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Apresentação

Este blog nasceu no blog Janela das Loucas, onde assinava "Diva Latívia". Ali permaneci durante muito tempo, como autora principal das crônicas do blog. Redescobri que escrever é vital pra mim, guiada e editada por Abílio Manoel, cantor, compositor, cineasta e meu querido amigo. O Janela das Loucas não existe mais, Abílio foi embora pro Céu. Escrevo porque tenho esse dom divino, mas devo ao Abílio este blog, devo ao Abílio a saudade que me acompanha diariamente. Fiz e faço deste blog uma homenagem a aquele que se tornou meu irmão, de alma e coração. Aqui o tema é variado: cotidiano, relacionamentos e comportamento, em prosa e versos.







18 de ago de 2012

DIVA, PÉSSIMA CONSELHEIRA SENTIMENTAL

O e-mail chegou assinado apenas assim: “P. L.”. O destinatário não era anônimo, afinal ali constava seu endereço eletrônico. E-mail empresarial.  Descuidado, talvez.
P.L. escreveu um longo, comovente e sensível desabafo. Quatro páginas de papel A4, que imprimi para ler e reler. Chorei, confesso que chorei ao concluir que já passei pelas mesmas situações, que tenho algumas de suas dúvidas e angústias. P.L. pediu minha opinião, o meu conselho. Não sou boa conselheira. Diga-me: quem sou eu para aconselhar alguém, P.L.? Na vida eu já enfiei o pé na jaca, já entrei em ruas sem saída, já pulei em despenhadeiros. Sobrevivi!
Meus personagens nascem, vivem, sofrem, amam, morrem. Ficção, que baseio em fatos hipotéticos. O fim de minhas histórias termina na última palavra escrita, no ponto final. O que dizer a você, P.L.? Não posso dizer-lhe que sofrer é normal, afinal sofrer não é normal! Não posso dizer-lhe que amar é algo sereno, porque não é sereno. Perder-se de um grande amor é superável, desde que jamais essa perda seja reconhecida à luz de nossas consciências. Nem sempre estamos preparados para o amor. Perder alguém para esse despreparo  e mais tarde dar-se conta é desesperador. O que fazer?
Isso pode acontecer um minuto depois de uma discussão. Pode acontecer no dia seguinte. Uma semana depois. Um mês depois. No seu caso, a “ficha caiu” anos e anos mais tarde, quando compreendeu que aquela era a mulher de sua vida. Ela agora comprometida  com outra pessoa e você casado com outra mulher.
Por onde começar? O que fazer? E eu aqui, escrevendo isso tudo para publicar no meu blog, a seu pedido. Pensei muito, tentei colocar-me no seu lugar.  O que eu faria? Choraria um rio de lágrimas, certamente. Pela perda, pelo “ah, é?”, pela burrada. Aliás, chorei mesmo, sua história se parece com a minha e com a de muitas pessoas que conheço.
A vida apresenta oportunidades raras, algumas são oportunidades únicas. É uma pena imensa que nem sempre estejamos preparados para essas ofertas-relâmpago da vida. Um reencontro, uma tentativa de reconciliação frustrada, um adeus estabanado, às vezes pelo medo de amar, de se ferir, de não ser feliz. E o que é viver, senão um risco? Que pena só percebermos isso mais tarde!
Não te aconselhei, mas entendi que você só se deu conta do amor que tem depois de passar anos e anos longe de sua amada. Só depois de casar com outra pessoa, depois de descobrir que sua amada também estava casada com outra pessoa. E doeu. Espero que não seja fogo breve, mas sim chama eterna. Que você seja fiel a si mesmo, que seja sincero consigo e com sua atual companheira. E depois? Depois faça o que mandar seu coração. Pode escrever novamente, mas eu juro de pés juntinhos que sou péssima conselheira sentimental. 
Um abraço,
Diva Latívia






2 comentários:

Deborah Spadotto disse...

É Diva, acho que nem vc, nem ninguém é bom conselheiro sentimental, afinal não existem receitas e o ser humano é imprevisivel. Então, sábia decisão, melhor não aconselhar!
Bjs

Cláudia Cavalcanti disse...

Pois é, Deborah Spatotto, como diz aquela música: "cada um sabe a dor e a delícia de ser quem é". Situação difícil a do P.L.!

Beijo

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