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Apresentação

Este blog nasceu no blog Janela das Loucas, onde assinava "Diva Latívia". Ali permaneci durante muito tempo, como autora principal das crônicas do blog. Redescobri que escrever é vital pra mim, guiada e editada por Abílio Manoel, cantor, compositor, cineasta e meu querido amigo. O Janela das Loucas não existe mais, Abílio foi embora pro Céu. Escrevo porque tenho esse dom divino, mas devo ao Abílio este blog, devo ao Abílio a saudade que me acompanha diariamente. Fiz e faço deste blog uma homenagem a aquele que se tornou meu irmão, de alma e coração. Aqui o tema é variado: cotidiano, relacionamentos e comportamento, em prosa e versos.







15 de mai de 2012

CASAMENTO: COMO EDUCAR O SEU MARIDO

Férias, coisa boa de viver! Especialmente quando merecidas e, principalmente, quando usufruídas em família, em dupla, bem acompanhado. A notícia chegou aos meus ouvidos, deu duas voltas na minha cabeça oca e, por fim, me deixou mal-humorada. Divo Latívio pediu férias, para ficar em casa, para assistir na TV à Sessão da Tarde, dormir em horário comercial, perambular pelo apartamento vestido com seu pijama de listras azuis, calçando chinelos com meias.
E eu?  Férias sem mim? Eu acordo em horário escravo, corro contra o tempo, para alcançar o ônibus da linha 0666, que passa de meia em meia-hora lotadíssimo, rumo ao centro da cidade. Trabalho o dia todo, depois volto pra casa com os pés doloridos, o esqueleto dando sinais de cansaço.
Outro dia, voltando do trabalho, abri a porta de casa e encontrei Divo jogando videogame, ouvindo música em volume altíssimo, comendo pipoca. A bagunça do apartamento me fez querer dar meia-volta e correr novamente pro escritório, ao menos naquele recinto eu poderia sentar-me em uma cadeira, sem ter que varrer, lavar, limpar a sujeira, recolher objetos espalhados pra todo o lado.
Ontem o dia foi longo e os compromissos profissionais me obrigaram a tomar chuva, involuntariamente. Minha cabeça doía terrivelmente. Encontrei Divo deitado no sofá da sala. Sobre a mesa de canto jazia um prato com restos de um sanduíche de salame. No chão, junto à poltrona lateral, um copo meio cheio ( ou meio vazio) contendo refrigerante. Meu edredom, aquele que voltou há poucos dias da lavanderia, estava no chão, sobre o tapete e sob um pacote de salgadinhos. Migalhas de pão ilustravam o veludo de cor esverdeada do sofá. Divo dormia profundamente, semblante sereno. Bati a porta da sala, tamanha a raiva que senti ao vê-lo tão sossegado, em meio àquela confusão.
Acordou sobressaltado. – Que horas são? – Boa noite, Divo. Agora é exatamente a hora de você levantar daí e limpar tudo o que sujou.
Ele nada respondeu.Passei direto pro quarto, sem olhar pra trás. Iradíssima. Tomei um banho demorado, depois voltei pra sala. Divo tinha voltado a dormir.
Na cozinha o cenário era ainda mais caótico. A frigideira contendo meia lata de óleo estava sobre o fogão. O fogão estava sujo, tinha cebola sobre um dos acendedores. No chão, cascas de dentes de alho, espalhadas sobre o tapetinho antiderrapante .  Seis panos de prato estavam em uso, dois deles sujos de molho de tomate, um queimado na beiradinha e dois totalmente engordurados. A pia estava lotada de louça pra lavar. Contabilizei: três pratos de sobremesa, dois pratos rasos, um prato fundo, duas travessas, duas panelas, quatro copos, uma xícara de chá, seis garfos, quatro facas, duas colheres e o escorredor de arroz.
Desisti de ser boazinha. Resolvi sair pra dar uma voltinha. Ao sair, bati novamente a porta da sala com força e, desta vez, abri novamente pra ter certeza que Divo tinha acordado. Achei pouco, abri e fechei a porta novamente, sem a menor compaixão. Divo acordou, escutei um resmungo qualquer a respeito do barulho.
Fui ao cinema, assisti a um filme lindo, uma história romântica e com final feliz. Depois, comi um lanche. Olhei meu celular, havia três chamadas de Divo, que não atendi.  Eram 23h30 quando voltei pra casa. A sala arrumada, a cozinha limpinha e Divo dormindo feito um anjinho no quarto.  Creio, aprendeu a lição. Educar um marido não é fácil, mas essa missão é possível!

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