É proibida a reprodução não autorizada dos textos deste blog, de acordo com a Lei nº9.610, de 19 de fevereiro de 1998, que regula os direitos autorais.

Apresentação

Este blog nasceu no blog Janela das Loucas, onde assinava "Diva Latívia". Ali permaneci durante muito tempo, como autora principal das crônicas do blog. Redescobri que escrever é vital pra mim, guiada e editada por Abílio Manoel, cantor, compositor, cineasta e meu querido amigo. O Janela das Loucas não existe mais, Abílio foi embora pro Céu. Escrevo porque tenho esse dom divino, mas devo ao Abílio este blog, devo ao Abílio a saudade que me acompanha diariamente. Fiz e faço deste blog uma homenagem a aquele que se tornou meu irmão, de alma e coração. Aqui o tema é variado: cotidiano, relacionamentos e comportamento, em prosa e versos.







28 de nov de 2012

90 MIL VISITAS!



Noventa mil. Belo número! Chegamos a essa marca hoje, o número de visitas aumenta a cada dia. Aos leitores, mais uma vez, deixo aqui o meu agradecimento.

Diva Latívia

26 de nov de 2012

PROCURANDO O ESPÍRITO DO NATAL


E eis que o espírito natalino invadiu meu coração. Resolvi decorar minha casa com luzes, enfeites coloridos, guirlanda, árvore de Natal. Pra entrar no clima, encontrei um antigo CD com "Jingle Bells" e etc.
Pra começar, escolher onde vai ficar a árvore de Natal, isso em um novo apartamento com dimensões muito reduzidas, não é simples. Perto da varanda, certamente a árvore voaria pelos ares com o vento. Perto da porta atrapalharia a passagem. Perto do corredor atravancaria o vai e vem.  Acabei por escolher a sala de jantar, um cantinho espremido entre a mesa e o buffet. 
Primeiro passo, abrir a imensa caixa de papelão lacrada com fita adesiva, com os seguintes dizeres anotados: “cuidado, frágil!”. Essa anotação eu fiz pra que a equipe da mudança não quebrasse os minúsculos e delicados enfeites natalinos.
Segundo passo, correr da barata que saiu voando de dentro da caixa de papelão.  Entrei em pânico, tive uma crise de nervos. A bicha voou direto pra dentro do meu quarto, a poucos metros da sala. Voou e pousou na porta do guarda-roupas. Procurei, em vão, um daqueles aerossóis que prometem eliminar insetos. Encontrei no armário da lavanderia os seguintes itens: bom ar, pinho sol, comfort e sabão em pó. Só? Sim, só. Olhei na direção da vassoura, a vassoura me encarou. Não tinha jeito, era vassourada, ou então conviver indefinidamente com aquele ser cascudo e repulsivo. Não sou muito de beber nada alcoólico em dias úteis, horário comercial. Porém, eu precisava tomar umazinha, pra criar coragem, matar aquele monstro horripilante. Era ela, ou eu.  Na dispensa da cozinha encontrei uma garrafa de uísque de Divo Latívio. Dispensei o copo, bebi um imenso gole direto no gargalo. Argh! Eu pulei segurando firme a vassoura. Eu estava preparada pra voar!
Marchei com passos decididos rumo ao quarto. A barata que se preparasse, aquela seria sua última cena! Abri a porta do quarto e... Cadê a barata? Tinha sumido. Procurei atrás da porta, segurei a respiração, me coloquei na pontinha dos pés e puxei a cortina da janela. Nada da fugitiva! Embaixo da cama, nada. Bati com a vassoura em cima do guarda-roupas, atrás do criado-mudo, balancei a roupa de cama. Simplesmente ela tinha desaparecido.
Voltei à decoração natalina mas, por precaução, deixei ao meu lado minha poderosa arma: a vassoura.
Esses pisca-piscas costumam dar pau depois que os guardamos durante vários meses. Estiquei aquele fio embaraçado de ponta a ponta na sala, uns quatro metros no máximo, já que a sala é liliputiana. Notei que havia um fiozinho solto, coisa simples de ser consertada. Onde eu teria guardado a fita isolante? Lembrei: na caixa dentro do guarda-roupas do quarto. Lá fui eu descalça, cantarolando "We Wish You a Merry Christmas". Abri a porta do guarda-roupas e quem estava lá, pousada na minha jaqueta de couro argentino? Ela, a barata voadora, que fez seu número e voou rasante sobre a minha cabeça. Foi pra sala, eu peguei a vassoura e acertei uma cacetada na mesa lateral, derrubei o abajur e quase mandei pelos ares um vaso de cristal, herança da bisavó de Divo. Aquilo estava além dos meus limites, era uma questão de honra: eu teria que exterminar a barata, ou não me chamaria mais Diva Latívia!
Atrevida, parou no alto da árvore de Natal, feito uma estrela guia. Falei um palavrão impublicável. Eu já não mais raciocinava, eu estava programada para matar a barata. Peguei a vassoura e... Bati na árvore de Natal com tamanha força que matei a barata e destrocei a árvore de Natal, que partiu em três pedaços.
Naquele instante, tocava "Noite Feliz" no CD. A casa toda revirada, o cadáver do inseto ali, inerte. O pisca-pisca atropelado pela vassoura. E eu? Ah, eu desliguei o CD, liguei o rádio naquela estação de rock. Busquei um copo, coloquei duas pedrinhas de gelo, peguei novamente aquela garrafa de uísque de Divo e me servi com dois dedinhos de uísque, que não aprecio, mas bem serviu pra relaxar. Dancei uma espécie de dança de vitória de guerra, algo atávico, herança ancestral dos vikings. Meio fora de mim, desisti de continuar a arrumação natalina. Adiei, por tempo indeterminado.
Essa foi a minha primeira tentativa de entrar no ritmo do Natal. Quem sabe, se eu visitar as ruas decoradas com luzes e enfeites muitos, eu volte ao clima? Quem sabe?

21 de nov de 2012

CAMPANHA PAPAI NOEL DOS CORREIOS

Eu pensei que todo mundo fosse filho de Papai Noel...
A frase da antiga canção natalina bem pode traduzir o quanto é injusta a distribuição de renda neste planeta. Enquanto pouquíssimos detém uma fortuna incalculável, muitos padecem na mais degradante miséria material. Nosso país não é exceção. Aqui no Brasil crianças morrem de fome, muitos moram nas ruas, não têm sequer registro de nascimento, não têm o que vestir, o que comer. Os problemas sociais são gravíssimos.
Vem aí o Natal. Há vários anos os Correios, em um belíssimo trabalho, promove a campanha "Papai Noel dos Correios". Podemos ser ajudantes, ou padrinhos. Podemos escolher uma, ou algumas cartinhas que crianças carentes enviam para o Papai Noel e darmos a esses meninos e meninas o sonhado presente. Para saber mais detalhes, aqui está o link: http://www.correios.com.br/papainoelcorreios2012/
Faltam poucos dias, é até o dia 30.11.12!

12 de nov de 2012

OUTRORA


Nem sou tão velha assim, mas sou de outro tempo. No “meu” tempo os homens usavam cueca samba-canção ( qualquer coisa parecida com uma bermuda, um cuecão), eram provedores ( pagavam todas as contas), usavam bengala, chapéu, bigode e... Nossa, viajei no tempo!  O “meu” tempo antecede a mim.
Naquela época, antes de mim, os homens cortejavam as damas, faziam serenatas sob as janelas, os casais suspiravam apaixonados à luz do luar. Usavam terno risca de giz, lenço no bolso do paletó, abriam as portas para as senhoras passarem, eram galantes, cavalheiros. O “meu” tempo, que nem vi, eu li em livros, assisti em filmes, escutei em histórias de avós, tias velhas, gente que teve a sorte de chegar ao mundo cinquenta anos antes de mim.
Quando nasci havia neste mundo uma revolução feminina, as moças queimavam sutiãs, os hippies pediam paz e amor e os Beatles cantavam Let It Be. Não, aquele não foi o “meu” tempo, cheguei atrasada meio que perguntando “cadê todo mundo?”.
E hoje, ah... Hoje eu vivo em um mundo mais maluco que qualquer história de ficção científica. Um mundo cinzento onde tudo é eletrônico. As pessoas passam umas pelas outras nas ruas, todas apressadas, ninguém abre a porta pra ninguém. Os homens andam dentro de seus carros, não fazem serenatas, nem usam chapéu. Quase ninguém observa a lua. E eu percebo que estou fora de moda, sou de outro tempo, do tempo em que o homem curvava-se respeitosamente, estendia sua mão à amada e a convidava a dançar. Do tempo do vestido rodado, da flor nos cabelos, do tempo em que o tempo parava para dar lugar ao romantismo, entre rosas e suspiros. E nem sou tão velha assim...

7 de nov de 2012

A MALVADA DO SUPERMERCADO


Eu tinha acabado de sair da reunião quando tocou meu celular. Era Divo.
- Amor, a que horas você vai voltar do trabalho?
Jamais sei a que horas voltarei pra casa. A correria é muita, o trânsito complica tudo e eu não sei de mais nada.
- Lá pelas 20h00. Talvez, lá pelas 21h00. Por que a pergunta?
- Precisamos ir ao supermercado.
Nada, mas nada mesmo me irrita tanto quanto fazer o supermercado.  Pior que isso, nada, mas nada mesmo me irrita tanto quanto fazer o supermercado à noite, depois de um longo e cansativo dia de trabalho.
Passei o dia sem a menor pressa de voltar pra casa. Pudera, eu sequer teria o gostinho de ver na TV o bonitão. Não, ele não é mais O Astro. Rodrigo Lombardi agora salvou Jorge, digo, trabalha na novela Salve Jorge. Ai, ai...
Voltando ao assunto: eu odeio fazer supermercado, detesto esse tipo de compromisso depois de dez, doze horas de trabalho. Porém, Divo, melhor do que ninguém sabe o jeito certo de me intimar. Ou será me intimidar? Nem sei. Tudo o que sei é que eu saí às 20h30 do escritório me arrastando.  Eu era o retrato em preto e branco da situação. Parecia que uma nuvenzinha de chuva caminhava sobre minha cabeça, a desaguar um temporal.
Supermercados modernos, de fato hipermercados. Lá tem de tudo: de fralda geriátrica até ração para o cachorro. É possível caminhar quilômetros a puxar e empurrar um pesado carrinho de compras. Pensando bem: pra quê academia de ginástica, não é mesmo?
 Quando eu preparo a lista de compras faço questão de anotar tudo o que falta em meu lar, doce lar. Primeiro, faço uma limpeza na geladeira. Depois, faço uma limpeza na dispensa. Depois, é a vez do banheiro e da área de serviço. Mas, ultimamente, ando sem tempo. A lista foi preparada por Divo Latívio. Lista econômica, exótica, como se escreve “esdrúxula”?
Estávamos na fila dos frios, meus pés doíam tanto que decidi tirar os sapatos. Descalça, provei uma fatia de mortadela. Meu estômago roncou satisfeito. Divo continuava a escolher calmamente entre salame italiano e salame hamburguês. Ao meu lado um senhor de uns 79 anos admirava o meu decote. Quase faleci, eu estava mortinha de cansaço. Sorri amarelinho pro vovô.
A sessão de produtos de limpeza é muito interessante, especialmente às 22h00 e depois de um longo dia de trabalho suado. Na lista de Divo constava apenas detergente e sabão em pó.  Lembrar-se de cada ítem faltante na área de serviço, isso parece um tormento. Pelo sim, pelo não, coloquei uma porção de coisas no carrinho já lotado.
Congelados. Não gosto muito disso, prefiro tudo natural, mas Divo é moderninho. Couve de Bruxelas, smiles e hambúrguer. Tudo isso e mais alguma coisa. Eu já não via mais a hora de voltar pra casa! Tentei calcular a quantas horas eu estava vestida com aquele tailleur, meia-calça, scarpin de salto alto. Exatamente quinze horas e quarenta e cinco minutos.
Divo, vestido com bermudão, chinelão e nem aí, estava sem a menor pressa. Decidiu escolher pilhas para a lanterna. Depois decidiu escolher vinhos para a nossa adega. Não fosse meu desespero, eu o teria ajudado a escolher, mas eu estava literalmente desesperada. Eu daria tudo por um banho, por meu pijaminha, minhas pantufinhas. O que teria acontecido no capítulo de Salve Jorge?
- Divo, estou muito cansada, ainda faltam muitas coisas na sua lista de compras? - Falta, não reclame Diva, deixe de moleza!
Moleza, eu? Aquilo começava a mexer com meu juízo.
Eram 23h20 quando passamos pelo caixa. Divo atento ao empacotamento dos produtos, que embalava sossegadamente, sem o menor sinal de estresse, e eu fazendo trabalho braçal, ou seja, era eu quem tirava as coisas de dentro do carrinho e colocava sobre a esteira rolante do caixa. Tudo bem, se minha missão terrena era sofrer tamanho sacrifício, pois que assim fosse. Eu sabia que estava suada, desgraçada, descabelada. Eis que a água de lavadeira, a maldita Cândida, escapou de minhas mãos, bateu na quina do carrinho e estourou no chão, juntinho de minhas pernas. Respingou em mim. Manchou irremediavelmente minha roupa. Eu comecei a chorar. O que fez Divo Latívio? – Pare de chorar, você está ficando louca?
Pois foi assim que vi Divo Latívio pela última vez, isso há 48 horas. Eu saí do supermercado pisando duro e ligeiro, eu e meu perfume de limpeza de vaso sanitário.  Ainda escutei Divo gritar: - Diva, volte aqui, você está com minha carteira dentro da bolsa! Peguei um táxi e rumei pra um hotel quatro estrelas (poderia ser cinco estrelas também).  Tomei um banho de banheira digno de uma rainha, dormi uma noite de princesa, espalhada na cama, meu corpo em formato de X. No dia seguinte, comprei duas mudas de roupas e tratei de não atender nenhum telefonema de Divo.
Escrevo este texto no tablet que adquiri ali no shopping. Nada como um bom hotel com wi-fi, cama king size e serviço de quarto.  Quando voltarei pra casa? Sei lá! Tirei férias depois do episódio do supermercado. Ah, fala sério... Tem coisa melhor que umas férias conjugais, ainda mais com tudo pago com o cartão de Divo Latívio?