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Apresentação

Este blog nasceu no blog Janela das Loucas, onde assinava "Diva Latívia". Ali permaneci durante muito tempo, como autora principal das crônicas do blog. Redescobri que escrever é vital pra mim, guiada e editada por Abílio Manoel, cantor, compositor, cineasta e meu querido amigo. O Janela das Loucas não existe mais, Abílio foi embora pro Céu. Escrevo porque tenho esse dom divino, mas devo ao Abílio este blog, devo ao Abílio a saudade que me acompanha diariamente. Fiz e faço deste blog uma homenagem a aquele que se tornou meu irmão, de alma e coração. Aqui o tema é variado: cotidiano, relacionamentos e comportamento, em prosa e versos.







25 de abr de 2012

OLHOS DE JAPONESA

Os olhos de Luana pareciam olhos de japonesa: puxadinhos. Não, ela não era descendente de orientais. Seus olhos estavam assim, quase fechados, de tanto chorar.  O namoro com o Zé Renato durou exatamente oito meses, dois dias e vinte e três horas. No calendário ela olhava a data que se conheceram, de modo compulsivo, quase obsessivo. Queria voltar no tempo, no exato momento em que se viram pela primeira vez no bar em frente à faculdade.  Ficaram. Depois da quinta ficadinha, transaram. E ela, romântica assumida, achou que estivessem namorando.  Digo achou, porque só ela pensou assim.
Namoro, pro Zé Renato, era coisa pra casar e ele, aos 23 anos de idade, sequer sonhava com casamento. Por isso, ele preferia ficar, sem compromisso. Nem por isso desgostava da Luana, uma garota que considerava bonita, inteligente e super boa gente.
O problema é que, na falta de compromisso, o Zé não viu mal algum em exercitar sua habilidade para conquistar outras garotas. Além da Luana, ele saía com a Juliana, a Manu e a Mariana. Problema algum, afinal era só amizade com beijinhos, ou mesmo uma transa aqui, outra ali. O descompasso aconteceu porque a Luana pareceu não entender que o bom da vida estava em aproveitar o momento, sem se atirar a um passo do dia de hoje. Fez planos, quis exclusividade, queria o rótulo de “namorada”. Quando descobriu que havia outras garotas, Luana se descontrolou, falou pro Zé que aquilo era traição. Zé Renato declarou: você estragou tudo, melhor a gente ser apenas amigos, sem beijos, nem pegadas. E assim, acabou-se o que era doce. Luana entendeu que estava namorando sozinha, namorando sem namorado.
Dois dias chorando sem parar, seus olhos verdes contrastavam com a palidez de sua face. Dois dias sem postar nada no Facebook, sem sair do quarto.  Jurou: “daqui pra frente, os homens vão comer na minha mão”. Foi assim que brotou a sementinha de outra Luana, uma garota avessa a compromissos amorosos, detonadora de corações incautos.  Zé ainda telefonou pra saber como ela estava,  mas ela não atendeu. Nunca mais se viram.
Três anos depois o Zé conheceu a Fernanda, um ano depois se casou. Luana ficou solteira, mas diz pro mundo que é feliz. Até hoje seus olhos, às vezes, adormecem e amanhecem fechadinhos, parecidos com olhos de japonesa.

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