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Apresentação

Este blog nasceu no blog Janela das Loucas, onde assinava "Diva Latívia". Ali permaneci durante muito tempo, como autora principal das crônicas do blog. Redescobri que escrever é vital pra mim, guiada e editada por Abílio Manoel, cantor, compositor, cineasta e meu querido amigo. O Janela das Loucas não existe mais, Abílio foi embora pro Céu. Escrevo porque tenho esse dom divino, mas devo ao Abílio este blog, devo ao Abílio a saudade que me acompanha diariamente. Fiz e faço deste blog uma homenagem a aquele que se tornou meu irmão, de alma e coração. Aqui o tema é variado: cotidiano, relacionamentos e comportamento, em prosa e versos.







9 de dez de 2015

NÃO SE PEDE AO VENTO QUE NÃO VENTE ( Ao meu irmão, Flávio, com todo o meu amor e saudade)


Há vários dias as palavras que eu gostaria de te dizer vieram em momentos inusitados. Durante o sono, em meio a alguma refeição, na estrada entre uma cidade e outra, até mesmo durante um corte de cabelo a inspiração surgiu e essas palavras me comoveram profundamente. Palavras que pareceram perfeitas.
Sem um bloco de notas em todas essas ocasiões, sem lápis, caneta, notebook, perdi as palavras por falta de anotação. Ideias são feito folhas secas ao vento, elas vêm girando, brincam aos nossos pés, rodopiam sobre nossas cabeças e vão embora. Todas as palavras bonitas que pensei em escrever em sua homenagem partiram intactas, em branco. O sentimento enraizado e perene, esse frutifica belamente a cada instante.
Juntei uma porção de fotografias de nossos momentos juntos. Você miudinho, nós dois ainda crianças, você meu padrinho de casamento, você ao lado do meu filho, você segurando meu cãozinho em seu colo, você fazendo força para viver. E eu chorei, as palavras todas inundadas, afogadas dentro do meu coração.
Hoje tentei me lembrar exatamente do que ocorreu há um ano. Um calafrio percorreu minha espinha. Você sofria, nós todos sofríamos em dias de dezembro de 2014.  E você se foi, minha mão sobre seu peito inerte, minha impotência, meu desespero.
Acho que você agora está se recuperando, tanta porrada que a vida nos deu, passei a acreditar em outras vidas, em um mundo espiritual que nos recebe, cura, auxilia. Menino, eu não me recupero facilmente, você sabe que não. E sofro, do modo mais dramático e subversivo que você possa imaginar: você me pediu que eu não sofresse, jamais esquecerei disso. Não se pede à chuva que não chova, ao vento que não vente, nem se pede a mim que não sofra. Simples assim.
Por aqui muito pouca coisa mudou em nossas vidas neste ano terrível. Alguns têm novidades, eu não tenho tantas. Tento ser útil, nem sempre sou agradável. As pessoas exigem a felicidade alheia, como o boiadeiro que junta a boiada, a ordem é: todos devem estar reunidos e felizes. Eu não estou feliz e não disfarço. Não suporto a tentativa de consolo, muito menos a mania que essa gente tem de rezar em cima da gente. Espinhos, acho que tenho espinhos. Rosas também têm espinhos, enfim...
 Folha seca solta ao vento, sou pura inspiração a girar no mundo da imaginação.  Os textos todos nas minhas ideias, pouca coisa escrita, quase tudo o que está escrito guardo para mim, sem divulgar. Este texto é exceção, é meu presente para você. Presente neste dia que é triste pra caramba, um dia que me faz lembrar o pior dia da minha vida, mas que é carregado de emoção, amor profundo e uma saudade absurda, que começou muito antes do dia 13 de dezembro de 2014: lembranças da nossa infância, da nossa juventude. Saudade de nós e do nosso mundinho perfeito, maninho!
Sonhei com você adormecido, protegido por nossos pais. Envolto em uma bolha que parecia ser de vidro, ali você se recuperava. E eu sei, maninho, eu sei, tive a honra de visitá-lo. Continua firme o nosso combinado: um dia, quando eu estiver bem velhinha, você virá me buscar. Se eu não envelhecer, o combinado continua a valer da mesma forma. A mim, basta que seja você a me buscar.
Ainda não recuperei as cores, o brilho, o encanto, a graça. Viver é preciso, mas para ser feliz é preciso não sofrer perdas irreparáveis e essas perdas, infelizmente, foram sucessivas e impiedosas. Mano, desculpe minha teimosia, meu sofrimento, mas até o dia do nosso reencontro eu poderei mudar meu nome para “saudade”.
Tratei de colher as poucas letrinhas que caíram ao meu lado, neste pomar de ideias sem fim. Palavras para você. Sei que as receberá. Até um dia, meu amor. Saudade...

De sua irmã que tanto te ama,

(Texto que escrevi para meu irmão, Flávio, que faleceu jovem e lindo no dia 13 de dezembro de 2014).




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