É proibida a reprodução não autorizada dos textos deste blog, de acordo com a Lei nº9.610, de 19 de fevereiro de 1998, que regula os direitos autorais.

Apresentação

Este blog nasceu no blog Janela das Loucas, onde assinava "Diva Latívia". Ali permaneci durante muito tempo, como autora principal das crônicas do blog. Redescobri que escrever é vital pra mim, guiada e editada por Abílio Manoel, cantor, compositor, cineasta e meu querido amigo. O Janela das Loucas não existe mais, Abílio foi embora pro Céu. Escrevo porque tenho esse dom divino, mas devo ao Abílio este blog, devo ao Abílio a saudade que me acompanha diariamente. Fiz e faço deste blog uma homenagem a aquele que se tornou meu irmão, de alma e coração. Aqui o tema é variado: cotidiano, relacionamentos e comportamento, em prosa e versos.







15 de mai de 2014

ROMANTISMO ALHEIO, FELICIDADE EMPRESTADA

Observei o casal sentado no café. O olhar de um derramado sobre o olhar do outro. Ele tocou a mão muito branca, esmalte de cor clarinha, dedos longos, mão repousada sobre a mesa.. Rapidamente ela se ajeitou na cadeira. Passou os dedos pelos cabelos, afastou do rosto a franja que caía sobre os olhos, cruzou os braços, como quem tentava se proteger.
Beberam o café sem trocar uma só palavra. Gole a gole, sem pressa. Novos olhares, ele disse algo que a fez sorrir. O que de tão mágico ele teria dito à moça impermeável? Ela abaixou a cabeça, os dois em novo silêncio. Mais uma tentativa, ele segurou a mão da moça, como quem capturava uma presa. Enfim ela não se esquivou e finalmente sorriu.
Pediram a conta, se levantaram, saíram com passos apressados, ela em disparada e ele a tentar alcançá-la. Lá na calçada um abraço, um cumprimento formal de despedida. Ele a puxou pra si e o beijo que trocaram foi cinematográfico. Provavelmente um beijo roubado. Foram embora separados, cada um para um lado.Minha imaginação atiçada e a borbulhar. 
Meu café esfriou enquanto eu rabiscava novas ideias no bloquinho de anotações. Novo texto, cena vespertina, personagens anônimos, felicidade emprestada. Suspirei, o romantismo alheio estava no ar.

2 comentários:

Anônimo disse...

Uia! foi real?

Smak!

Bete

Cláudia Cavalcanti disse...

Oi, Bete, obrigada pelo comentário.
Se foi real? Tudo aquilo o que um escritor cria é real, de um jeito,ou de outro jeito.

Beijo

Postar um comentário

Deixe aqui o seu comentário!