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Apresentação

Este blog nasceu no blog Janela das Loucas, onde assinava "Diva Latívia". Ali permaneci durante muito tempo, como autora principal das crônicas do blog. Redescobri que escrever é vital pra mim, guiada e editada por Abílio Manoel, cantor, compositor, cineasta e meu querido amigo. O Janela das Loucas não existe mais, Abílio foi embora pro Céu. Escrevo porque tenho esse dom divino, mas devo ao Abílio este blog, devo ao Abílio a saudade que me acompanha diariamente. Fiz e faço deste blog uma homenagem a aquele que se tornou meu irmão, de alma e coração. Aqui o tema é variado: cotidiano, relacionamentos e comportamento, em prosa e versos.







13 de abr de 2012

ESPIRAL


Adormeci no sofá da sala. Noite mal dormida, esqueci aberta a porta da sacada, o friozinho da madrugada acentuou-se  e, com o meu torpor,  não saí do sofá pra buscar um lençol, ou cobertor. Entre um cochilo breve e outro, sonhei que eu era uma blogueira, adjetivo claro, sucinto e antipático. Blog é diário? Blog é livro? Que raios?! Blogueira é blogueira, escritora é escritora!
Minha cabeça rodava, girava e em ordem alfabética vinham as questões sem resposta, todas a respeito do blog. Quantos leitores? Tem comentários? Quais prêmios recebeu? Cadê seu livro? Uma espiral infinita de perguntas sem resposta, um pesadelo angustiante.
Adormeci no sofá tentando encontrar o fiozinho da meada, desfazer o  emaranhado dos meus sentimentos, puxar um fiapinho embolado da minha autoestima.  Adormeci degustando a mais amarga das conclusões:  nada sou, nada sei, se eu morrer amanhã me enterrarão, chorarão um bocadinho ( choradeira parcialmente social)  e depois deletarão o blog, ou o deixarão ser corroído por vírus cibernéticos. Simples assim!
Adormeci no sofá querendo descobrir por que não me basto sozinha. Ser ímpar é diferente de ser solitário. Há muita gente ímpar e feliz. Por que não sei viver ímpar? Ao som do silêncio, olhos inchados de tanto chorar, o coração espatifado, adormeci e sonhei com o blog. Páginas em branco, tudo zerado. Nada!
Despertei no sofá da sala. A almofada, onde eu havia recostado minha cabeça, estava caída no chão. Meu pescoço doía, minhas costas estalaram assim que espreguicei. O pesadelo ainda latente, presente, tão real. Tentei lembrar o que eu, afinal, fazia deitada no sofá da sala? Caminhei em direção ao corredor, fui ao meu quarto. Lá estava ele, adormecido, indiferente à noite mal dormida no sofá, ao pesadelo, ao blog, ao frio da madrugada, ao meu torpor, ao fiozinho da meada, ao emaranhado dos meus sentimentos, à minha embolada autoestima, às minhas amargas conclusões.  Lá estava ele, adormecido. Por que não me basto sozinha? Amanheci ímpar.

Observação: "blog não é diário" ( Abílio Manoel)

4 comentários:

Isis Liberato disse...

Nem preciso dizer que chorei ao ler o texto.......
Beijão !!!!

Cláudia disse...

Solidariedade não rima com solidão... Que eu nunca esteja sozinha, isso é tudo o que espero da vida. Você, Isis, é um presente bonito que o Abílio me deixou. Você e a Diva Latívia...
Te amo, maninha!

Isis Liberato disse...

Eu tbém te amo muito....vc sabe e sente isso....afinal, somos maninhas...

Cláudia disse...

Ah, essas declarações públicas de afeto, trocadas com a mulher maravilhosa que conheci na internet...rsrs... Quem diria que uma amiga virtual se tornaria a minha melhor amiga real? Mais que amiga, ela se tornou minha irmã!!! Eita vida moderna maravilhosa esta!!!

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