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Apresentação

Este blog nasceu no blog Janela das Loucas, onde assinava "Diva Latívia". Ali permaneci durante muito tempo, como autora principal das crônicas do blog. Redescobri que escrever é vital pra mim, guiada e editada por Abílio Manoel, cantor, compositor, cineasta e meu querido amigo. O Janela das Loucas não existe mais, Abílio foi embora pro Céu. Escrevo porque tenho esse dom divino, mas devo ao Abílio este blog, devo ao Abílio a saudade que me acompanha diariamente. Fiz e faço deste blog uma homenagem a aquele que se tornou meu irmão, de alma e coração. Aqui o tema é variado: cotidiano, relacionamentos e comportamento, em prosa e versos.







4 de ago de 2014

STAYING ALIVE ( anos 70)



Admirei longamente a minha imagem na fotografia. Meus cabelos volumosos, longos e cacheados, era o estilo de penteado usado pela atriz Farrah Fawcett no seriado televisivo “As Panteras”. A calça jeans de cintura alta e com a boca larga, que chamavam de “ boca de sino”. A bata de renda parecida com o tipo de blusa que é usada atualmente. Não mais do que 16, 17 anos na fotografia do final da década de 70. Foto em preto e branco.
Meu perfume era o “Charlie”, da “Revlon”. Um dia, em alguma passada pelo “Dutyfree” encontrei um vidro desse perfume, uma edição especial, segundo informava a embalagem. Fiz outra viagem, essa sem avião ou malas, eu voei na direção do passado alegre, feliz e inesquecível. Aterrissei resignada quando alguém me cutucou e reclamou: “- Não está me ouvindo? Onde está com a cabeça?” - Comprei o perfume e o guardei como quem guarda um troféu. Aroma do tempo.
Sabe o que é meia soquete de lurex? A moda era usar essas meias com sandália de salto alto e arrasar na pista ao som de John Travolta, Donna Summer, As Frenéticas. Eu dançava e dançava, como se o mundo estivesse no globo espelhado a refletir a minha despreocupação com o porvir. As festas eram chamadas de bailes, bailinhos da turma, bailinhos de garagem.
Voltei a olhar para a fotografia. Amarelada, o tempo passou tão ligeiro! O que eu faria se soubesse o que aconteceria em quatro décadas, se descobrisse que eu não era invulnerável, nem invencível, nem imortal? Admirei meu reflexo no espelho, esbocei um sorriso vitorioso de quem aprendeu com lições duras da vida. “Staying Alive” não saía da minha cabeça. Dancei no ritmo da saudade e sobrevivi.

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