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Apresentação

Este blog nasceu no blog Janela das Loucas, onde assinava "Diva Latívia". Ali permaneci durante muito tempo, como autora principal das crônicas do blog. Redescobri que escrever é vital pra mim, guiada e editada por Abílio Manoel, cantor, compositor, cineasta e meu querido amigo. O Janela das Loucas não existe mais, Abílio foi embora pro Céu. Escrevo porque tenho esse dom divino, mas devo ao Abílio este blog, devo ao Abílio a saudade que me acompanha diariamente. Fiz e faço deste blog uma homenagem a aquele que se tornou meu irmão, de alma e coração. Aqui o tema é variado: cotidiano, relacionamentos e comportamento, em prosa e versos.







1 de jul de 2014

A TRISTEZA É CHICLETE GRUDADO EM MIM

Seu consolo era a leitura, de que outra forma poderia superar o amargo sabor do adeus? Zé, ai o Zé! Todo homem deveria ter um selo de garantia, todo amor deveria ter prazo de validade. Como sobreviver ao fim do namoro? Mergulhou na leitura, os livros eram companheiros certos que nada pediam, senão os seus melhores sentidos. Debruçou o olhar sobre essas palavras: “Tristeza é chiclete grudado no coração da gente, pega e não solta, doce que perde o gosto, coisa que não larga e parece não ter mais fim”.
As palavras encontradas no livro a fizeram cuspir a goma de mascar insípida e descolorida que há horas mastigava. Tristeza sem fim? Pois sim! Quem escreveu aquilo sequer poderia imaginar quem era o Zé Alfredo e o mal que aquela criatura carregava dentro de si.
O Zé era seu vizinho de muro. Cresceram juntos, estudaram na mesma escola, trocaram o primeiro beijo, inventaram as primeiras juras de amor e foram eles dois que protagonizaram o primeiro fora, o primeiro pé na bunda, o primeiro adeus. O Zé e seu olhar esverdeado, seus cabelos desalinhados, sua barba por fazer. Como esquecê-lo?
Desde o dia da despedida, quando terminaram o namoro em meio a desaforos e gritaria, a tristeza invadiu sua vida: desdita colada ao seu cotidiano, um grude que impedia seus passos livremente.
Assim foi até que ele apareceu sorrateiro, na maior cara de pau. Como se nada tivesse causado aproximou-se de repente, deu-lhe mais um beijo redentor. Feito chiclete de bola, ela se encheu toda. Sim, o maior mulherão da estratosfera, com mil metros de altura e dez centímetros de cintura, foi desse jeito que ela se sentiu: explodiu no ar de incontida felicidade.  Pegou o caderninho de anotações e escreveu assim: “Ai, a vida, a vida é bala de goma com sabor de abacaxi”.
Cuspiu o chiclete de bola e fim!
Plóc!

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