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Apresentação

Este blog nasceu no blog Janela das Loucas, onde assinava "Diva Latívia". Ali permaneci durante muito tempo, como autora principal das crônicas do blog. Redescobri que escrever é vital pra mim, guiada e editada por Abílio Manoel, cantor, compositor, cineasta e meu querido amigo. O Janela das Loucas não existe mais, Abílio foi embora pro Céu. Escrevo porque tenho esse dom divino, mas devo ao Abílio este blog, devo ao Abílio a saudade que me acompanha diariamente. Fiz e faço deste blog uma homenagem a aquele que se tornou meu irmão, de alma e coração. Aqui o tema é variado: cotidiano, relacionamentos e comportamento, em prosa e versos.







14 de mar de 2014

VIDA MODERNA

Nada melhor que uma xícara de café para começar o dia. Sentei-me confortavelmente à mesa, ao meu lado o tablet. Tenho o costume de ler as notícias, checar as mensagens do Facebook, saber quem está online antes de terminar o café da manhã. Entre um gole e outro de café e uma página e outra da web, fui interrompida por Zezé, minha prestimosa auxiliar do lar.
- Dona Diva, a coisa quebrou.
A leitura do noticiário internacional ficou pela metade. Todas as vezes que Zezé avisa que algo quebrou, isso é batata, ela quebrou algo caro e essencial ao bem estar do meu lar, doce lar. Respirei fundo.
- O que quebrou?
- Aquele negócio novo que a senhora deixou no armário, sabe?
Gelei! Lembrei que deixei no armário da cozinha  meu super kit processador Master Ultra que comprei em dez parcelas no cartão de crédito. Já paguei duas prestações! Atônita, entre a ira e o desespero, arrisquei perguntar: - O meu processador?
- Porcaria de coisa, Dona Diva. Não pica cebola direito não!
Sem compreender o que houve, fui à cozinha. Sobre a pia, para a minha surpresa e aflição, estava a fritadeira a vapor, novinha. Derretida, escangalhada, assassinada.
- Zezé, o que você fez?
- Ué, liguei, coloquei a cebola e a coisa se escangalhou! Não tenho culpa!
A diferença entre um processador de alimentos e uma fritadeira a vapor, mal comparando, equivale à diferença entre um ferro de passar roupas e uma torradeira. Como pode uma coisa dessas?
Prejuízo por prejuízo, fiz as contas, tanto pior pra mim. Uma fritadeira a vapor custa muito mais que um processador. Decidi caminhar no parque, arejar as ideias. Eu disse lar, doce lar? Esqueça isso. Fiquei azeda!

Lares modernos dependem de equipamentos mirabolantes para funcionar bem. Dependem de bons operadores desses equipamentos, para que tudo não voe pelos ares. Sou do tempo da frigideira enegrecida pelo uso constante, do tempo do fogão alimentado por gás de botijão, do tempo da máquina manual de moer carne, do tempo da cebola picada miudinha com o auxílio de uma faca afiada. Velha, talvez, mas muito mais simples e avessa à leitura de complicados manuais de instruções dessas geringonças modernas. Joguei no lixo a fritadeira a vapor e encerrei o caso com a absolvição de Zezé. Que se dane a fritadeira, viva a frigideira!

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