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Apresentação

Este blog nasceu no blog Janela das Loucas, onde assinava "Diva Latívia". Ali permaneci durante muito tempo, como autora principal das crônicas do blog. Redescobri que escrever é vital pra mim, guiada e editada por Abílio Manoel, cantor, compositor, cineasta e meu querido amigo. O Janela das Loucas não existe mais, Abílio foi embora pro Céu. Escrevo porque tenho esse dom divino, mas devo ao Abílio este blog, devo ao Abílio a saudade que me acompanha diariamente. Fiz e faço deste blog uma homenagem a aquele que se tornou meu irmão, de alma e coração. Aqui o tema é variado: cotidiano, relacionamentos e comportamento, em prosa e versos.







18 de jul de 2014

O OLHAR CURIOSO DE JOÃO UBALDO RIBEIRO

Já passava das duas da tarde quando a fome gritou zangada: - hora de almoçar!
São Paulo aos domingos, restaurantes aos montes. Escolhi o restaurante que meu estômago encontrou primeiro. Lotado! A espera por uma mesa foi um tanto demorada, lembro-me que famílias com crianças pequenas permaneciam sentadas em mesinhas na calçada, entre risos e choramingo dos pequenos. Lá pelas tantas consegui a esperada mesa, um bom lugar próximo ao buffet de saladas.
Certamente, pedi uma cerveja, essa a boa pedida que sempre faço. Como sempre, meu olhar começou a girar 360 graus, a buscar elementos para a minha criação blogueira. Algo involuntário, sou meio "voyeur" ( isso já me causou problemas). Dessas cenas cotidianas, vez ou outra, capturo inspiração para meus textos. Não sei mais o que escolhi no menu, possivelmente massa – sou avessa às carnes em geral. Devo ter dispensado a sobremesa, o sentimento de culpa pós-gulodice costuma atacar nesse doce momento. O café bebi sem açúcar, isso faz parte da culpa.
Meu olhar giratório pousou na mesa ao lado. Ali estava alguém que reconheci imediatamente: o escritor João Ubaldo Ribeiro. Vestido de um jeito despojado, estava desacompanhado. Meu olhar rodopiante encontrou seu olhar curioso. Os mortais ao nosso redor lá estavam a ser duplamente analisados, suas vidas a ser imaginadas. De repente éramos os dois a nos observar.
João depositou seu olhar em mim longamente. Por fim, sorriu discretamente e acenou. E eu, tímida e cheia de reverência, devolvi o sorriso, paguei a conta apressada e fui embora. Senti o olhar do escritor a me seguir. Feitiço virado contra a feiticeira, ser capturada pela curiosidade do ilustre escritor me deixou sem graça.
Esse um episódio que nunca esqueci, gosto de literatura e aprecio os escritos de João Ubaldo. Espero que no Céu exista muito a ser desvendado, assuntos que aticem a imaginação dos recém-chegados. Que não falte lápis, papel e nem personagens interessantes que inspirem novas histórias. Siga em paz, João! Naquele dia não consegui lhe dizer que sou sua fã, mas acho que você me compreendeu.

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