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Apresentação

Este blog nasceu no blog Janela das Loucas, onde assinava "Diva Latívia". Ali permaneci durante muito tempo, como autora principal das crônicas do blog. Redescobri que escrever é vital pra mim, guiada e editada por Abílio Manoel, cantor, compositor, cineasta e meu querido amigo. O Janela das Loucas não existe mais, Abílio foi embora pro Céu. Escrevo porque tenho esse dom divino, mas devo ao Abílio este blog, devo ao Abílio a saudade que me acompanha diariamente. Fiz e faço deste blog uma homenagem a aquele que se tornou meu irmão, de alma e coração. Aqui o tema é variado: cotidiano, relacionamentos e comportamento, em prosa e versos.







26 de jul de 2012

CORAÇÃO DE CRISTAL

Não sei explicar, deu branco.  Sensação de vergonha, misturada com vontade de sumir. Olhei pra porta, eu queria sair correndo de lá!  Acho que também mirei a janela!Tanta cerimônia para me receber, tanto carinho! Há quatro anos a gente não se encontrava. Amigo é assim mesmo, a gente fica muito tempo sem se encontrar, mas consegue pegar o fiozinho da meada e continuar a última prosa. O papo estava ótimo, o jantar delicioso. Bebemos uma garrafa de vinho, ele abriu a segunda garrafa sob meu protesto. Ríamos e lembrávamos nossa adolescência, episódios divertidos e inesquecíveis que salpicaram a nossa juventude. Cumplicidade!
A segunda garrafa de vinho potencializa as emoções. Risos se transformam em gargalhadas, saudade se transforma em lágrimas. Patético, talvez. A ideia foi dele: um brinde aos anos dourados! A segunda garrafa de vinho potencializa a força, diminui os reflexos, deixa tudo zuzubem. Esbarrei na taça de vinho que meu amigo havia herdado de sua bisavó, a senhora italiana da foto em preto e branco no porta-retratos. A dona pareceu olhar-me furiosa, deu medo de fantasma. Dezenas de caquinhos sobre o chão banhado de vinho tinto. Eu ria, ele chorava. Por fim, eu chorava e ele ria. Um desastre! 
Fui embora pra casa tentando equilibrar-me sobre o salto alto. No dia seguinte acordei com a boca seca, parecia ter comigo algodão. Aos pouquinhos, enquanto escovava os dentes, lembrei-me da noite anterior e do falecimento da rara taça de cristal.Decidi procurar um antiquário, talvez eu encontrasse uma peça semelhante àquela que quebrei. 
Antiquários são lugares muito interessantes. Tem de tudo: relógio cuco, cristaleira, pianola, ventarola. Eu, meio de ressaca, precisava resolver depressa o meu problema.
- Bom dia, o senhor tem taças de cristal?
A quantidade de peças de cristal era imensa. Nada parecido com a finada tacinha.  Pensei o seguinte: talvez, se eu comprasse meia-dúzia de taças antigas, eu reparasse o mal feito. Enquanto eu admirava uma peça e outra, meu celular tocou. Ah, bolsa de mulher tem de tudo, tem lixa de unha, tem lencinho de papel, tem estojinho de maquiagem, tem escova de cabelos, tem carteira, tem chaveiro. O celular tocou até parar de tocar e eu não o encontrei. Voltou a tocar e eu, impaciente, balancei a bolsa. Foi assim que esbarrei em um vaso estilo rococó, de cor azul turquesa. Feito slow motion, lentamente o bicho rodopiou, envergou pra direita, bailou no ar e... Crashhhhhhhhh....
- Senhora, por gentileza, acompanhe-me até o meu escritório.
O escritório do antiquário era uma sala com aroma de naftalina. Ali tinha de tudo um pouco: peso de papel, estatueta de bronze, relógio carrilhão. Preferi ficar em pé, tentei ficar imóvel. Meu coração ainda estava acelerado, tal foi o susto do segundo mal feito que cometi em menos de doze horas.
- O valor do vaso da Marquesa de Guadalupe, do século XIX, é dois mil e oitocentos reais. Aceito cartão Manda Card. Como a senhora prefere pagar?
Gastei no antiquário três mil reais. Paguei a conta do tal do vaso da marquesa sei lá das quantas e mais duzentos reais em uma tacinha que, segundo o antiquário, pertenceu à bisavó da tal da marquesa. 
O presente entreguei pessoalmente, dois anos mais tarde, em um café no centro da cidade. Um final de tarde gelado na cidade de São Paulo. Entre risos, lágrimas e recordações muitas do passado, praticamente esquecemos aquela noite em que a coleção de taças de vinho de família terminou desfalcada. Assim é a amizade, o que importa é o conteúdo, não o recipiente. 



23 de jul de 2012

TEMPOS DE ESCOLA


Sentei-me à sombra da jabuticabeira e viajei ao passado. O final de semana ensolarado espantou pra longe a chuva e o frio. Observei o passeio das formigas no gramado, a cantoria dos pássaros, senti a brisa morna soprar meus cabelos. Há quanto tempo eu não me deliciava com aquelas frutinhas doces?
Viajei ao passado. Jabuticaba era sinônimo de geleia preparada por minha mãe. Mal podia esperar o doce esfriar, ficava a saltitar feliz pela cozinha aguardando as torradas a tostar no forno. Torradas e geleia de jabuticaba, isso lembra lanchinho para saborear na hora do recreio. Ah, os tempos de escola...
Dentro da lancheira não podia faltar o suco de frutas, acondicionado em uma garrafinha plástica. A tampa dessa garrafa cismava em abrir durante o trajeto de casa para o colégio. Vazava e molhava o lanchinho embrulhado em guardanapo de pano. Por fim, o resultado era uma iguaria inusitada: torradas com geleia de jabuticaba ao molho de groselha, de suco de maracujá, de guaraná. De vez em quando minha mãe tentava me incentivar a comer frutas. Maçã, pera, banana. Claro, também ao molho do suco vazado na lancheira. Jamais esquecerei a recomendação materna: - Menina,  vá pra escola sem sacudir sua lancheira! Era natural que eu pulasse pelas calçadas, que tocasse a campainha das casas vizinhas e saísse correndo. O mais interessante é que eu carregava um peso enorme, não dentro da lancheira, mas em uma maleta de couro de cor preta. Ainda assim, conseguia pular e correr ligeiro.
A mala escolar continha de tudo um pouco. Cadernos caprichosamente encapados com plástico colorido e etiquetados com a caligrafia de minha mãe. Estojo de madeira contendo: borracha, apontador de lápis, canetas esferográficas  BIC nas cores azul, vermelha, verde e preta. Lápis número 2. Lápis de todas as cores. Lembrei-me dos moldes com o mapa do Brasil e do estado de São Paulo.  
Quem foi criança na década de 60, 70, usava em suas aulas o Desenho Copy, que nada mais era do que um caderno espiral com desenhos que podiam ser transferidos para o papel, pra isso bastava seguir o contorno dos desenhos com um lápis. As canetinhas Sylvapen!  Os decalques, ou decalque-mania, isso era moda entre as garotas. Eram adesivos com estampas delicadas, flores, corações e personagens infantis. A cada lição de casa caprichada eu colava um decalque no rodapé da página do caderno.
Certa vez, em uma quermesse, comprei a rifa de uma lapiseira que tinha pontinhas de lápis de todas as cores. Belíssima! Comprei e fiquei atenta ao sorteio, na torcida para ganhar aquela prenda. Não ganhei. Aliás, quem ganhou foi uma garota que sequer me deixou admirar de perto o pequeno tesouro.  Chata!
Naquela época havia uma exigência: a caligrafia dos alunos devia se aproximar da perfeição. Nada de garranchos, de erros gramaticais, de borrões nas lições de casa. Quem acertasse a tabuada, ganhava uma estrelinha dourada. Estrelinha de papel laminado. Sempre fui péssima em matemática. Que sufoco aprender quanto é 9 x 8! Eis que, um dia, deparei-me com a solução: um lápis com toda a tabuada nele desenhada. Fui flagrada durante uma prova por uma professora. O resultado? Uma advertência  aos meus pais, escrita com caneta-tinteiro em meu boletim. O castigo que recebi de minha mãe, trancada no quarto até aprender as continhas, serviu para que eu decorasse toda a tabuada. Divisão não sei fazer, mas tabuada é comigo mesma!
O uniforme escolar era muito limpo, bem passado, engomado. Saia xadrez de preguinhas, na altura dos joelhos. Não podia ser mais curto o comprimento, mas algumas garotas enrolavam a saia na cintura, afinal estávamos em plena moda da minissaia. As meias eram brancas, ¾. Blusa de abotoar, branca e de manga curta, com o emblema do colégio no bolso. Ah que orgulho senti quando usei meu primeiro sutiã! Era possível visualizar o tom cor-de-rosa do meu primeiro sutiã pelo tecido branco da blusa do uniforme! Sapatos pretos engraxados, estilo boneca. Para os dias frios um casaquinho de lã azul-marinho. Quem chegasse ao colégio usando qualquer peça de roupa que não fosse do uniforme, não podia ingressar no recinto.  Outra recomendação de minha mãe: - Menina, não suje o uniforme. 
A hora do recreio era uma hora feliz. Correr, brincar, comer o lanche que àquela altura tinha se transformado em uma tremenda gororoba dentro da lancheira. Pega-pega, pular corda, esconde-esconde, jogar queimada. Eu voltava pra casa irreconhecível, o uniforme sujo e suado, o laço de fita que amarrava meus longos cabelos restava torto, ou desfeito.
Guardo lembrança e algumas fotografias amareladas pelo tempo. Onde estarão as garotinhas de uniforme, flagradas pelo clique em preto e branco? Hoje, todas senhoras de meia-idade. Terão se casado? Será que se divorciaram? Terão filhos, netos? Quais profissões terão escolhido?
Passei em frente ao antigo colégio,  está totalmente modificada a sua arquitetura. O tempo passou, o uniforme agora é diferente, as meninas calçam tênis. As mochilas estão cada dia mais leves, os garotos de hoje não sabem o que seja decalque-mania, Desenho Copy ou canetinhas Sylvapen. Outro tempo, outro século! Temos o Google com o mapa do Brasil.
Voltei da minha viagem ao passado com a ideia de preparar geleia de jabuticaba. Colhi as frutinhas, preparei o doce e não resisti: despejei um pouquinho de suco de maracujá sobre a minha torrada. Uma espécie de brinde à infância feliz, com tantas lembranças, tantas boas recordações. Um brinde à vida!







21 de jul de 2012

LOUCA DE AMOR


Ela sempre foi do tipo que se cuidava. Cuidava da saúde, cuidava das próprias finanças, cuidava da aparência. Sua casa era organizada ao extremo. Por exemplo: os alimentos na geladeira obedeciam à ordem natural de sua espécie: frutas na gaveta de baixo, legumes na gaveta de cima, leite e derivados na prateleira da porta. Tudo era esterilizado e etiquetado: potinhos, caixinhas, pastas e até gavetas. Alguns achavam muito chato o seu jeito de ser e viver. Assepsia era o seu lema. Vivia a repetir: “se eu limpar, não haverá bactérias”!
O namoro com Aurélio durou pouco, muito pouco. Entre um affair e outro eles dois se conheceram, se apaixonaram e feito um show de fogos de artifício tudo foi muito belo e muito breve. Pra ela inesquecível. Tratou de ocupar-se com a própria vida, trabalhou dobrado, estudou dobrado, namorou dobrado e viveu dobrado. Porém, Aurélio parecia uma sombra em sua vida. A todo instante os momentos rápidos que viveram passavam feito um filme em suas lembranças. Tornou-se cinzenta, rabugenta, exigente, metódica.
Sua ordem rigorosa se desfez quando se deparou com o novo perfil do ex, lá no Facebook. Incompreensível. Aurélio, sem contato fazia tempo, há um ano namorava Magali. Que Magali? Observou a foto da dita. Achou a rival gorda, mal ajambrada, moradora de pra lá da Serra do Tereré! Quantos defeitos ela enxergou em Magali! 
Viajou ao passado. Lembrou-se das juras de amor de Aurélio. Da vã tentativa de reconciliação. De seus galanteios e confissões intraduzíveis. Das noites de amor incandescentes, dos beijos, das loucuras que cometeram juntos. Viveu e reviveu esses momentos, eu um voo sem volta. Aprisionou-se em lembranças que a faziam rir, sonhar, dançar e depois chorar copiosamente.Não se conformou. 
No dia seguinte deixou os sapatos e roupas atirados na sala. No outro dia não se importou com as frutas se deteriorando na fruteira. Não foi ao cabeleireiro, nem à academia de ginástica. Tamanho era seu desgosto que sequer banho ela queria tomar. Parou de se alimentar e de trabalhar.
Ela definhou, pouco a pouco, mais e mais, até que se esqueceu de pagar a conta da internet e a conta de luz. Sem conexão, deixou de acessar o perfil do Aurélio e da Magali no Facebook. Não sabia mais se era noite, ou se era dia. Sua casa à distância exalava odor de sujeira e bolor. Olhar perdido, falas desconexas. Ela pirou e o tempo passou. Dias, semanas e meses. Pelos vizinhos foi chamado o serviço de saúde da prefeitura de sua cidade. Ela foi levada para uma instituição que abrigava pessoas doentes e sem parentes. Dizia entre dentes: Aurélio, volta!
De amor mal resolvido simplesmente enlouqueceu. Amor mal resolvido, às vezes, enlouquece.

20 de jul de 2012

DIA DO AMIGO


Hoje, dia 20 de julho, é o Dia do Amigo.
Amigo é o irmão que a gente escolhe. Mais que laços de sangue,  fazemos  laços de eterno afeto. Amigo divide as alegrias, compartilha momentos bons e momentos difíceis conosco. Amigo motiva o nosso sorriso, faz curativo em nossas feridas, participa de nossas conquistas e torce pelo nosso sucesso.  Amigo, pra valer, deixa nossos dias mais ensolarados. Um simples abraço, um papo descontraído, pura e simples afinidade e cumplicidade. Quem tem um só amigo não está sozinho nesta estrada da vida, porque o verdadeiro amigo nos aceita do jeito que somos e gosta daquilo o que compreende.
Segue o meu carinho, a minha saudade, para o meu amigo mais querido: Abílio Manoel. Abilinho, você é a prova mais bonita de que a amizade verdadeira atravessa até mesmo a fronteira da morte física. Te amo meu amigo, te amo meu irmãozinho. Saudade!

Deixo aqui um vídeo com uma música conhecida, composta pelo meu saudoso amigo Abílio Manoel: BOM DIA, AMIGO.

19 de jul de 2012

70 MIL VISITAS


Hoje alcançamos mais uma marca redondinha: 70 mil visitas ao blog Diva Latívia.
Aos leitores deixo o meu agradecimento. Escrever é o meu dom, a presença de cada um de vocês é a minha motivação.
Um beijo e obrigada!


Diva Latívia ( Cláudia)

18 de jul de 2012

RETALHOS DE UMA HISTÓRIA


O final de semana cinzento, chuvoso e gelado. Acordei vitimada pela preguiça. Pijama quentinho, meias de lã e pantufinhas. Admirei o dia frio pela janela do meu quarto.
Todas as caixas de papelão amontoadas no canto da sala guardavam livros, discos, fotografias antigas e objetos diversos que herdei de minha mãe. Demorei quase três anos para reunir todo esse material, uma espécie de herança que jamais desejei. Onde guardaria tantas miudezas?
Preparei chocolate quente, sintonizei aquela rádio com músicas dos anos 80. Suspirei resignada, talvez tão profundamente que espirrei várias vezes seguidas. Ah, essa minha alergia a poeira!
Abri a primeira caixa. Um avental que dei de presente à minha mãe. Quantos anos eu tinha? Lembrei: seis anos de idade. Bordado em ponto cruz. A professora, mal humorada e impaciente com minhas mãozinhas ainda miúdas, terminou o bordado entre uma reclamação e outra.  Jamais gostei de trabalhos manuais, exceto tricô e crochê. Lá estavam as agulhas de tricô. Todas coloridas. Quantos casacos, meias, gorrinhos e cachecóis teriam sido ali tecidos, ponto a ponto? Distraída, esbarrei em um vidrinho que abriu. Lantejoulas de cor púrpura salpicaram o chão.  Sentei-me sobre o tapete e iniciei minha viagem ao passado.
Na avenida perto de casa havia uma loja de armarinhos. Minha mãe comprava botões, linhas e algo que eu simplesmente adorava: vidrilhos, lantejoulas, miçanguinhas. As prateleiras da loja eram uma festa para o meu olhar que, no máximo, alcançava a ponta do balcão. Tudo parecia lindo e, ao mesmo tempo, gigantesco. As lantejoulas de cor púrpura bordaram um vestido de crepe da mesma cor, minha mãe vestiu-se de modo elegante em uma festa.
A máquina de costura trabalhava ao longo da noite, uma antiga Singer. O som era acolhedor, familiar. Moldes, giz, réguas, tesouras, alfinetes. A mesa da sala de jantar era o apoio para o trabalho de minha mãe. Revistas com modelos de roupas, as saudosas revistas Burda, com fotos de tailleurs, vestidos, casacos que saltavam do papel e ganhavam o guarda-roupas. Minha mãe, artista do corte e costura.
Abri outra caixa, encontrei uma tira de bordado inglês que serviu de bainha em um vestido branco que usei. Qual era a minha idade? Dezoito? Vinte anos? O vestido em organza, uma faixa de cor pink dava um toque moderno ao vestido. Fiz sucesso.
Antes de fechar a caixa admirei um casaquinho de bebê amarelo, um patinho bordado e lacinhos de cetim de seda a enfeitar a gola. Alguém o vestiu um dia. Teria sido eu, ou um dos meus irmãos?
Por fim, lacrei as caixas com fita adesiva, de modo decidido. Aterrissei no presente carregada de lembranças distantes. Vida alinhavada em querer bem. Saudade.

11 de jul de 2012

AMOR, AMOR, AMOR...


Taí, caros leitores do blog. Vocês mesmos, aí do lado de lá do meu computador. A situação está difícil ultimamente? Pois é. Dizem que está mais fácil acertar na Mega Sena acumulada do que encontrar um par que valha a pena. Por falar em pena, da dó quando a gente começa um relacionamento e os amigos começam a colocar defeito na criatura: ele(a) é velho(a), ele(a) é gordo(a), ele(a) é baixo(a), ele(a) é vesgo (a), isso não vai dar certo! Queridos leitores, isso é pura inveja! Reparem no seguinte: amigos felizes não colocam a gente pra baixo, jamais! Infelizes, portanto, eis a explicação pra dor de cotovelo de quem mete a colher no angu da gente.
Pra conhecer um novo par vale quase tudo. Vale andar por aí de olhos bem abertos e sorriso na ponta dos lábios. Vale se produzir dia e noite, como quem vai pra balada. Vale frequentar os lugares mais sensacionais da cidade.
E quem se separou, passou dos 40, 50, 60, 70, 80...90... e está sozinho (a)? E quem está de mal com a balança? E quem já perdeu a fé no amor? Pois é, até mesmo essa turminha sofrida tem toda chance do mundo de encontrar um novo amor! Dizem que nas adversidades encontramos nossas forças. Pois essa é a chave do sucesso amoroso: acreditar na grande virada!
Tem gente que parece ter sorte no amor, casa com o(a) primeiro(a) namorado(a), aquela coisa bonita de igreja, vestido de noiva, fraque, padrinhos, festa, lua de mel e tudo o mais. Casa e fica bem casado (a) até fazer bodas de tudo quanto é coisa. Porém, nem sempre a coisa acontece assim. É comum que os relacionamentos acabem, de um jeito, ou de outro jeito. E começa então a busca, consciente ou não, por um novo amor.
Passa um tempo, dá uma vontade danada de encontrar alguém pra acompanhar a gente. Ter com quem conversar, dançar, rir, beijar, transar, viajar, ir ao cinema, dividir a cama e os muitos momentos da vida. É aquela coisa que tanto li em sites de relacionamentos: “alguém com o coração ardente”. 
Amor à primeira vista é raro. E tem coisa mais gostosa que essa raridade? Apaixonar-se como quem liga um botãozinho: ON! E vai que vai! Pra onde? Ué... Pode ser pra fora da telinha, isso pra aqueles que se conheceram virtualmente.  Pode ser pra um segundo encontro. Pode ser pra algo mais sério, as tais escovas de dente juntinhas e felizes.
Mas, e a demora? Os desencantos, os desenganos, os equívocos amorosos? Se vocês pensarem bem, eles nos tornam mais seletivos. Fácil descobrir o que não mais queremos em nossas vidas. A partir disso, se focarmos bem o nosso alvo, podemos selecionar quem não vai fazer parte do processo seletivo. Por exemplo: quem não suporta cigarro dificilmente vai aturar quem fuma. Quem é ratinho de livraria possivelmente não vai se dar bem com alguém que nunca leu um livro. Mas, há diferenças suportáveis: ele gosta de malhar, ela não. Ele gosta de dançar, ela não. Ele sabe cozinhar, ela não. Pra muita coisa se dá um jeito! Pequenas diferenças, grandes aprendizados!
Quem está sozinho(a) precisa primeiro querer encontrar alguém. Esse é o pontapé inicial para começar uma nova história. Querer é poder! Produzam-se, cuidem bem da saúde, amem-se! Gente feliz atrai pra si coisas boas, atrai pra si o amor! Quem resiste a um lindo sorriso?
Solidão é apenas fase preparatória para o dia de amanhã. Quem aprende a dura lição da solidão se torna mestre no relacionamento amoroso. Não nascemos para a solidão, ao contrário, somos seres que precisam de um par. A busca não deve ser interrompida, ao menos até que alguém mexa pra valer com o coração da gente, entre em nossa vida e nos faça felizes.
O amor é uma busca válida, justa, incansável. E quem dirá que não é gostoso buscar?
Aos que procuram um novo amor desejo boa sorte! Aos que já encontraram seu par desejo que o calor da paixão jamais esmoreça. Amor, amor, amor, esse é o açúcar de nossas vidas!





5 de jul de 2012

AMARRADO PELA CUECA


- Prendi! Prendi!
Escutar isso, proferido pela minha prestimosa auxiliar do lar, Zezé, me deixou surpresa e confusa, tudo isso ao mesmo tempo.
- Prendeu o quê, Zezé?
- Prendi o “filhadamãe” do Zé numa amarração.
Larguei o livro que estava lendo, tirei os óculos e até me ajeitei melhor na poltrona.
- Conta, Zezé!
- Sabe a cartomante?
- Não sei!
- Sabe sim senhora, porque antes de conhecer Seu Divo a senhora leu carta na cartomante!
- Zezé, deixe de ser folgada!
- Tá, então não conto.
Foi embora pra cozinha pisando duro, se fazendo de difícil. Conheço bem a Zezé, sabia que sua língua estava formigando, ela estava doidinha pra contar a história da amarração!
Já estava com sono, preparada pra ir dormir, quando ela trouxe um chá com torradinhas. Puro pretexto pra continuar a nossa prosa.
- Vai chover no feriado, Dona Diva.
Eu fiz de conta que não escutei,  bebi alguns golinhos do chá.
- Vai fazer frio no feriado, Dona Diva.
- Tá, Zezé. Pode contar sua história, prometo ouvir sem comentar muitas coisas.
- Sabe a cartomante, Dona Diva?
Suspirei fundo, tentei me controlar. – Sei sim, aquela cartomante que disse que eu precisava comprar uma figa preta, amarrar em uma fita vermelha e dar de presente ao primeiro homem com quem eu fosse jantar. É aquela cartomante?
- Essa aí! A senhora também amarrou o Seu Divo, né? Danadinha a senhora, Dona Diva!
- Ô Zezé, você acha que amarrei o Divo? Tem cabimento isso?
- Tá, vou dormir, tá tarde. Boa noite pra senhora.
- Nananinanão! Volta aqui e termina a sua história!
- Vai me escutá?
- Vou!
- A cartomante, aquela da amarração. A senhora sabe quem é?
Minha paciência tinha acabado, mas a curiosidade só aumentava.
- Sei quem é!
- Ah, bão! Então, a cartomante me ensinou a "amarrá" a cueca do Zé com pimenta e água de cheiro. O Zé num vai “arresistir”.
Eu só imaginei a situação. Que horror!
- Dona Diva, dessa vez o " homi se apaxona"!
Fui dormir controlando o riso. Zé, o porteiro do nosso edifício, mal sabia em sua inocente portaria que sua cueca havia sido subtraída pela Zezé e que, a aquela altura, estava apimentada e perfumada com água de cheiro.
Uma semana depois a Zezé veio chorosa resmungar: - Dona Diva, a senhora pode me levar no Procon? Quero fazer uma queixa.
A reclamação era a seguinte: a amarração não tinha funcionado, pior que isso, o Zé já não mais funcionava também. E ela queria seu dinheiro da consulta esotérica de volta.
Passou vários dias desligada, amuada, emburrada. Pra melhorar o astral da minha casa, decidi fazer uma caridade. Chamei o Zé e dei a ele uma caixinha generosa, pra que ele convidasse a Zezé pra sair, jantar. Ainda dei uma graninha extra pra que ele comprasse umas flores, algum mimo pra Zezé. Tudo isso um investimento pra que meu lar voltasse à “normalidade”.
No dia seguinte, Zezé estava cantarolando na área de serviço. A amarração finalmente tinha funcionado. E tudo foi atribuído à tal cartomante porreta, tiro e queda, que tinha acertado na fórmula mágica da amarração da cueca.
- Dona Diva, quando a senhora precisar “amarrá” seu Divo é só me “entregá” uma cueca dele, tá?
Só mesmo na minha casa acontecem essas coisas. Mereço?