É proibida a reprodução não autorizada dos textos deste blog, de acordo com a Lei nº9.610, de 19 de fevereiro de 1998, que regula os direitos autorais.

Apresentação

Este blog nasceu no blog Janela das Loucas, onde assinava "Diva Latívia". Ali permaneci durante muito tempo, como autora principal das crônicas do blog. Redescobri que escrever é vital pra mim, guiada e editada por Abílio Manoel, cantor, compositor, cineasta e meu querido amigo. O Janela das Loucas não existe mais, Abílio foi embora pro Céu. Escrevo porque tenho esse dom divino, mas devo ao Abílio este blog, devo ao Abílio a saudade que me acompanha diariamente. Fiz e faço deste blog uma homenagem a aquele que se tornou meu irmão, de alma e coração. Aqui o tema é variado: cotidiano, relacionamentos e comportamento, em prosa e versos.







31 de mar de 2014

QUANDO PERCO O MEU OLHAR

Praças e parques públicos levam o meu olhar a instantes diversos e situações inesperadas.As crianças a correr e brincar, os cãezinhos a abanar o rabo de contentamento, gente que pratica esportes, bicicletas ligeiras e vendedores ambulantes. 
Duas voltas na pista de cooper do Parque do Ibirapuera, para quem não está acostumado a caminhar regularmente, é um longo percurso. Sentei-me à sombra daquela árvore. Gente da cidade grande dificilmente identifica uma espécie de árvore. Não era uma árvore frutífera, mas sua copa alta e sua folhagem densa proporcionou a sombra que aliviou o calor e o cansaço do trajeto, que fiz com meus passos lentos, às vezes acelerados. Bebi a água de coco de canudinho, até escutar aquele barulhinho característico do final do líquido, sem cerimônia. Observei o voo de um pássaro, também desconheço a sua espécie.
Respirei fundo. O ar da cidade de São Paulo é impuro, sujo. Senti saudade da infância. Logo ali ao lado, no bairro de Moema, assisti parcialmente ao progresso da cidade. Havia o bonde que passeava desengonçado e barulhento, cortava o bairro e se dirigia ao centro da cidade. Nem todas as ruas eram asfaltadas, ligeiramente recordo-me do trabalho de pavimentação das travessas da Avenida Ibirapuera. Minha idade? Três ou quatro anos, não mais que isso. Naquela época, do terraço do quarto de minha avó, avistávamos o Palácio do Governo, situado no bairro do Morumbi. Hoje essa visão foi tomada por centenas de edifícios residenciais e comerciais.
Decidi continuar a caminhada, cheia de preguiça. O casal de mãos dadas, o menino de triciclo, o vendedor de algodão doce. Perdi o meu olhar entre o lago do parque, o movimento de toda gente e minha vida de outrora. Saudosista, talvez. Saudade de quando o sorveteiro buzinava com seu carrinho pelas ruas de Moema. Saudade de quando andar de bicicleta pelas ruas dispensava as ciclofaixas. Saudade de quando a inocência do meu olhar beijava o horizonte. O tempo passou ligeiro. Sensação de brevidade. São Paulo engoliu a paisagem.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Deixe aqui o seu comentário!