ QUE O RONCO OS SEPARE


O despertador tocou às 06h30. Ela abriu os olhos com dificuldade, a vontade era de virar pro outro lado e dormir mais algumas horas. Devagarzinho lembrou que era segunda-feira, que os compromissos diversos a esperavam. Sonolenta, levantou-se. A noite tinha sido longa, mal dormida. Ao seu lado o futuro marido, que se transformou durante a madrugada em um tipo de adversário, brigaram pelo pequeno espaço, o território coberto por um edredom e delimitado pelas dimensões da cama de casal.
Duas vezes acordou descoberta, uma vez acordou com uma cotovelada no meio das costas. Eram 03H00 quando ela novamente acordou, ele tinha abraçado o seu travesseiro e ela estava com a cabeça meio pendurada pra fora da cama. Às 04H10, ela escutou ele resmungar qualquer coisa meio assim: vai mais pra lá! Depois disso ele começou a roncar insistentemente. Irritada, ela foi ao banheiro e encontrou naquela gavetinha debaixo do armário um pacotinho de algodão, fez dois chumaços para tapar os ouvidos. O som do ronco parecia atravessar não apenas o tampão improvisado em suas orelhas, mas penetrar em seu cérebro e dar duas voltas em sua sanidade mental. A vontade era de socar o namorado, mas conseguiu se controlar. Levantou-se outra vez, olhou pro relógio, eram 04h40. Resolveu dar um basta na situação. Pegou um remedinho pra dormir, receitado há mais de um ano pelo seu cirurgião plástico, isso coisa do tempo em que colocou silicone nos seios. Tomou um comprimidinho sem calcular as consequências, tudo o que ela queria era dormir.
O despertador tocou às 06h30. Em pé no corredor de acesso à cozinha, não conseguia ir pra lado algum. Pegou água para preparar o café e se esqueceu de ligar o fogão. Foi pro banheiro escovar os dentes e pegou a escova de dente dele, sem perceber o que fazia. Derrubou pó de café no chão, falou um palavrão. Resolveu tomar uma ducha fria, pra despertar. Quase adormeceu dentro do box do banheiro. Bebeu três xícaras de café, mas não conseguia voltar ao estado normal de consciência. O namorado a encontrou dormindo na poltrona da sala, cabelos molhados, enrolada em uma toalha de banho. Tentou acordá-la, não conseguiu. Ela despertou às 11h30, coberta com o edredom. Ao seu lado um bilhete: “amor, quando acordar telefone pra mim”.
Sonolenta, a boca amarga. Correu pro escritório, inventou uma desculpa para o sumiço matinal. Passou a tarde inteira fazendo força pra não fechar os olhos e cair de cara na mesa de trabalho. Às 18h30, entrou em uma loja de móveis e comprou uma cama de tamanho king size. Ao ver todas aquelas camas expostas no showroom, sentiu vontade de deitar ali mesmo e dormir um século de sono profundo.
Eles dois não mais brigaram durante a noite pelo mesmo espaço. O único problema é que ele continua roncando e, parece, ela vai ter que se acostumar com o barulhão. Pra ronco, não há cama gigante que resolva. Amor é o mais sublime dos sentimentos, ronco um antídoto poderoso contra qualquer traço de romantismo. E durmam com esse barulho!

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