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Apresentação

Este blog nasceu no blog Janela das Loucas, onde assinava "Diva Latívia". Ali permaneci durante muito tempo, como autora principal das crônicas do blog. Redescobri que escrever é vital pra mim, guiada e editada por Abílio Manoel, cantor, compositor, cineasta e meu querido amigo. O Janela das Loucas não existe mais, Abílio foi embora pro Céu. Escrevo porque tenho esse dom divino, mas devo ao Abílio este blog, devo ao Abílio a saudade que me acompanha diariamente. Fiz e faço deste blog uma homenagem a aquele que se tornou meu irmão, de alma e coração. Aqui o tema é variado: cotidiano, relacionamentos e comportamento, em prosa e versos.







12 de nov de 2012

OUTRORA


Nem sou tão velha assim, mas sou de outro tempo. No “meu” tempo os homens usavam cueca samba-canção ( qualquer coisa parecida com uma bermuda, um cuecão), eram provedores ( pagavam todas as contas), usavam bengala, chapéu, bigode e... Nossa, viajei no tempo!  O “meu” tempo antecede a mim.
Naquela época, antes de mim, os homens cortejavam as damas, faziam serenatas sob as janelas, os casais suspiravam apaixonados à luz do luar. Usavam terno risca de giz, lenço no bolso do paletó, abriam as portas para as senhoras passarem, eram galantes, cavalheiros. O “meu” tempo, que nem vi, eu li em livros, assisti em filmes, escutei em histórias de avós, tias velhas, gente que teve a sorte de chegar ao mundo cinquenta anos antes de mim.
Quando nasci havia neste mundo uma revolução feminina, as moças queimavam sutiãs, os hippies pediam paz e amor e os Beatles cantavam Let It Be. Não, aquele não foi o “meu” tempo, cheguei atrasada meio que perguntando “cadê todo mundo?”.
E hoje, ah... Hoje eu vivo em um mundo mais maluco que qualquer história de ficção científica. Um mundo cinzento onde tudo é eletrônico. As pessoas passam umas pelas outras nas ruas, todas apressadas, ninguém abre a porta pra ninguém. Os homens andam dentro de seus carros, não fazem serenatas, nem usam chapéu. Quase ninguém observa a lua. E eu percebo que estou fora de moda, sou de outro tempo, do tempo em que o homem curvava-se respeitosamente, estendia sua mão à amada e a convidava a dançar. Do tempo do vestido rodado, da flor nos cabelos, do tempo em que o tempo parava para dar lugar ao romantismo, entre rosas e suspiros. E nem sou tão velha assim...

Um comentário:

Morgan Nascimento disse...

Olá, parabéns pelo blog!
Se você puder visite este blog:
http://morgannascimento.blogspot.com.br/
Obrigado pela atenção

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