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Apresentação

Este blog nasceu no blog Janela das Loucas, onde assinava "Diva Latívia". Ali permaneci durante muito tempo, como autora principal das crônicas do blog. Redescobri que escrever é vital pra mim, guiada e editada por Abílio Manoel, cantor, compositor, cineasta e meu querido amigo. O Janela das Loucas não existe mais, Abílio foi embora pro Céu. Escrevo porque tenho esse dom divino, mas devo ao Abílio este blog, devo ao Abílio a saudade que me acompanha diariamente. Fiz e faço deste blog uma homenagem a aquele que se tornou meu irmão, de alma e coração. Aqui o tema é variado: cotidiano, relacionamentos e comportamento, em prosa e versos.







5 de fev de 2013

CONFETINHO


Eu era uma folha de papel, essa minha última recordação. Apaguei quando me colocaram sobre uma prensa, ou algo assim. Acordei dolorido e colorido, notei que não estava sozinho. Eram tantos desconhecidos dentro daquele pacote, cada um de uma cor: verde, azul, cor-de-rosa, amarelo. Notei a minha cor, eu era azul. Um tom meio desbotado, esmaecido.  
Havia muito pouco espaço, estávamos todos, praticamente, prensados. Espremidos e colocados dentro de uma sacola. Tive sorte, minha visão era privilegiada, fiquei junto ao plástico transparente da embalagem. De lá fomos pra dentro de uma caixa de papelão, onde havia outras sacolas plásticas iguais à nossa. Ficou tudo escuro, balançamos muito pra lá, pra cá. Ouvi vozes, eram humanos conversando. – Zé, essa caixa de confetes aqui é pra loja da Rua das Flores! Balancei tanto que até fiquei tonto. 
Não sei dizer quantos dias se passaram, até que pegaram a sacola onde eu estava, fui parar em uma prateleira. Eu precisava  ser comprado, essa a minha única esperança de liberdade. Tratei de ajudar a sorte. A cada mão que esbarrava em minha embalagem eu me aprumava e sorria. – Hei, me leve com você! Quase fui escolhido, várias vezes.
Os dias foram passando e passando. As prateleiras mais e mais vazias,  as outras sacolas , quase todas elas, foram embora nos braços de gente desconhecida. Eu já tinha perdido a esperança, quando senti que alguém me tirou da prateleira. Finalmente! 
Novos balanços pra lá, pra cá. Risos, música alta ( ala laô, ô, ô, ô!). Abriram a minha embalagem. Pude, depois de tanto tempo de confinamento, respirar. Meus colegas de saquinho eram, pouco a pouco, libertados. Fui lançado para o alto, bailei no espaço, dei cambalhota, rodopiei feliz.  Eu, livre a dançar no ar, a girar, girar... Livre, finalmente, livre... Renasci!

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