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Apresentação

Este blog nasceu no blog Janela das Loucas, onde assinava "Diva Latívia". Ali permaneci durante muito tempo, como autora principal das crônicas do blog. Redescobri que escrever é vital pra mim, guiada e editada por Abílio Manoel, cantor, compositor, cineasta e meu querido amigo. O Janela das Loucas não existe mais, Abílio foi embora pro Céu. Escrevo porque tenho esse dom divino, mas devo ao Abílio este blog, devo ao Abílio a saudade que me acompanha diariamente. Fiz e faço deste blog uma homenagem a aquele que se tornou meu irmão, de alma e coração. Aqui o tema é variado: cotidiano, relacionamentos e comportamento, em prosa e versos.







25 de mar de 2013

O GRANDE AMOR DE SUA VIDA


Um amor, outro, outro... Outro!Grandes amores?
Esse rodízio de homens e mulheres (esqueçam vacas e espetos) passa a impressão de que um grande amor não foi vivido até então, ou de que um grande amor foi vivido e fincou na alma, feito espinho encravado na pele, daqueles que inflamam e dão tétano.  Que dor!
A sede desesperadora para encontrar o grande amor da vida afasta o grande amor da vida. Explico: táxi ocupado roda e permanece ocupado. A melhor oportunidade para encontrar o grande amor da vida é permanecer sozinha, ou sozinho. Acha difícil?
O grande amor não se procura, nem se acha, ele é descoberto pouco a pouco e lado a lado. A parceria, a troca afetiva, o companheirismo revelam aos poucos o grande amor da vida de alguém. O grande amor nasce em meio ao cotidiano. Tudo o mais é estado de paixão, show pirotécnico belíssimo, com luzes, sons, coisa de fazer o coração saltar pela boca. E depois? Fim! É só varrer a sujeira e ir em frente. Acabou!
Quem encontra um grande amor, outro, outro e outro, depara-se com a solidão. O vazio após o término de um relacionamento breve causa imensa frustração. E lá vai novamente a criatura buscar seu grande amor em outros braços e abraços.
Meu texto anterior sobre o e-mail que uma moça enviou ao ex-namorado, com a ajuda desta autora, resultou em desapontamento. Ele não respondeu e ela insistiu. Por fim, soube que ele tinha encontrado outro “grande amor de sua vida”. Meu conselho foi que ela esperasse atenta, porém silente, seguisse aquele velho dizer a respeito da água mole em pedra dura: deixe estar, um dia ele haverá de voltar. 
O que eu penso a respeito desses amores rapidinhos? O grande amor da vida de alguém está do outro lado do espelho. Vá ao espelho e se olhe. Viu? Acorde! O grande amor de sua vida é VOCÊ!

21 de mar de 2013

UM E-MAIL DE AMOR


Ela chegou com seu jeitinho tímido e com a voz em tom bem baixinho me pediu: - Você pode me ajudar a escrever um e-mail?
Há muito tempo descobri que tudo aquilo o que não perguntamos cabe na melhor parte: a nossa imaginação. Então, decidi não perguntar pra quem era o tal e-mail, simplesmente respondi que sim, eu a ajudaria a escrevê-lo.
Notei seus gestos ansiosos, aflitos. A todo instante ela estalava os dedos das mãos.
- Você está com algum problema?
- Eu? Não... É que..
- Deixa pra lá, vamos começar o e-mail. O que você quer escrever?
Ela me olhou fixamente, como quem tenta abrir com saca-rolhas uma garrafa de vinho. Dentro de mim estava aquilo o que ela considerava a solução: as palavras certas para um certo alguém.
- Tive uma ideia: que tal você me dizer se o e-mail é de trabalho, se é para algum amigo, ou parente?
Ela mordeu os lábios, novamente estalou os dedos das mãos.  – Não é nada disso do que você falou.
- Não? Então o e-mail é para algum namorado, pretendente, algo assim?
Ela ficou sem graça, se ajeitou na cadeira, tirou a franja caída na testa e suspirou. – É mais ou menos isso aí.
- Vocês dois estão namorando?
Ela quase gritou, apressadamente: - Não!
- Ele está a fim de você?
- Não mais, mas já foi a fim há muitos anos.
- Um ex-namorado?
- É!
- Você está a fim dele, é isso?
- É!
- Quer um e-mail romântico?
Ela sorriu: - Você sabe escrever tão bem! Faz esse e-mail pra mim?
- Qual é o nome dele?
- Antônio.

Escrevi o e-mail, aqui está:

Oi, Antônio!

A gente não conversa faz tanto tempo! Eu não sei se você continua ouvindo as mesmas músicas, se guarda minhas fotos antigas, se usa o mesmo perfume. Todas as vezes que passo perto da sua casa eu paro na calçada, olho pro alto e tento contar os andares, achar a janela do seu apartamento. Fico ali, como quem não pode ser vista, mas na verdade gostaria de ser flagrada, abraçada e beijada por você. O tempo passa, eu ali parada, meus pensamentos confusos... 
Terá você uma namorada? Será que ainda lembra qual é o sabor do meu beijo? Serei eu, entre todas as mulheres ao seu redor, aquela com quem você viveria feliz pro resto da vida? Penso tudo isso, estico o olhar novamente pro seu prédio e vou embora, lembrando de nós dois. 
Tanto tempo! Será que seu coração ainda se lembra de mim?
Um beijo,
Eu

Enviamos o e-mail que, depois de duas horas, continua sem resposta. Mas, nesse tempo atual ninguém tem tempo pra nada. Existe iPhone, iPad, ai isso, ai aquilo. Vai saber se o moço leu, ou não leu?  Estou na torcida, quem sabe ele responda? Tomara!

9 de mar de 2013

NAS ASAS DA IMAGINAÇÃO


Na vida aprendi algumas coisas. Truques novos, truques antigos e já descobertos por outros habitantes terrenos. Uma das novidades que descobri , algo relativamente recente, é que para escrever é preciso ser meio maluco. Quem escreve imagina coisas, ouve vozes, vê vultos, ri, chora, se zanga, perdoa, se apaixona, nasce, morre e fala sozinho.  Quem escreve chega a sentir aromas, alguns totalmente estranhos. Cheiro de mato, de perfume barato, de pratos preparados para si durante a infância. Sente dor, frio, calor. Volta o passado, desenterra os mortos. Amanhece adolescente, renasce dolorosamente, no final do dia dá à luz um novo texto e depois adormece um ancião, carregado de sabedoria. Eu, que escrevo, sou uma e tantos outros, cada qual à sua maneira, sou homens e sou mulheres, com personalidades e anseios diversos: personagens!
Assusta-me a viagem que faço para dentro de mim, seguida das crises de total ausência de atenção a coisas banais durante o dia. Lá estava eu, a trabalhar, quando algo me chamou a atenção. Um antigo peso de papel, daqueles com formato de bola de vidro. Viajei nas asas da imaginação, a observar o objeto contra a luminosidade que vinha da janela. Lembrei do peso de papel do escritório do meu avô, eu com quatro, cinco anos de idade. Admirei o reflexo raiado de sol e cores diversas, como se sentiria aquele peso de papel? Voltei para o mundo sendo observada por alguém que, certamente, achou que eu estava tendo uma crise psicótica, ou algo assim. Eu estava longe dali, tão longe que exclamei sozinha, em alto e bom som : - Achei! Vou contar a história do antigo escritório do Vovô! Quem ali me observava franziu a testa e murmurou algo frio, incompreensível: - Diva, você está bem? E foi assim que aterrissei na realidade, eu estava ali, no escritório, tramando um novo texto. Terei falado sozinha? Terei feito careta? Impossível saber, a inspiração me leva a uma espécie de transe, eu esqueço de mim, abstraio quem está ao meu redor. 
Diva Latívia, ela viaja em pensamento e esquece: a panela no fogão, o horário marcado no dentista, esquece até mesmo de carregar a bateria de seu instrumento de trabalho, o computador. Um mundo paralelo, no qual os finais podem ser trágicos, patéticos, hilários, românticos. Um mundo que imita a realidade, regido pela ponta dos meus dedos a dedilhar frases que definem o destino de gente que ganha vida a cada frase. Para escrever é preciso ser meio doido, ou fica tudo muito chato. Ler um texto chato, ninguém merece. O leitor quer entrar no texto e se deliciar, lambuzar-se divertida, ou dramaticamente.  Diva torna-se guia turística de viagens literárias.
Amanheci cheia de ideias, doida pra escrever. Escreverei sobre a edícula de minha casa de infância, o antigo escritório de advocacia de meu avô. Um dia, quando eu menos esperar, essa história tomará conta de mim e eu, que poderei estar trabalhando, cozinhando, visitando alguém, ficarei meio fora do ar, a matutar o novo texto. Normal, amanheci com meus personagens a esperar ansiosos pela sua participação em minhas estórias que, ocasionalmente, são histórias assim escritas, com “h”. Histórias que são filhas prediletas, que pari ao longo da vida e aqui amamento em prosa e versos. Mãe dos meus textos, esta sou eu, Diva Latívia.

8 de mar de 2013

OLHA A PÁSCOA CHEGANDO AÍ, GENTE!


Passou o Dia Internacional da Mulher? Já acabou? Ótimo, nada como um dia após o outro, uma data comemorativa após a outra. Enfim, passou!
Agora vem aí a Páscoa! As propagandas na TV mostram coelhinhos, coelhões, ovinhos, ovões. Já li sobre os preços exorbitantes da delícia embalada em papel brilhante e colorido. Chocolatinho caro esse! Mais que isso, apesar de ser outono, o clima anda doidinho de tudo. Na Páscoa faz calor, muito calor.
Não adianta explicar tudo isso pra Tia Violeta, ela cisma, todos os anos, que domingo de Páscoa é dia de feijoada. Sou meio vegetariana, digo meio porque não resisto a um churrasco de carne bovina bem passada. Porém, pé de porco, orelha de porco e sei lá mais o quê do porco, isso eu dispenso. Tia Violeta curte feijoada radical, com direito a tudo do porco e mais alguma coisa. Dá medo essa feijoada!
Ano passado estávamos reunidos na casa da Prima Amélia, filha da Tia Cândida. Enfim, tinha parente de todo jeito, primos, filhos dos primos, primos dos primos, tios que eu não via há mais de trinta anos. Perdi a conta de quantas vezes o Tio Alaor, com noventa e oito anos de idade,me confundiu com a minha mãe! 
Já que cozinhar não é o meu forte, resolvi participar do setor dos que sentam e esperam pra comer. Caipirinha, petisquinho e muito papo furado. A mulherada mais prendada, vez ou outra, me lançava aquele olhar de Mariazinha, sabe como é? Aquele arzinho de mártir fodida, esbaforida e cozinhado pra... mim!
Costumo dizer que posso pagar o restaurante. A minha parte, evidentemente. Que culpa eu tenho se resolvem fazer feijoada “completa” no calor do domingo de Páscoa? Mas, aquele almoço tinha começado mal, muito mal.
Prima Amélia, namorava a Sônia Helena, sua antiga colega de cursinho pré-vestibular. Muito escutei minha avó, boquiaberta, praguejar horrorizada a respeito do assunto.  A ideia da feijoada com pé, rabo, orelha e sabe-se mais o quê do porco, foi apoiadíssima pelo casal, que ainda providenciou torresminho e couve refogada com muito bacon.
O almoço demorou horrores. Quando a coisa ficou pronta, eu já estava meio tonta com tanta caipirinha. Começou a minha pescaria no panelão de feijoada:- Isso aqui é qual parte do porco? Com medo de comer o fiofó do bicho, eu acabei me contentando apenas com o feijão. Ainda assim, almocei cheia de receio de comer alguma porcaria, literalmente.
Depois do almoço, veio o Tio Arnaldo, ridículo, vestido de coelho da Páscoa. Dava uns pulinhos, segurando uma cesta lotada de ovos de Páscoa miúdos, de marca e qualidade duvidosas.  Pra mim, ovinhos de cor vermelha e cor-de-rosa, disse o titio que pra combinar com meus olhos. Putz, não posso beber que meus olhos ficam assim!
Comi o chocolate, aceitei o pudim das nove neves ( nem me perguntem que diabos era isso), bebi o licorzinho de jabuticaba preparado pela Tia Violeta. Alguém aí já ouviu falar em terremoto dentro de si? Eu senti minhas entranhas trepidando, se revirando e nem deu tempo de correr. Vomitar é nojento, eu sempre achei isso. Ainda bem que não me caguei, não desta vez! Vomitar é politicamente correto, cagar-se não! A culpa sempre foi atribuída às minhas caipirinhas, mas eu tenho certeza que meu fígado rejeitou os ovinhos de Páscoa, o feijão, a couve com muito bacon e, claro, o torresminho e o calor de 32 graus na sombra.
Neste ano haverá nova celebração na casa da Prima Amélia. Já disseram que, desta vez,  o cardápio será outro: vatapá. Pediram que eu leve sal de frutas, só pra prevenir. Coisa dessas mulheres que, ao invés de sentarem pra contar umas piadas ao sabor de uma cervejinha, ficam lá na beira do fogão, com ódio de mim. Danem-se, de novo vou sentar com a Sônia Helena e observá-la contar os últimos lances do campeonato de futebol. Isso sim, muito mais divertido e, na pior das hipóteses, fonte inspirativa para novos textos de Diva Latívia. Mal posso esperar!


DIA INTERNACIONAL DA MULHER


Compreender a essência feminina, para os leigos e amadores, requer santa paciência e o lamento: falta-lhes um manual de instruções. Cá estamos, mulheres, em nossos escritórios, com nossos diplomas, títulos de doutoras e mestras em ciências exatas e inexatas. Cá estamos, mulheres, em nossos lares, criando filhos, amando parceiros, enfrentando situações e tarefas que só mesmo nós, mulheres, poderíamos realizar. Somos incríveis!
Somos mães, somos filhas, somos esposas, namoradas, amantes.  Aos nossos filhos ensinamos as primeiras palavras, os primeiros passos, o sentido primeiro e mais importante da vida: AMOR. E amando, sentindo, educando, somos as matrizes que conduzem meninos e meninas, frutos de nossos ventres, na direção do dia de amanhã. O mundo em nossos ventres, o mundo gerado, gestado, parido e criado por nós. Ser mulher é uma condição sublime, não de seres doces e frágeis, mas de seres incomparavelmente fortes e belos.
A todas nós, mulheres, parabéns pelo nosso dia. FELIZ DIA INTERNACIONAL DA MULHER!

Diva Latívia